Problemas de rentabilidade da banca em debate no Congresso das Comunicações

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No fórum “Banca – para onde caminhamos?” o convidado escolhido para apresentar alguns dados em relação ao setor financeiro foi João Castello Branco, Sócio Diretor da Mckinsey. Neste estudo, o orador falou sobre a revolução digital e o futuro da banca. Os dados comprovam que o setor bancário ainda está no meio da tempestade (crise

No fórum “Banca – para onde caminhamos?” o convidado escolhido para apresentar alguns dados em relação ao setor financeiro foi João Castello Branco, Sócio Diretor da Mckinsey.

BancoNeste estudo, o orador falou sobre a revolução digital e o futuro da banca. Os dados comprovam que o setor bancário ainda está no meio da tempestade (crise económica-financeira) e que existem vários desafios a que este vai ser exposto, como é o exemplo da mudança tecnológica.

O estudo mostrou ainda que nos últimos cinco anos, a destruição de valor no setor foi superior aos ganhos acumulados nos 7 anos anteriores. A crise atual teve essencialmente reflexo no custo do risco, com receitas e custos estáveis desde 2007.

Durante a apresentação foi ainda falada do papel que a tecnologia deve ter neste setor. Estamos na era de revolução digital e há uma aceleração na adoção de novas tecnologias. A revolução digital está a transformar os hábitos de consumo, porque o consumidor quer respostas imediatas.

João Castello Branco falou ainda dos serviços financeiros inovadores que vão surgindo na banca, de forma a possibilitar uma nova forma de fazer banca.

Do painel de convidados, Fernando Faria de Oliveira da Associação Portuguesa de Bancos, foi o primeiro a tomar a palavra. O convidado explicou que a banca tem tido uma resposta notável ao conjunto de desafios a que tem sido exposta. “O processo de alavancagem da banca foi notável. O sistema tem sentido a crise economica e os bancos têm vindo a procurar medidas”.

Fernando Faria de Oliveira disse ainda que este setor está com prejuízo e que é difícil fazer previsões sobre quando a banca deixará de ter problemas de rentabilidade. “Espero que a partir de 2015 estes problemas deixem de existir”. Antes de terminar a sua intervenção, o Presidente disse que União Bancária é um projeto essencial para procurar separar o risco soberano do risco bancário, com alinhamento entre todos bancos.

O orador seguinte foi Ricardo Salgado, Presidente Executivo do BES. Este foi um dos bancos que teve prejuizo no ultimo trimestre. Ricardo Salgado fez questão de referir os ultimos resultados que apontam que Portugal já está a sair da recessão. “Acredito que a banca vai ter uma rendibilidade adequada no futuro. E isso poderá ser possível já em 2015, mas tudo dependerá da capacidade de recuperação da economia portuguesa. Temos um grande desafio pela frente que é baixar custos. E a SIBS poderá ter papel fundamental na externalização de áreas”.

O Presidente do BES disse ainda que é fundamental que a economia continue a crescer, pois existem fatores económicos que podem ser potenciados e que ainda não estão.

De seguida, foi a vez de Vítor Bento, CEO do Grupo SIBS tomar a palavra. Começou por dizer que o ajustamento tem sido feito com um enviesamento muito grande do lado da procura interna, que decresceu muito mais. “Temos sempre tendência para valorizar o que vem de fora e desvalorizar o que é nacional”, disse.

O CEO disse ainda que a banca terá o desafio de fazer investimentos e terão de os replicar todos. “O modelo da SIBS assenta numa plataforma cooperativa entre todos os bancos, em paralelo com uma plataforma competitiva nos serviços”.

Fernando Ulrich, Presidente da Comissão Executiva do BPI começou por falar dos bons resultados atingidos pelo seu banco.

O orador diz que para separar os os vencedores dos vencidos é preciso estar em permanente evolução em várias frentes. “No nosso caso, começámos desde 2008 a cortar custos com o fecho de balcões, despedimento de pessoas. Depois a utilização da Internet: somos os maiores na canalização de ordens de bolsa través da internet”, estes foram alguns dos exemplos dados pelo Presidente do BPI.

Em relação à união bancária, Fernando Ulrich diz que é essencial que esta exista. “As exigências regulatórias e a carga que nos caiu em cima é o exemplo perfeito da tempestade, mas sou favorável à união bancária”.

Fernando Ulrich diz não acreditar em reformas do Estado rápidas, que são tarefas para muitos anos. “Provavelmente, depois desta tempestade o setor bancário vai estar diferente, mas não devemos desvalorizar o que está feito”.


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