Solução da IBM e da Semtec potencia IoT

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A IBM e a Semtec lançaram uma nova solução que reforça a comunicação entre dispositivos e visa potenciar o crescimento da Internet das Coisas. A LoRaWAN permite também que as operadoras adquiram mais e melhores capacidades neste segmento. A Internet das Coisas, Internet of Things ou IoT, encerra em si um potencial inegável, nomeadamente ao

A IBM e a Semtec lançaram uma nova solução que reforça a comunicação entre dispositivos e visa potenciar o crescimento da Internet das Coisas. A LoRaWAN permite também que as operadoras adquiram mais e melhores capacidades neste segmento.

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A Internet das Coisas, Internet of Things ou IoT, encerra em si um potencial inegável, nomeadamente ao nível empresarial, porque as organizações podem, assim, recolher grandes volumes de dados provenientes de incontáveis fontes, que neste caso são dispositivos móveis. Sobre estes dados podem aplicar soluções de analítica que lhes oferecem informações úteis sobre os seus negócios e que sustentam estratégias de crescimento.

Apesar de todas estas capacidades, a IoT, segundo a IBM, tem tropeçado em várias dificuldades técnicas que anestesiam o seu crescimento. Neste sentido, uma união de forças entre a IBM e a Semtec resultou no lançamento da solução LoRaWAN (Long Range Wide Area Networks).

Diz a IBM que este produto, assente em redes WAN de consumo reduzido, ou LPWAN, permite interligar sensores que se encontrem a grandes distâncias uns dos outros, “requerendo o mínimo de infraestrutura”. Consta ainda que a tecnologia LoRaWAN está capacitada para ir para além do espectro das redes wireless.

As vantagens desta solução incluem uma maior segurança e mobilidade e uma diminuição dos custos para os fornecedores de serviços para a IoT.

Esta tendência tecnológica, que continuará a crescer este ano e nos que estiverem para vir, operará profundas alterações nos vários setores de atividade e, consequentemente, na nossa vivência quotidiana. “Seja porque permite um controlo maior sobre o tráfego nas nossas estradas, mais eficiência energética em edifícios ou a redução da criminalidade nas ruas da nossa cidade”, comentou Thorsten Kramp, Master Inventor na IBM Research, referindo-se à capacidade transformadora da IoT.

O executivo acredita que a LoRaWAN conseguirá motorizar o crescimento deste segmento tecnológico, aumentando o seu alcance, o seu ciclo de vida e a sua escalabilidade.

Com vista ao desenvolvimento contínuo e eficaz da IoT, a IBM e a Semtec, entre outras empresas, fundaram a LoRa Alliance, uma associação que visa padronizar e apoiar o desenvolvimento de tecnologias LoRaWAN. “A LoRa Alliance visa combinar hardware e software baseados nos standards LoRaWAN para operadores de telecomunicações e operadores de rede, permitindo-lhes fornecer serviços na área da Internet das Coisas para empresas e consumidores”, explicou a IBM.

Então, o que distingue esta tecnologia das já existentes? Os sensores que operem sobre LoRaWAN conseguem intercomunicar a distâncias superiores a cem quilómetros, em áreas onde o sinal não sofra obstruções, a 15 km em zonas rurais e a mais de dois quilómetros em urbes densamente populadas, “com taxas de dados desde 300 bits/s até 100 kbit/s”.

Em termos de autonomia e de longevidade, estes sensores consomem pouca energia, pelo que uma única bateria AA, segundo consta, pode alimentá-los durante cerca de uma década.

Outro fator de grande relevância é a segurança dos dados que viajam entre os sensores. A IBM garante que “o standard AES de 128bits impede que a comunicação seja adulterada ou alvo de espionagem”.

Perguntámos a Kramp de que forma podem as empresas aceder a esta solução. Sob que modelo seria disponibilizada a LoRaWAN?

O executivo respondeu que “depende se a empresa quer utilizar a tecnologia ou criar uma solução com esta tecnologia e oferecê-la como um serviço.

Por exemplo, a Senet, um operador M2M que trabalha como Network as a Service (NaaS), sediado em New Hampshire, nos Estados Unidos, está a levar a cabo a instalação de 20.000 sensores Semtech LoRa com software IBM com o objetivo de controlar os níveis de combustível dos tanques de petróleo e de propano que fornecem energia a residências e empresas da costa este e da costa oeste dos Estados Unidos. A cada hora os sensores recolhem os mais variados dados, incluindo informações sobre os níveis de combustível, o estado do medidor e o estado do sensor. Estes dados são transmitidos em tempo real e em segurança aos fornecedores de combustível que, em seguida, determinam quando é a altura de reabastecer. A Senet é uma empresa network as a service, pelo que estes sensores IoT são alugados. É um conceito muito vantajoso porque não precisam instalar cabos ou construir torres de emissão de sinal.

Qualquer operador de telecomunicações poderá aliar-se à LoRa Alliance e, ao fazê-lo, passa imediatamente a ter acesso a protocolos standard para redes WAN em IoT, e assim a oferecer serviços na área da Internet das coisas aos clientes. À semelhança dos serviços de telefone e de acesso à Internet que hoje os operadores de telecomunicações oferecem, em breve poderão disponibilizar serviços de Internet das coisas. A KPN, na Holanda, e a Fastnet, na África do Sul, já o estão a fazer.

Assim que os operadores de telecomunicações adotem esta tecnologia LoRa, as empresas e os consumidores poderão simplesmente contactá-las e contratar o serviço, não sendo diferente, por exemplo, de um pacote de voz e dados no telemóvel”.

Financeiramente falando, a IBM beneficiará desta solução através de um modelo de licenciamento de software. Ademais, poderá fornecer serviços de consultoria relativamente à implementação da solução. “Disponibilizamos também soluções de back-end cloud para reunir todos os dados e podemos oferecer as nossas capacidades de analítica para dar sentido ao Big Data à medida que os grandes volumes de dados são gerados”, explicou Thorsten Kramp.

Quando questionado sobre a eventual ameaça que a Cisco possa representar, visto que esta empresa tem já raízes fortes e profundas na esfera da IoT, o executivo da IBM afirmou que ambas as empresas estão a trabalhar para um mesmo fim, lado a lado. Disse Kramp que a Cisco é também um membro da LoRa Alliance, e para sustentar a colaboração entre a Cisco e a IBM, deu o exemplo da Senet, que recorre a software da IBM e a routers da Cisco.


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