Técnicas “Scrum” permitem aumentar produtividade e reduzir falhas

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Ao longo de 2016, a Rumos dedicou uma parte significativa das suas ações de formação à temática de Scrum, uma metodologia ágil para gestão e planeamento de projetos de software. Chet Hendrickson, especialista nesta área e presente em Portugal para as formações, garantiu que as equipas de desenvolvimento que usam estas técnicas diariamente veem um aumento da produtividade na ordem dos 10 a 25% e uma redução de falhas em 90%.

 

 

Em que é que consiste o Scrum e como foi a experiência em Portugal?

Chet Hendrickson (CH) – O curso que desenvolvemos em novembro na Rumos correu muito bem. Esta foi a minha segunda experiência em Lisboa em poucos meses e não podia ter sido melhor.

Este curso de certificação é a forma que a Scrum Alliance tem para distinguir a importância das boas práticas das técnicas no desenvolvimento de software. O Certified Scrum Developer (CSD) delineia a nossa experiência em Extreme Programming (XP). Quando criámos o XP, tivemos como base as práticas que contribuíam diretamente para a entrega de software de elevada qualidade.

Em suma, com o CSD pretendemos ensinar aos developers estas competências de forma prática, que incluem: Acceptance Test-Driven Development; Design simples; Evolutionary Design through Refactoring; Test-Driven Development; e Integração contínua.

Aumento da produtividade e redução das falhas

Quais são os benefícios do CSD?

CH – As equipas que usam estas técnicas diariamente veem um aumento da produtividade na ordem dos 10 a 25% e uma redução de falhas em 90%. Mas, qual é o valor de uma falha? Dependendo da análise de dimensão de cada um, posso dizer por exemplo que na produção, é de pelo menos três vezes mais que o orçamento anual da equipa de desenvolvimento. O CSD tem um papel fundamental na prevenção destes custos.

Como tem evoluído?

CH – Procuramos continuamente pelas melhores ferramentas e plataformas para integrar no curso. Entregar um código sem falhas, é a cultura que precisamos de adotar para retirar o melhor partido das várias ferramentas que temos hoje em dia.

E a sua implementação, como tem evoluído?

CH – Quando criámos o CSD, a nossa expetativa era que os estudantes usassem este conhecimento para aumentar o seu valor no mercado de trabalho, e não nos enganámos. Contudo, vemos turmas inteiras a frequentar a nossa formação. Isto é algo que não esperávamos mas as pessoas estão a perceber as diferenças entre um indivíduo, um grupo e uma equipa. Ter um grupo a trabalhar para acabar com as falhas e criar um código seguro e uma equipa segura é o melhor resultado do curso.

Melhoria na qualidade dos produtos

Qual é o verdadeiro impacto da sua aplicação numa empresa?

CH – As empresas cujas equipas de desenvolvimento usam as práticas CSD estão a experienciar uma melhoria contínua na qualidade dos seus produtos e uma redução no custo total da propriedade. Em Lisboa, associámos o nosso curso de CSD ao de Product Owner e percebemos as mais-valias para os detentores do produto face ao que os developers fizeram e testaram. Entre os dois cursos com o Peter Stevens, o Hugo Lourenço e eu, aprendemos grandes lições e partilhámos as mesmas com todos os que frequentaram os dois cursos, porque consideramos que o ambiente que simulámos representa muito bem o que acontece na vida real.

Em que país é que está mais desenvolvido a aplicação do CSD?

CH – Os Estados Unidos lideram neste campo, o que não é uma surpresa uma vez que o Scrum e o XP nasceram neste país. A Europa também já está a adotar estas práticas e em Portugal estamos a dar os primeiros passos, o que é muito bom porque vai ajudar na mudança cultural das empresas para perceber os DevOps, tal como o Hugo Lourenço apresentou após o Scrumday Portugal.

Qual é a sua opinião sobre as ferramentas de Rapid Application Development?

CH – Tal como em todos os segmentos do software de desenvolvimento, é importante ter em conta as necessidades específicas de um determinado produto, antes de decidir a ferramenta, tal como perceber de que forma é que essas necessidades vão evoluir ao longo do seu ciclo de vida. Primeiro as pessoas/a cultura, em qual o processo precisamos de melhorar para continuarmos a trabalhar juntos, e por último, mas não menos importante, quais as ferramentas que nos vão ajudar hoje a pensar o amanhã.

Portugal dá os primeiros passos

Conhece o panorama nacional atual?

CH – Portugal tem muitos CSM, (Certified Scrum Master), CSPO (Certified Product Owner) e CSP (Certified Scrum Professional). O Hugo Lourenço e o Peter estão a desenvolver um projeto enorme para ter mais CSP’s em Portugal, de modo a ajudar as empresas neste período de transição.

Quais as previsões para o próximo ano no que respeita ao CSD em Portugal?

CH – Tivemos um grande início em Portugal este ano e esperamos que no próximo ano continue a crescer. Os portugueses têm uma ótima cultura, mas precisam de ter mais confiança no tema para perceber quem é que os poderá ajudar. Acredito que eu, enquanto CST (Certified Scrum Trainer), e também como a pessoa que criou esta certificação, ao estar presente em Portugal, com o Hugo, credibilizo esta iniciativa e damos a oportunidade a qualquer pessoa que pretenda partilhar ideias ou receber feedback real, a confiar e a procurar-nos.

Como é que vai ser o ScrumDay Portugal em 2017?

CH – Já começámos a planear a conferência do próximo ano. Pretendemos dar mais experiências aos participantes, assim como aumentar a linha de oradores. Neste momento já temos bons oradores para as equipas de alta performance, mudança cultural, DevOps, Scrum4HW, Agile Marketing, Dojos’s, entre outros tópicos que estamos a trabalhar com a Scrum Alliance, após o reconhecimento e reforço dado pelo CEO Many Gonzalez ao último Scrumday.


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