Oni ‘mostra as garras’ e entra no mercado de PME

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A Oni realizou hoje uma conferência de Imprensa na sua sede de Lisboa para dar a conhecer a sua primeira oferta para o mercado de PME. Alexandre Filipe da Fonseca, CEO da empresa, aproveitou a ocasião para fazer igualmente uma retrospetiva dos primeiros seis meses à frente da Oni (desde a altura em que foi

A Oni realizou hoje uma conferência de Imprensa na sua sede de Lisboa para dar a conhecer a sua primeira oferta para o mercado de PME. Alexandre Filipe da Fonseca, CEO da empresa, aproveitou a ocasião para fazer igualmente uma retrospetiva dos primeiros seis meses à frente da Oni (desde a altura em que foi adquirida pelo Grupo Altice) e para perspetivar o futuro da companhia. Entre revelações de que a Oni pondera apresentar queixas formais nas instâncias europeias contra a PT/MEO pelo incumprimento de decisões da Anacom até ao desmentido do rumor de que a Altice poderia vender a Oni à Vodafone, muitas foram as novidades em cima da mesa.

Alexandre Fonseca, administrador ONI

Começando pela análise aos primeiros seis meses de Alexandre Filipe da Fonseca como CEO da Oni, o executivo revelou que nos primeiros três meses da sua liderança conseguiu ‘arrumar-se a casa’. Ou seja, a dívida de 46 milhões de euros que a Oni possuía foi liquidada com a entrada do Grupo Altice na empresa, a estrutura de custos foi revista e, após a contabilização total de entradas e saídas a nível de recursos humanos, verificou-se uma redução de 10% do ‘head count’.

Assim, a Oni conseguiu apresentar uma melhoria dos indicadores referentes aos resultados. Apesar da previsão apontar para que a empresa mantenha o nível de receitas nesta ano fiscal – que ronda os 100 milhões de euros –, o CEO destaca que este resultado flat o deixa otimista devido às atuais circunstâncias nacionais, sendo que o objetivo é duplicar ou triplicar o EBITDA em 2014 – passando dos menos de 12 milhões de euros para um valor que pode variar entre os 25 e os 30 milhões este ano.

Além disso, apesar de ter reduzido o OPEX em 25% no último ano, a empresa pretende voltar a reduzir, no mínimo, mais 25% em 2014. A juntar a isso há também o objetivo de duplicar o CAPEX operacional. Tudo isto permitirá um maior investimento da Oni no mercado nacional numa altura em que, segundo Alexandre Filipe da Fonseca, a concorrência fará “um profundo desinvestimento” em Portugal.

No que diz respeito aos produtos que vão ajudar a suportar esta estratégia, a Oni vai agora entrar no mercado das PME. Para isso, acaba de lançar o PME Max, uma oferta de dados, voz e segurança nativos para empresas com 4 a 40 colaboradores, que a companhia classifica de “Low Cost, High Value” e que tem um custo que começa nos 86 euros mensais. Desta forma, a Oni quer ampliar o seu mercado-alvo para mais de 350 mil empresas, visando conquistar mais de 5 mil clientes logo no primeiro ano.

Outro exemplo da pretendida maior competitividade do portfolio de telecomunicações é a oferta de IP Centrex, que resulta de uma parceria com a start-up nacional IT Center e cuja tecnologia vai ser igualmente implementada pela Altice em França, Bélgica e Israel.

As questões regulatórias acabaram por ser um dos temas centrais desta conferência, já que a Oni revelou que está a estudar as alternativas disponíveis para ter acesso a oferta móvel, uma vez que revogou a licença WIMAX e que considera que não há propostas viáveis de MVNO por parte dos operadores. Alexandre Filipe da Fonseca foi mais longe e destacou que há questões que distorcem a concorrência: acesso a estações de cabos submarinos – com a Anacom a afirmar que a PT/MEO tinha de fornecer este acesso, sem que tal tenha sido cumprido, segundo o CEO da Oni; ofertas reguladas com custos e SLA desadequados; e ausência de oferta regulada de acesso à rede de fibra. Perante isto, a Oni está a ponderar avançar para uma queixa formal, já que manifestou as suas preocupações junto das autoridades locais e dos reguladores da Comissão Europeia sem ter conseguido obter efeitos práticos.

Para o futuro, a Oni quer manter-se numa rota “rumo ao crescimento”, já que o primeiro trimestre de 2014 foi o melhor dos últimos dois anos e meio, com, por exemplo, um crescimento de 50% do EBITDA mensal (para um valor de 1,5 milhões de euros), um aumento de 40% na força de vendas diretas (a que se junta a criação de um canal de parceiros para vendas indiretas) e a manutenção da Margem Bruta média. Além disso, a empresa quer crescer cerca de 20% no segmento enterprise e cerca de 9% na receita do mercado corporate.

De destacar também a criação da Oni Moçambique, que realizou um negócio com o Moza Banco no valor de 1,2 milhões de dólares. Quanto a planos futuros para a expansão da Oni a outras geografias, Alexandre Filipe da Fonseca é cauteloso: “O negócio internacional vai sempre depender de negócio fechado”. Porém, o executivo adianta que existem 10 oportunidades de negócio em fase de decisão e que, em breve, poderá entrar um player de telecomunicações de Moçambique na estrutura acionista da Oni Moçambique (juntando-se, assim, aos atuais dois parceiros – BPartner e Escopil).

Por fim, um tema incontornável foi o recente rumor de que a Altice poderia vender a Oni à Vodafone como forma de arranjar algum capital para financiar a compra da SFR. Alexandre Filipe da Fonseca reagiu com ironia e deixou uma metáfora no ar: “Isso é como vender uma caneta para comprar um apartamento”… O CEO confessou-se “tranquilo” e admite que todos os players do mercado nacional de telecomunicações são um potencial alvo para aquisições, mas deixou a sua convicção de que o Grupo Altice quer continuar no mercado português.


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