Saúde como setor convergente em debate no Congresso das Comunicações

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“Saúde: um setor convergente” foi um dos fóruns em discussão no 23º Congresso das Comunicações. Este painel contou com apresença dos oradores José Carlos Magalhães, Presidente da Comissão Executiva, HPP Saúde; José Martins Nunes, Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universidade de Coimbra; Salvador de Mello, Presidente do Conselho de Administração José de

“Saúde: um setor convergente” foi um dos fóruns em discussão no 23º Congresso das Comunicações. Este painel contou com apresença dos oradores José Carlos Magalhães, Presidente da Comissão Executiva, HPP Saúde; José Martins Nunes, Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universidade de Coimbra; Salvador de Mello, Presidente do Conselho de Administração José de Mello Saúde e Pedro Santana Lopes, Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

APDCPara além destes quatro oradores, foi convidada a Professora Associada de Economia da Saúde da Imperial College London, Marisa Miraldo que falou sobre os desafios no setor da saúde, mas também sobre medidas que são necessárias para melhorar a performance deste setor.

Marisa Miraldo frisou que existem muitos desafios a que a saúde tem de dar resposta. Com o aumento da esperança de vida, aumentam também as despesas neste setor, setor que também foi atingido com o novo orçamento de estado.

A professora começou por dizer que é necessário organizar o sistema de saúde e, por isso, há que criar novos mecanismos de regras. Esse mecanismo deve dar mais poder aos doentes e apostar na prevenção. É fundamental melhorar a coordenação entre os setores público e privado, para desta forma disponibilizar mais recursos aos doentes.

A oradora referiu ainda que é preciso criar mais instituições que vão de encontro às necessidades locais e promover a concorrência entre fornecedores. Antes de terminar a sua apresentação, Marisa Marildo abordou a importância de desenvolver modelos integrados de saúde, envolvendo cuidados primários e hospitalarese, ter equipas a trabalhar em conjunto.

Depois desta apresentação foi a vez de Salvador de Mello tomar a palavra.

No atual contexto de crise, o grupo José de Mello Saúde mostra bons resultados. O Presidente falou sobre os fatores que contribuiram para obter estes bons resultados.

Os seguros de saúde em Portugal têm crescido de forma significativa, o que fez com que houvesse a abertura a um novo mercado.

Este grupo tem tido uma estratégia de diferenciação. José de Mello realçou a evidência da qualidade clinica dizendo que “investimos muito para pôr o cliente no centro da nossa atenção, dando-lhe um excelente nível de serviço”. Outras das grandes apostas deste grupo foi na formação e na investigação clínica, “uma área em que o ensino, a formação e a prática clinica leva a bons resultados”, explica. “Temos vindo a crescer com o fruto desta estratégia e estamos a acrescentar todos os anos 20 por cento de clientes”.

Em relação à importância da componente digital no setor da saúde, José Mello afirma que as tecnologias digitais vão revolucionar a forma como se prestam cuidados de saúde. “Ainda estamos a arrancar para essa revolução digital. Vamos acelerar a nossa participação nesta época digital, porque esta é uma época de oportunidades. Vamos apostar na mobilidade para estarmos junto dos clientes onde quer que eles estejam”.

Para o futuro, o Presidente quis deixar uma mensagem de esperança e otimismo. “Temos ótimos médicos, excelentes infraestruturas e é possível que Portugal tenha uma presença na internacionalização da saúde”.

Finalizada a sua intervenção tomou a palavra José Martins Nunes, Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universidade de Coimbra que falou sobre o papel do Hospital Público.

O Presidente falou das dificuldades pelas quais o Serviço Nacional de Saúde passa. “O sistema tem que conseguir aumentar a sua sustentabilidade, abrindo-se à comunidade e ganhando eficiência”.

José Martins Nunes quis também frisar alguns desafios para a área da saúde. “O Serviço Nacional de Saúde não pode falhar neste momento às famílias, mas não é possível pedir um maior esforço”.

Os problemas financeiros do País são uma questão cíclica e o presidente fez questão de reforçar que a saúde em Portugal tem excecional qualidade, tanto no público como no privado. “Portugal é um país pequeno e não poderá internacionalizar muitas marcas na área da saúde, mas pode internacionalizar algumas”.

O orador seguinte, Pedro Santana Lopes, falou sobre o tipo de serviço que o setor social pode prestar à saúde. A Santa Casa da Misericórdia tem um departamento destinado ao setor da saúde que trabalha com aqueles que não são integrados nos setores publicos e privados. “Não só pessoas carenciadas, mas também pessoas que os hospitais públicos não podem continuar a ter nas suas camas e que tem de ir para casa”. São estas situações limites que as misericórdias têm de responder e a procura é muita, garante o provedor.

O programa da SCM saúde mais próxima é uma aposta desta instituição e Pedro Santana Lopes finalizou a sua intervenção com a apresentação dos resultados deste programa.

Por fim, José Carlos Magalhães, falou das condições para promover a saúde em Portugal e da capacidade de atrair clientes.

O Presidente disse que a crise pode ser encarada como uma oportunidade para entrar num novo mercado. Frisou ainda a importância que os sistemas informáticos têm para a saúde. “Este sistema tem de ser apoiado em sistema informáticos, em que se perceba o cliente desde o cuidado hospitalar até ao hospitalar domiciliário”.

Quanto à capacidade de atrair clientes, José Carlos Magalhães acredita que é possível, mas que ainda há muito a ser feito. “O produto é excelente, mas precisa de ser vendido. As pessoas que compram este produto têm de o conhecer melhor. A medicina portuguesa tem de se promover mais, promover mais congressos médicos e vender melhor os medicos portugueses que têm muita qualidade”.

Foi com esta intervenção que terminou o fórum sobre a Saúde como um setor convergente.


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