WinTrust: a empresa nacional que cresce mais de 70% ao ano

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Fundada em 2006, a WinTrust é uma empresa portuguesa consultora e certificadora de Sistemas de Informação, que se destaca no mercado nacional pelo seu Laboratório de Certificação de Software e dois Centros de NearShore. A B!T entrevistou Filipe Carlos, Managing Partner da empresa, para conhecer os principais factores diferenciadores que permitem à organização ter vindo

Fundada em 2006, a WinTrust é uma empresa portuguesa consultora e certificadora de Sistemas de Informação, que se destaca no mercado nacional pelo seu Laboratório de Certificação de Software e dois Centros de NearShore. A B!T entrevistou Filipe Carlos, Managing Partner da empresa, para conhecer os principais factores diferenciadores que permitem à organização ter vindo a registrar crescimentos anuais superiores a 70%.

Filipe Carlos, Managing Partner da WinTrust
Filipe Carlos, Managing Partner da WinTrust

 

Em termos de crescimento anual, quais os últimos resultados da WinTrust?

Naquela que é a nossa área de core business, que é a prestação de serviços de teste, no último ano crescemos 80%, o que foi um salto significativo. Temos alguma actividade a nível internacional e temos projectos na Europa, mas, curiosamente, o mercado nacional fez uma procura por este tipo de serviços que foi verdadeiramente notável. Antes éramos nós que tínhamos de sensibilizar os clientes para a importância de ter uma actividade de testes e hoje já se verifica que é o cliente que liga para a empresa a pedir uma reunião para saber se podemos ajudar – há 5 anos atrás, tal era impensável!

Quais as vossas expectativas para este ano?

Achamos que este ano vamos crescer cerca de 70%. Estamos com um crescimento realmente muito interessante e o mercado continua a fazer esse tipo de procura. A própria WinTrust fez um reforço do ponto de vista da área comercial para sustentar este crescimento e estamos a dar continuidade à nossa estratégia de internacionalização, pelo que agora temos uma capacidade de resposta maior e acreditamos que, do ponto de vista internacional, vamos conseguir ter um crescimento interessante.

Serão sempre projectos na Europa ou ponderam ir para outros mercados?

Temos como prioridade a Europa, porque entendemos que a proximidade junto do cliente final é muito importante – esse é um dos nossos factores de diferenciação. Temos uma relação muito próxima com o cliente, o que nos obriga a ter parceiros locais que conheçam bem a realidade daquela geografia e a ter também a capacidade de apoiar rapidamente esse parceiro local sempre que há essa necessidade, sendo que na Europa estamos a 2/3 horas de distância com um avião. Outro factor relevante é que a própria Europa funciona quase como um mercado de validação. Para além de que somos uma empresa que é qualificada ISSO 17025, uma norma de laboratórios de ensaio para fazer a certificação de software muito rigorosa em termos de isenção, rigor e confidencialidade. Portanto, quando estamos a testar um produto de software, ele tem um código de maneira a que ninguém olhe para a caixa de todo o material que está a ser testado e perceba se aquilo é um produto do tipo A ou B e nem sequer qual a empresa fornecedora – é que, se a empresa quiser ganhar vantagem competitiva dizendo que tem o primeiro produto desta área a ser certificado, até lhe ser dada a certificação, tem de estar tudo no máximo sigilo absoluto.

Têm dois Centros de NearShore. Em que consistem e que planos têm para o seu futuro?

Temos um Centro no Porto e outro em Lisboa e eles jogam com vários factores. Um deles é um desígnio social. Não escondo que um dos maiores prazeres que sinto como gestor é poder ter um papel activo na sociedade. Uma forma de ajudar Portugal a crescer é aumentar o emprego. Se temos países como a Índia, que presta serviço para vários países e dá emprego a indianos que, com todo o respeito, não conseguem falar inglês como nós, enquanto nós, por força de há 500 anos para cá termos tido os Descobrimentos e percorrido o mundo, somos um povo que abraça as várias culturas. Portanto, temos uma capacidade de integração que temos de explorar. Por outro lado, o português tem o famoso pensamento ‘fora da caixa’, que nuns casos é negativo mas noutros é positivo. É negativo quando queremos criar dentro de uma empresa ou país um determinado padrão de comportamento – por exemplo, queremos lançar um modelo de cobrança de impostos diferente e a primeira coisa em que o português pensa é como arranjar um esquema para fugir. Ora, na área dos testes, isso é muito importante e podemos tirar partido desta característica lusitana. Isto é, tenho um software que se utilizar sempre da mesma maneira não consigo detectar defeitos, mas se testar de outra forma e detectar um defeito estou automaticamente a aumentar a qualidade do produto e a evitar problemas futuros. Além disso, o Centro de NearShore, no fundo, é a consequência natural do nosso Laboratório de Certificação de Software: se temos um laboratório que certifica software para as empresas portuguesas, por que não certificar software para entidades internacionais e fazer testes para o estrangeiro? Como estamos a falar de escalas completamente diferentes – quando estamos a falar de projectos de milhares de euros em Portugal, falamos em centenas de milhares de euros quando passamos para o estrangeiro – posso ter um Test Manager local que faz a ponte com o nosso Laboratório e Centro de Nearshore em Portugal. Pelo actual aumento da complexidade na integração dos diferentes sistemas, o desafio que existe, neste momento, na área dos testes é o da automação, que é conseguir fazer mais numa janela de tempo reduzida. Nós, desde 2008 que apostámos forte nessa área, de tal forma que os três principais bancos portugueses e a TAP, por exemplo, são referências nossas. Sendo o teste automático uma necessidade premente para muitas organizações ganharem eficiência, uma das dificuldades que elas sentem é terem uma equipa de testes que está a fazer teste manual e nunca têm tempo para criarem baterias automáticas de teste, porque, no momento em que é suposto começarem a criar algum tipo de automatismo, há sempre um teste que é prioritário para reduzir o risco na produção.

Como é que se resolve esse problema?

Seguindo o ditado “Olhos que não vêem, coração que não sente”, ou seja, deslocar para um centro remoto a criação, execução e monitorização do teste automático. Portanto, tem-se na mesma a equipa de testes manuais e, paulatinamente, vão-se criando casos de teste de forma automática, tendo uma equipa remota, que tem uma capacidade que é definida consoante o ritmo de crescimento – uma maratona começa com um pequeno passo e o importante é começar, nem que seja com um pequeno passo. Portanto, o Centro de NearShore tem essas missões: ajudar as organizações a conseguirem responder mais eficazmente; ajudar a desenvolver a economia nacional trazendo emprego para Portugal; e ajudar empresas do centro da Europa que não estão satisfeitas com os serviços de OffShore da Ásia porque há um choque cultural – e nós conseguimos ter preços equivalentes e com uma produtividade maior.

E porquê a criação do segundo Centro de NearShore, no Porto?

Estamos a verificar, fruto do crescimento, que termos recursos qualificados é cada vez mais crucial. Sabemos que existem bons recursos que estão a emigrar, portanto, para conseguirmos ter recursos bons a trabalhar precisamos também de nos deslocar geograficamente. Temos também já clientes de referência sedeados no Porto e equipas a trabalhar nessa cidade, pelo que podemos capitalizar esse facto e desenvolver trabalho a partir daí para outros projectos, porque assim temos a capacidade de ter os bons profissionais de Lisboa e os bons profissionais do Porto a trabalhar para nós, em vez de estarmos limitados a Lisboa. Isso aumenta a nossa capacidade de crescimento e a nossa capacidade de prestar um bom serviço aos clientes.


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