Negócio na Europa está a ser uma agradável surpresa

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De origem é uma empresa sul-africana. Mas, hoje, a sua pegada está em todos os continentes. E se a Ásia, a África e a América do Sul já se tinham “rendido” à Dimension Data, chegou a vez da Europa. Concluída com êxito a aquisição da NextiraOne, a empresa sul-africana tem agora no velho continente uma

De origem é uma empresa sul-africana. Mas, hoje, a sua pegada está em todos os continentes. E se a Ásia, a África e a América do Sul já se tinham “rendido” à Dimension Data, chegou a vez da Europa. Concluída com êxito a aquisição da NextiraOne, a empresa sul-africana tem agora no velho continente uma nova fonte de rendimento. E bem precisam. Brett Dawson, CEO Dimension Data, explicou à “B!T” que os acionistas querem que a empresa duplique o negócio. Ou seja, que os seis mil milhões faturados passem a 12 milhões até 2018.

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O ano passado concluíram a compra da NextiraOne, uma das maiores aquisições da Dimension Data dos últimos anos. Porquê a NextiraOne?

Quando começamos a analisar as nossas oportunidades de crescimento verificamos que para alcançarmos os níveis que queríamos teríamos de ser bastante mais agressivos na Europa e no Japão. Os últimos dez anos foram dedicados aos mercados emergentes, apostamos na Ásia, em África, na América do Sul… E conseguimos uma boa presença nestas geografias. Mas na próxima onda de crescimento o que os acionistas querem é que dupliquemos os números. E para isso temos de ter uma presença mais significativa na tal Europa, Estados Unidos e Japão. Se queremos ser uma empresa de 12 mil milhões de dólares temos mesmo de avançar mais forte.

É neste contexto que surge então a compra da NextiraOne, já que a sua presença é bastante acentuada na Europa?

Já conhecíamos a NextiraOne há muito tempo, já estávamos em conversações, mas nada de sério. Depois quando vimos o que tínhamos de conquistar, admitimos que queríamos estar mais expostos na parte oriental da Europa pois na ocidental estávamos razoavelmente bem. Ou seja, queríamos República Checa, Hungria, Polónia, Áustria… pensamos que a NextiraOne nos poderia ajudar nesta tarefa. E mesmo na Holanda, Bélgica, Luxemburgo, onde já tínhamos um negócio robusto, a NextiraOne poderia dar-nos ainda mais robustez, para além de que nos ajudaria na conquista do mid-market, que era outro objetivo. Depois, por último, a NextiraOne iria trazer-nos muitas competências na área da voz. Que nós já tínhamos, mas a oferta deles era mais robusta, forte e madura. Por isso, oferta de voz, mid-market, escalabilidade e Europa oriental foram os principais atrativos do negócio.

Está completa a aquisição? Na altura falava-se em duas fases.

Sim. A transação tinha duas fases com um corpo de recursos humanos com 1.850 colaboradores, na Áustria, Bélgica, República Checa, Alemanha, Hungria, Irlanda, Luxemburgo, Holanda, Polónia, Portugal, Eslováquia, Espanha e Reino Unido. As operações da NextiraOne em França e Itália estão sujeitas à concretização de determinadas condições de desempenho. Estamos nessa fase.

Voltemos à duplicação de resultados. De 6 para 12 mil milhões de dólares, certo? Que estratégia estão a seguir para alcançar esses valores? Vão continuar a crescer quer por via orgânica quer por via de aquisições?

Nos últimos dois anos temos crescido em termos de negócio 48%, numa combinação de orgânico e inorgânico. Para já, estamos a manter o ritmo que desejávamos. Mas temos de continuar assim. Temos de crescer a um ritmo de 10% a 15% ao ano, tem de ser um crescimento a duplo dígito. O mercado não está a crescer a este passo, pelo que teremos obrigatoriamente que expandir mais rápido do que o próprio mercado. Em termos geográficos não me parece que vamos abraçar mais regiões. As aquisições que forem feitas a partir de agora terão muito mais a ver com competências, ou para alargar o nosso portfólio. Torná-lo mais amplo.

Então hoje como classifica a Dimension Data. É uma empresa…

Somos uma empresa focada nos nossos clientes. Um provedor de serviços completos de Tecnologias de Informação. Todos dias pensamos sobretudo em duas coisas: primeiro, no cliente e em como o seu negócio está a mudar. E pensamos na tecnologia. O mundo caminha para a cloud e temos de garantir que os nossos clientes estão preparados para o fazer. Durante muito tempo o modelo tem sido o de CAPEX, com o cliente a comprar toda a tecnologia e nós a ajudarmos na consultoria e na instalação. Depois tínhamos acordos de manutenção e suporte. E foi assim durante muitas décadas. Mas agora cada vez mais os clientes querem consumir a tecnologia como um serviço. Quer nas suas instalações quer na cloud, à medida… e isso muda tudo.

O mundo está preparado para o que a indústria tem para oferecer?

A indústria sempre esteve à frente das necessidades das empresas. Começamos agora a ver as empresas a avançarem com mais segurança para a cloud. Mesmo em termos de aplicações críticas para o negócio. Admito que agora estão realmente a caminhar para lá.

Híbrida?

Sim, um misto de privada, “hosted” e partilhada.

Vamos continuar a falar de cloud pelo menos na próxima década?

Vamos. Acreditamos nela, investimos nela de forma agressiva e continuamos a investir. Ainda há muito para acontecer. Temos visto muito sucesso na sua adoção em termos particulares e acredito que vamos ter esse sucesso nas empresas, apesar de ser mais complicado devido às questões relacionadas com a segurança, privacidade dos dados… Vai ser um desafio.

E que mais desafios esperam?

Os nossos clientes ainda estão muito focados no custo, sobretudo em geografias como a Europa. É um constrangimento e ainda há muita necessidade de provar a redução dos custos.

A redução dos custos é o que vos faz ganhar os contratos?

Sim, é uma das formas. E se a isso juntarmos a escalabilidade e a capacidade de acrescentar serviços ou de reduzir consoante as necessidades… Esta agilidade – hoje em dia tão necessária face às aquisições e fusões recorrentes – é determinante.

Agilidade e redução de custos, então.

E temos outra coisa. Se a tecnologia que tivermos, nomeadamente em termos de cloud computing, lhes permitir serem mais competitivos face aos seus concorrentes mais diretos é igualmente decisivo.

Em termos de negócio puro, qual a geografia que neste momento é mais interessante?

Estamos com crescimentos muito interessantes na Ásia e nos Estados Unidos. Isto em termos absolutos. Mas em termos relativos, deixe-me dizer-lhe que a Europa está a ser uma surpresa. Estamos a crescer a dois dígitos em termos orgânicos.

As empresas europeias já retomaram os investimentos em TI ou continuamos a assistir a algum adiamento da decisão?

Apesar de tudo, ainda vemos algum adiamento na decisão…


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