Opinião | Agora sim, com distância, analisamos o lado humano do Web Summit

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Seria quase uma imprudência não fazer pelo menos uma referência ao Web Summit, um dos maiores eventos tecnológicos do mundo e as opiniões comuns são da grande qualidade das diferentes intervenções e da riqueza de conteúdos. Confesso que em alguns momentos desejei ter a capacidade da ubiquidade.

Contudo gostaria de abordar este tema na vertente humana e não tanto na tecnologia per si. Também não tenho ideia de me debruçar sobre as mentes brilhantes que estiveram presentes e que gravitam neste setor, porque a ideia é escrever sobre o dia-a-dia do mercado, das suas reais necessidades, de quase pleno emprego no setor em algumas profissões, das dificuldades em recrutar e em reter.

Embora possa ter visto no Web Summit algumas empresas de recursos humanos que estão ligadas ao setor, acredito que mais pode ser feito,  não obstante, à imagem da existência de workshops técnicos e de espaços business, talvez se pudesse criar um espaço emprego para aproximar empresas e profissionais.  Uma das certezas com que saí do evento, após trocar impressões com muitos dos presentes, foi que grande parte estava com necessidade de recrutamento ativas.

O mercado nacional, cada vez mais apetecível para investimento estrangeiro no setor das TIs, juntamente com a crescente preocupação das empresas portuguesas em alavancarem o seu negócio com as ferramentas que os sistemas de informação proporcionam, têm contribuído para uma situação de quase pleno emprego em algumas profissões, nomeadamente às que ao desenvolvimento aplicacional dizem respeito.

Este cenário contribui para uma grande dificuldade das empresas em recrutar e as mais incautas em reter. É responsável ainda pelo aumento dos salários no setor. A normalização chegará no momento em que os vencimentos dos profissionais não poderão aumentar sob pena de afetar a rentabilidade dos projetos.

Existem medidas que urge serem tomadas para ajustar a oferta à procura: em primeiro lugar o ajuste dos cursos ligados a tecnologia, sendo necessário um aumento do número de saídas anuais. Em segundo anotaria o reconhecimento de alguns cursos tecnológicos que muitas vezes são utilizados ao abrigo do plano de reconversão profissional como uma mais-valia.