Opinião | A Vaga Digital…ontem, hoje, amanhã

InovaçãoNegócios

Em 1982 apareceram os primeiros computadores Spectrum e recordo-me de na altura com 10 anos questionar-me como é que os bonequinhos se mexiam ao ritmo das dedadas frenéticas no teclado. Muito joguei “Match Day e Match Point” mas nunca imaginei, nem por um segundo, que a evolução digital tivesse o desenvolvimento que teve.

Gostava ainda de recordar que os primeiros passos da internet surgiram numa forma ainda básica no final dos anos 60, inícios de 70, mas a WWW (World wide Web) que hoje é a sigla reconhecida teve origem em 1992, ou seja 10 anos depois dos acontecimentos que descrevi antes. Outro dado interessante é que o Iphone da Apple foi lançado em 2007 ou seja, há apenas 10 anos. As comunicações móveis são obviamente mais antigas e passaram por diferentes etapas ao nível da capacidade de transmissão, (1g, 2.5g, 3g.4G), ainda assim, as que melhor lembramos são seguramente as comunicações com recurso a 3G e que terão iniciado já no início deste milénio.

Estes três exemplos servem apenas para nos situar na capacidade infinita de multiplicarmos a velocidade de desenvolvimento dos sistemas informáticos, à mesma velocidade que duplicamos os bytes (8, 16, 32, 64, 128, 256….), ou, (Byte, Kilo, Mega, Giga,Tera…).

A questão pode perfeitamente ser: Como será o mundo daqui a 10 anos? Quão dependentes estaremos dos sistemas de informação?

Eu, obviamente não sei, a bola de cristal partiu-se, mas pelo que tenho assistido, posso afirmar com elevado grau de certeza que, quer a nível pessoal quer profissional a nossa existência estará mais dependente das máquinas.

Deixo-vos alguns exemplos de evoluções que já conseguimos predizer a partir de uma simples extrapolação da realidade hoje.

 – As empresas necessitam cada vez menos de escritórios, estes são globais, podem ter os seus headquarters em qualquer país, uma boa parte dos seus profissionais desenvolve a sua atividade por sistemas remotos, comunicam e reúnem por videoconferência, a informação que recebem para a tomada de decisão é gerada pelo sistema com logaritmos complexos, capazes de aprender e comparar uma quantidade de dados de mercado inacessível a qualquer humano.

– As pessoas eventualmente só conduzirão se quiserem, os carros terão tanta tecnologia que será perfeitamente possível uma viagem com maiores níveis de segurança, sem tocar no volante, isto se existir um. Mesmo que não queiramos ser tão radicais podemos pelo menos acreditar que em situações de risco, como travagens bruscas o carro terá a capacidade de evitar o acidente, bloqueando ele próprio os pneus e corrigindo a velocidade de marcha.

Podemos ainda aceitar que não muito longe e em situações de carjacking a viatura terá leitores que lhe permitam saber se o condutor está ou não autorizado a conduzir e que em caso negativo alerta a políicia diretamente e bloqueia as portas.

– Podemos perfeitamente entrar em casa, acender as luzes, a televisão, colocar uma música a tocar e retirar do micro-ondas a refeição que entretanto já está aquecida sem tocar num único botão, ou pelo menos os que hoje conhecemos. A gestão integral dos consumos dos equipamentos que utilizamos em casa será feita por um sistema informático que os otimiza consoante os hábitos das pessoas,

Com relativamente poucos termos técnicos, conseguimos neste pequeno artigo falar de: Gaming, WWW, Telcos, IoT, Cloud, DataCenters, IA, entre outros. O desafio da próxima vez é aproximar esta realidade e necessidades desta industria ao mercado de trabalho.

Que competências, que profissionais, que formações necessitaremos nós de ter para sermos qualificados para a transformação digital e, para além das competências técnicas, que outras ‘técnicas’ comportamentais serão necessárias?