Retalhistas não investem o suficiente na segurança de dados

Segurança

A empresa Target decidiu despender cem milhões de dólares na implementação de um sistema de cartões inteligentes acionados por chip. De acordo com especialistas em segurança e provedores de serviços TI, esta medida é crucial para que os retalhistas se consigam proteger contra ataques cibernéticos. A premência em aumentar os gastos com a segurança surge

A empresa Target decidiu despender cem milhões de dólares na implementação de um sistema de cartões inteligentes acionados por chip. De acordo com especialistas em segurança e provedores de serviços TI, esta medida é crucial para que os retalhistas se consigam proteger contra ataques cibernéticos.

Target

A premência em aumentar os gastos com a segurança surge numa altura em que os comerciantes gastam milhões numa tentativa de resistir à retalhista online Amazon.com, e encaram outubro de 2015 como o novo prazo limite imposto pelas redes de pagamentos Visa e MasterCard para se iniciarem transações através novos cartões que armazenam a informação em chips de computador e não nas habituais bandas magnéticas.

A terceira maior rede retalhista norte-americana, Target, espera ter integrado o novo sistema de pagamentos no início de 2015, quase seis meses antes da data prevista.

O sistema é já usado em grande escala na Europa e na Ásia, e permite a leitura de cartões com microprocessadores minúsculos integrados, que tornam a tarefa dos criminosos cibernéticos bastante mais difícil.

Especialistas em segurança informática e Tecnologias de Informação defendem que as empresas retalhistas norte-americanos têm-se focado grandemente na sua expansão online em vez de concentrarem os seus esforços e orçamentos na proteção dos dados dos clientes.

Era estimado um crescimento anual de quatro por cento nos gastos em tecnologia entre 2012 e 2017, mas as lojas norte-americanas despendem somente perto de dois por cento do seu orçamento em medidas de segurança informática, com a grande maioria dos seus investimentos a serem dirigidos para áreas como o comércio eletrónico.

Ao contrário dos seus semelhantes noutras indústrias, a maior parte dos retalhistas insiste em apenas adquirir sistemas básicos de segurança, em vez de melhorá-los substancialmente para se salvaguardarem de ataques cada vez mais sofisticados.

Eddie Schwartz, vice-presidente da Verizon Enterprise Solutions, adverte os retalhistas para a necessidade da tomada de uma postura mais proativa relativamente à segurança dos seus próprios sistemas informáticos.

É da opinião de Dinesh Bajaj, vice-presidente de retalho e práticas logísticas na Americas for Infosys Ltd, que as empresas, nos próximos meses, vão investir mais na encriptação de dados de cartões de crédito ao mesmo que tempo que armazenam essa mesma informação em vários sistemas.

A IDC Retail Insights estima que os retalhistas norte-americanos despenderão em segurança 720,3 milhões de dólares em 2014, configurando, deste modo, um aumento de 5,7 por cento relativamente ao ano passado. O total dos gastos por retalhistas em tecnologia deverá atingir os 36,34 mil milhões de dólares.

Em resposta às massivas perdas de dados dos clientes pela Target e pela Neiman Marcus, que afetaram milhões de compradores, Edith Ramirez, presidente da Comissão Federal de Comércio, disse ontem que existe uma clara necessidade em investir mais na segurança dos sistemas informáticos para que não sejam cometidos erros básicos, facilmente evitados.


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