Será a cloud o futuro das networks?

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A tendencial e imparável migração para a cloud tem criado uma multiplicidade de oportunidades de negócio para a criação ou melhoria de soluções que facilitem esta transição e que, simultaneamente, atuem como fomentadores do crescimento das empresas. A Extreme Networks vê nesta emergente propensão uma excelente oportunidade para expandir e solidificar as suas operações, e cimentar

A tendencial e imparável migração para a cloud tem criado uma multiplicidade de oportunidades de negócio para a criação ou melhoria de soluções que facilitem esta transição e que, simultaneamente, atuem como fomentadores do crescimento das empresas. A Extreme Networks vê nesta emergente propensão uma excelente oportunidade para expandir e solidificar as suas operações, e cimentar a sua posição como um dos mais fortes players na esfera das redes. Jeff White, o novo Chief Revenue Officer da Extreme falou com a B!T sobre a estratégia da empresa e sobre a nova reconfiguração do setor das redes.

Extreme networks jeff whiteB!T- Como o mais recente Chief Revenue Officer, qual é a sua estratégia para a Extreme Networks?

Jeff White– Em primeiro lugar, estamos fortemente focados em data center, em campus, no acesso wired e wireless. Na realidade a nossa estratégia visa criar uma proposta de valor única do nosso portfolio tecnológico, em torno da tecnologia de switching, mas, acima de tudo, em torno do software de analytics, que originará propostas de valor únicas, para os nossos clientes e para os nossos parceiros. Nós criámos um stack de tecnologia horizontal que é transversalmente aplicável às várias indústrias e fazemos parcerias com empresas para disponibilizar aplicações que sejam relevantes para determinado mercado. O setor da Saúde é um exemplo. A solução para esta área assentaria na solução empresarial de internet switching. Outros exemplos seriam o entretenimento e as instalações desportivas. Nós fornecemos software de análise de dados, permitindo mensurar o nível de experiência que os clientes estão a ter. E esta pode ser a fundação da criação de novos modelos de negócio. Por isso, quando estamos num jogo, num estádio de futebol, podemos ver as emissões em tempo-real, repetições. Enquanto estamos no estádio podemos filmar os nossos próprios videos, fazer o upload dos mesmos, operando fora da rede mobile, que certamente estará congestionada num estádio que leva cerca de cem mil pessoas. E neste caso permite que o proprietário da rede possa beneficiar de novas oportunidades para receitas, podendo cobrar pela utilização dos serviços, ou podendo, simplesmente, oferece-los como parte da compra do bilhete. Estamos a ver muito movimento neste espaço, mas o nosso foco incide, na realidade, sobre a melhoria da tecnologia no campus e no data center, das ligações wired e wireless, e, acima de tudo, do software de analytics e do stack de soluções que é aplicável nesse espaço.

B!T- Tendo uma experiência como a que você tem, mais de duas décadas na indústria de networking, como pensa que serão os próximos cinco anos para esta indústria?

JW– Eu penso que existirão muitas mudanças, e que já podemos ver muitas delas. Acredito que os players tradicionais e o mercado vão evoluir. Ouvimos já a HP a falar numa reestruturação, alienando o seu negócio de PCs e de impressoras. Acredito também que surgirão muitos novos players no mercado. Vemos a Google e a Amazon a lançarem ofertas cloud no mercado; vimos a IBM a vender a sua tecnologia de servidores à Lenovo. Por isso vão haver muitas mudanças a longo-prazo, muita consolidação, mais aquisições. No que diz respeito à tecnologia, muitas coisas interessantes estão a acontecer: a explosão de aparelhos; a Internet das Coisas, a conectar coisas que previamente não estavam conectadas, podendo controlá-las através de aplicações e de software. Vai observar-se a contínua evolução das redes por todos os países. Haverá muita inovação nos data centers, e tecnologias como Software Defined Networking, SDN. Existirá uma maior portabilidade, das próprias aplicações. Os utilizadores trazem [para as empresas] os seus próprios aparelhos, trazem as suas próprias aplicações, o que coloca uma grande pressão sobre os departamentos e sistemas de IT. Existe a necessidade de uma maior e mais eficaz gestão de risco. Podemos esperar muita mudança, e muitas oportunidades, e empresas como a Extreme podem reinventar-se, e é por isso que estamos muito entusiasmados. Foi por isso que me juntei à empresa. Pensar à frente. Essa é a chave. B

B!T- Como está a Extreme a “placar” este frenesim de Mobilidade? Tudo é mobile nos nossos dias. Como é que a Extreme está a aproveitar esta tendência?

JW– Bem, ainda precisamos de infraestruturas wired. Mas tem toda a razão. Todos preferem wireless, mas ainda se precisa da tecnologia que consiga agregar todas estas estas conexões, e que consiga fazer o switiching dessa tecnologia. Vemos muita inovação em torno do Wi-Fi. Os novos processadores que a Intel está a desenvolver vão tornar as aplicações mais rápidas e atender às exigências de uma maior largura de banda. Estamos mesmo focados no Wi-Fi e na experiência de utilização. O que queremos fazer, tanto para clientes como para operadores, é permitir saber exatamente qual o volume de tráfego ao longo da network. E ser capaz de ajustar esse mesmo tráfego às necessidades da empresa. Há um conjunto de políticas que podem ser definidas em torno disso. Queremos unificar as infraestruturas wired e wireless.

B!T- Como uma combinação das duas.

JW– Uma combinação das duas. E o que estamos a fazer é fundi-las numa só unidade para não termos de ir a um sistema para uma coisa e ao outro para outra.

B!T- Em que áreas é que a Extreme tem estado a investir? Quais têm sido as suas maiores apostas?

JW– Primeiro que tudo, fortalecer os nossos core businesses, que são o switching no campus e nos data centres. Nós adquirimos a Enterasys. No ano passado a aquisição ficou finalizada, e a integração das duas empresas fez-se com sucesso. Estivemos bastante empenhados em realizar essa integração devidamente. O meu principal papel é transformar as Vendas e o Marketing, para potenciar a posição da nova empresa no mercado. Estamos muito focados na nossa arquitetura SDN e a nossa perspetiva é muito diferente das que se vêem habitualmente no mercado, por parte da HP e da Cisco. Baseamo-nos num open standard, chamado OpenDayLigth, porque nós fundamentalmente acreditamos que os clientes querem escolhas, não querem estar presos a uma solução proprietária, e poder manuseá-la à vontade. Quando comprarmos um candeeiro não queremos pensar se o podemos ligar à corrente ou não. Os clientes querem ligar uma aplicação e serviços para criarem soluções e não necessariamente, ter de pensar sobre o assunto. Portanto o que estamos a fazer é a criar uma plataforma aberta, para integrar uma comunidade de interesses e criar essas mesmas soluções, para que as possamos usar da forma mais simples.

B!T- Como uma solução abrangente, que atende a uma variedade de necessidades.

JW– Sim. E é uma boa forma de pensar acerca disso. Porque estamos a olhar para isto como um conjunto de software que consegue moldar-se a qualquer hardware. E pensamos que é aí que estará o valor.


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