TI e Novos Consumidores estão a reconfigurar os Media

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A difusão inexorável das Tecnologias de Informação tem operado profundas reestruturações em todas as indústrias, em todos os setores de atividade económica. A transversalidade desta tendência não ignora o setor dos Media, transformando o paradigma tradicional da Comunicação Social, cada vez mais digital. No 24º Congresso das Comunicações discutiu-se o caráter reformador das TI nos

A difusão inexorável das Tecnologias de Informação tem operado profundas reestruturações em todas as indústrias, em todos os setores de atividade económica. A transversalidade desta tendência não ignora o setor dos Media, transformando o paradigma tradicional da Comunicação Social, cada vez mais digital. No 24º Congresso das Comunicações discutiu-se o caráter reformador das TI nos Media e de que forma as plataformas digitais podem potenciar o crescimento dos órgãos de Comunicação Social, criando novas oportunidades de negócio e expandido o seu alcance.

mediaO painel subordinado ao título “Estado da Nação dos Media” teve início com a intervenção de Pedro Lomba, Secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, que apontou que a proliferação das plataformas digitais, que fortalece exponencialmente propagação da informação, é o motor germinativo de um Novo Utilizador, mais informado, mais poderoso, mais ubíquo.

Lomba continuou a sua exposição avançando que, para que seja tirado o máximo proveito da avassaladora presença e crescimento das TI, é premente apostar na Literacia Digital, formando profissionais mais qualificados neste setor e fomentando ideias e projetos inovadores, visto que, segundo o próprio, teimam em fazer-se notar algumas resistências à modernização das infraestruturas em Portugal.

Quando Manuel Lopes da Costa, da PwC, tomou a palavra, revelou uma multiplicidade de dados relativos aos smartphones e aos seus impactos na população. O orador afirmou que os smartphones têm vindo a perder a sua tradicional função de aparelho de telecomunicações, para cada vez mais adotarem um papel de dispositivo de entretenimento, substituindo hoje já muitas câmaras fotográficas. “Não há nada mais pessoal do que aquilo que fazemos no nosso smartphone”, acrescentou.

Apoiando-se em conclusões do estudo anual PwC entertainment and media 2014, Manuel Lopes da Costa declarou que as TI e o universo Digital estão também a gerar novos comportamentos de consumo de conteúdos, numa altura em que emergem práticas como o Scond Screen e aplicações móveis que convertem o smartphone num comando da televisão. O conferencista asseverou que o smartphone senta-se (pelo menos por agora) no trono dos dispositivos móveis.

“A nossa porta de acesso aos conteúdos é cada vez mais móvel”, afirmou Pedro Norton, presidente-executivo do grupo Impresa. Paralelamente, acrescentou que o cada vez maior poder dos consumidores é alimentado pelo progresso tecnológico, e que, por essa mesma razão, está a redesenhar-se o setor dos Media.

O vice-presidente do Conselho Administrativo do Grupo Controlinveste, Rolando Oliveira, defende que as TI geram várias novas oportunidades de negócio, mas que são adicionalmente fomentadoras de atividades de violação de conteúdos com direitos de autor, colocando a Imprensa à mercê de pirataria digital. “A pirataria para a indústria dos conteúdos é um flagelo”, disse o membro do painel.

Referindo-se à mediatizada e amplamente discutida concentração do mercado europeu de telecomunicações, Rolando Oliveira declarou que o fator diferenciador assentará sobre a produção de conteúdos regionais.

Debruçando-se sobre as novas práticas de consumo de conteúdos televisivos, Alberto da Ponte, presidente do Conselho de Administração da RTP, assegurou que “a distribuição linear não vai acabar. Enquanto houver um sofá, haverá uma televisão como nós a conhecemos”.

Após ter reiterado que “o século XXI é o século o ‘Eu’”, referindo-se à enorme autonomia que o utilizador tem vindo a conquistar ao nível do acesso à informação, Alberto da Ponte alvitrou que é necessária a implementação de uma cultura associativa entre as operadoras televisivas, objetivando, assim, a dissolução de obstáculos comuns.


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