Microsoft Surface desafia Apple em terreno empresarial

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Confessem: mesmo os “não defensores até à morte” da Apple reconheciam que, quando falamos na indústria criativa, a marca da maçã era a mais apropriada. A que mais sentido fazia. “Sempre” foi assim. Pois, mas convém colocar tudo isto num qualquer tempo verbal do passado. Porque a Microsoft, com as vendas do Surface a aumentarem a olhos vistos, tem agora uma palavra a dizer.

E se, durante décadas, o departamento gráfico e criativo apostava nos Macintosh enquanto o resto da empresa era baseado em PC-Windows, isto pode vir a mudar.

Aliás, em rigor, já vimos alguns traços desta “rebeldia”. E agora, com o lançamento de novos produtos, como o Microsoft Surface Pro 4, o all-in-one desktop Surface Studio e o laptop Surface Book i7, o cenário pode mesmo vir a alterar-se. Com estes produtos, a Microsoft parece estar a espetar uma seta bem no coração do negócio “criativo” da Apple.

Surface vs Mac

Bem, mas isso ainda não é para já. Porque a verdade é que as vendas da linha Surface ainda não são suficientes para ameaçar as vendas dos Macintosh e dos iPad. Mas não deixa de ser notável o facto das vendas do Surface terem aumentado em 38% no último trimestre, como reportou a Microsoft, a 20 de outubro. Comparadas com as vendas do iPad, que estão a cair, podemos verificar  uma tendência algo preocupante para os lados da Apple.

E talvez o mais preocupante para a Apple é que estas vendas do Surface foram obviamente para o tablet, e não para os novos dispositivos que foram anunciados apenas na semana passada.

Os novos dispositivos Surface podem constituir um enorme desafio à Apple quer pela inovação que apresentam quer pelo marketing da Microsoft. No caso de não não terem reparado, o Surface da Microsoft está a ser fortemente anunciado como uma plataforma criativa com o foco em artistas e arquitetos a darem rasgados elogios ao produto.

Os novos modelos incluem o Surface Studio, um computador de mesa multifuncional de 28 polegadas que pode incluir um periférico opcional, o Surface Dial, que adiciona funcionalidade aos menus e outras ações quando colocado no ecrã do Studio.

Segundo os especialistas que já testam e esmiuçam o produto, o Surface já vem com uma excelente caneta, mais fácil de usar e mais capaz do que o Apple Pencil, que funciona com o iPad Pro, mas tem de ser comprado à parte.

Novos produtos

Enquanto a Apple acaba de anunciar os novos MacBook Pros, na verdade estes computadores portáteis são basicamente uma melhoria incremental e não de algo revolucionário. É verdade que têm um touch-pad no lugar das teclas de função, mas a Apple até agora tem resistido a acrescentar algo tão básico como um touch-screen nos seus laptops.

Mas não tenhamos dúvidas: a base instalada dos Surface nas empresas está longe de ser tão grande quanto a da Apple. Por outro lado, a base instalada do Windows tem uma ordem de grandeza muito maior.

Do ponto de vista empresarial, ser capaz de escolher um computador para a sua equipa criativa que está a executar o mesmo sistema operativo que a restante companhia pode ser um forte incentivo para escolher a Microsoft.

A ver vamos, os próximos meses deverão ser interessantes.

Microsoft Surface Studio

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