Quatro milhões de euros para aumentar 10 vezes a velocidade das comunicações sem fios

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Três anos depois, com a colaboração de 11 parceiros internacionais e de 4 milhões de euros financiados pela Comissão Europeia, foram demonstradas pela primeira vez a nível mundial velocidades de transmissão que atingiram uma velocidade de 10 gigabits por segundo (quando o normal é 1gigabit por segundo). Tudo graças a uns dispositivos chamados RTDs (em português “díodos de túnel ressonantes” e em inglês “resonant tunneling diode”), que consistem em novas tecnologias transmissoras sem fios, com a aparência de pequenos chips, com baixo custo e energeticamente eficientes, que permitem transmissão de dados ultrarrápida integrada com rede de fibra ótica.

Esta revolução em termos de velocidade na partilha de conteúdo procura fazer face às necessidades na área das telecomunicações que vão precisar de resposta nos próximos anos. Prevê-se que já em 2020, a procura por conteúdo e serviços de banda larga tenha crescido de tal forma que a necessidade de existirem taxas de dados de múltiplos gigabits por segundo para comunicações de curto alcance seja uma realidade. 
 
O fator de maior diferenciação das demonstrações que foram feitas no âmbito do projeto europeu iBROW (Innovative ultra-BROadband ubiquitous Wireless communications through terahertz transceivers) foi o uso do RTD como interface entre o domínio da fibra ótica e o domínio das comunicações sem fios.
 
Testados nos laboratórios da Universidade de Glasgow a uma frequência de funcionamento de 300 giga-hertz e nos do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC) a 100 giga-hertz (os valores normais no wi-fi variam entre 2.4 ou 5 giga-hertz),o que falta para os RTDs produzidos serem colocados no mercado é um processo de industrialização da tecnologia. O vídeo com uma demonstração, realizada no laboratório do INESC TEC, pode ser visto aqui:https://www.youtube.com/watch?v=4gjaVpJQrkg
 
“Num futuro próximo, entre 5 a 10 anos, vai ser possível colocar estes microchips em dispositivos, como por exemplo, telemóveis. As condições para o seu fabrico foram criadas neste projeto de investigação e desenvolvimento, mas as universidades e institutos de investigação não têm capacidade para fabricar estes circuitos integrados em série, isso tem que partir da indústria”, explica Luís Pessoa, investigador do Centro de Telecomunicações e Multimédia do INESC TEC.
 
O projeto iBROW foi coordenado pela Universidade de Glasgow, e contou com dois parceiros portugueses, o INESC TEC e a Universidade do Algarve; mais quatro instituiçõesdo Reino Unido, para além do coordenador, a Vivid Components, IQE Silicon Compounds, Compound Semiconductor technologies global limited e Optocap; duas entidades alemãs, a Nokia Solutions and Networks e a Universidade Técnica de Braunschweig; e dois parceiros franceses, III-V Lab e Commissariat a L Energia Atomique et aux Energies Alternatives. 
 
O projeto iBROW foi financiado ao abrigo do programa de investigação e desenvolvimento da Comissão Europeia H2020.