Inteligência de mercado: do VAR à arte

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Que o VAR é o grande solucionador de jogadas polémicas no futebol parece a grande lição retirada do último Mundial da Rússia. No entanto, continuam a ser os árbitros quem interpretam o que registaram as câmaras; e o mesmo acontece nos negócios com dados. Atualmente, é praticamente impossível não ler a cada dia, em qualquer

Que o VAR é o grande solucionador de jogadas polémicas no futebol parece a grande lição retirada do último Mundial da Rússia. No entanto, continuam a ser os árbitros quem interpretam o que registaram as câmaras; e o mesmo acontece nos negócios com dados.

Atualmente, é praticamente impossível não ler a cada dia, em qualquer meio, alguma notícia relacionada com o valor de dados nos negócios. O umbrella é amplo: desde o conceito mais ‘monetário’ dos dados, ao referir-se à informação como a nova moeda de câmbio, até a conceitos que já passaram a fazer parte do vocabulário habitual de qualquer negócio: analytics, big data, ciência dos dados, etc.

Não há dúvida que estamos inseridos numa realidade, na qual a tecnologia permite recolher, armazenar e analisar quantidades enormes de informação. Também não devemos cair na tentação de pensar que armazenar e organizar a informação é uma solução universal a qualquer dúvida de negócio.

Assumindo a velocidade e o rumo com que o mundo económico entrou neste campo, rumo no qual todos temos de fazer parte de uma maneira ou de outra, colocar um ponto de racionalidade (precisamente por falar em dados, racionais, por excelência) é uma obrigação. Contrapor Big Data com Smart Data ou Think Data cobra muita relevância.

A razão desta contraposição de conceitos é clara: este turbilhão traz associado o potencial erro de pensar que a solução para tudo são os dados em si mesmos. Que ter informação já é suficientemente contundente de forma isolada como para ter todas as respostas. Assim, poderíamos refugiar-nos nos dados, como justificações para quando as decisões que tomamos se revelam incorretas, tardias ou desacertadas.

Seria o mesmo que dizer, salvo o devido distanciamento, que quem se engana num jogo de futebol, é o VAR. E não é assim. A responsabilidade não é do VAR (dos dados), mas sim de como interpretá-lo. E a interpretação significa acrescentar objetivo, contexto e circunstância à situação, para que os dados nos levem a ganhar contundência e amplitude na nossa decisão; mas o VAR, não decide sozinho.

Regressando aos negócios, há e haverá campos e áreas de decisão nos quais poderemos treinar algoritmos para que os dados se aproximem a este propósito. É certo. E também é certo que essas áreas de atuação são ou serão reduzidas. E aí é onde entra a arte, o ter um propósito claro que nos leve a uma decisão e a uma acção. Os dados, o VAR, é o que fica no meio. Provavelmente converteram-se em algo ‘necessário’, mas não ‘suficiente’ para assegurar a decisão e a pertinente acção, visto que é imprescindível que sejam sempre utilizados (e elevados) em linha com a estratégia.

Como em muitos aspetos, a soma das partes vale mais do que as partes individuais. Com um objectivo e uma ação clara a tomar poderá pensar em decidir e além de que, se tem a posse da informação (o VAR) ganha-se contundência. Mas será que podemos apenas dizer bem dos dados?

Concluindo, convido-vos a pensar mais na arte do que no VAR quando é necessário aplicar inteligência ao negócio. Há que alinhar o propósito com a ação, e alinhar a procura, a recolha e análise, para que posteriormente, os dados nos posam ajudar, e como consequência, tomemos a decisão e iniciemos a ação adequada com esse propósito.

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