Microsoft quer ajudar a trazer mais mulheres para as TI

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A Microsoft Portugal realizou hoje, em Lisboa, o evento Do It Girls que teve como objectivo demonstrar que o setor das Tecnologias de Informação não é só para homens e pretendeu chamar a atenção para a diferença de género nas carreiras que o Fórum Económico Mundial estima que só vai acabar em 2133.

A iniciativa da Microsoft aconteceu no dia internacional das jovens mulheres nas TIC (International Girls in ICT Day) que se comemora desde 2011 e foi dirigida a estudantes universitárias nas áreas de tecnologia, gestão e economia. A abertura do evento contou com a participação de Vânia Neto, diretora para a área da Educação, Cidadania e Responsabilidade Social na Microsoft Portugal, Albertina Jordão, Gestora de Programas UNRIC/OIT Lisboa e de Catarina Marcelino, Secretária de Estado da Cidadania e Igualdade.

A gestora de Programas da UNRIC/OIT falou da agenda para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas para os próximos 15 anos e realçou o objetivo 5, alcançar a igualdade de género e o 8º que corresponde à promoção do crescimento económico sustentado e trabalho decente para todos.

Por sua vez, Catarina Marcelino, referiu que Portugal ainda tem um longo caminho a percorrer no que diz respeito à igualdade de géneros e mencionou que não há mulheres a liderar qualquer empresa do PSI 20. A Secretária de Estado mencionou também o relatório de 2016 da União Europeia que indica que apenas existem 22,7 % de mulheres nos conselhos de administração das empresas, sendo que esse número baixa para 13,5% no nosso país. Salientou ainda que 54% dos alunos das universidades portuguesas são mulheres mas que só 18% estão na área de TIC. Este fato levanta um problema, a existência de poucas profissionais qualificadas neste setor que consigam suprir as necessidades que o mercado vai ter no futuro. A representante do Governo deixou uma mensagem forte às participantes: ”Este é o vosso momento e não devem deixar nunca que preconceitos limitem as vossas escolhas”.

As universitárias presentes puderam ainda ouvir a cofundadora e CEO da Chic By Choice, Filipa Neto, a falar do percurso da start-up que nasceu em 2014 e é já um caso de sucesso na Europa e de como é gerir uma empresa tecnológica sem ter um background de TI.  Várias profissionais com carreiras de sucesso na área das tecnologias partilharam, igualmente, as suas experiências numa mesa redonda. Foi o caso de Paula Panarra, Diretora de Marketing e Operações na Microsoft Portugal; Filipa Larangeira, Diretora de Recursos Humanos na Uniplaces; Ana Teresa Freitas, Professora do Instituto Superior Técnico e Diretora Geral na Heartgenetics e Sofia Tenreiro, Diretora Geral na Cisco. Manuel Beja, director de Pessoas e Organização da Novabase também deu a sua opinião e falou do seu conhecimento na área de recrutamento.

No Do IT Girls!,  as estudantes tiveram ainda a oportunidade de aprender a gerir a sua carreira em workshops e sessões de speed dating com mentores da Microsoft Portugal e tiveram a ocasião de se darem a conhecer para um possível recrutamento para a multinacional.

Para a Microsoft Portugal e outras empresas do setor, o desafio é mostrar como as funções técnicas e também as funções ligadas à gestão, recursos humanos ou financeiras nas empresas de TI podem ser apelativas e sem género.

De acordo com o Eurostat, em 2014 o número de profissionais no setor das tecnologias de informação e comunicação em Portugal ascendeu aos 111.300, número que em 2011 se limitava aos 66 mil. Contudo e apesar deste crescimento, as mulheres continuam a resistir a este setor, já que 86,4% dos trabalhadores nesta área são homens. No universo dos 28 Estados-membro da União Europeia, Portugal assume a quarta posição no que diz respeito ao país que menos mulheres emprega nesta área.

Para Vânia Neto, diretora para a área da Educação, Cidadania e Responsabilidade Social na Microsoft Portugal, “numa época em que a procura por profissionais qualificados nesta área tem aumentado, o número reduzido de mulheres a optar pelo setor tecnológico tem limitado a existência de profissionais qualificados nesta área. Neste sentido, a Microsoft tem reforçado o seu compromisso para com a diversidade e a inclusão ao desenvolver um conjunto de iniciativas que visam despertar o interesse das jovens estudantes pela tecnologia”.

Foi unânime para os participantes presentes que este tipo de ação é de extrema importância para a consciencialização das jovens portuguesas, tendo Ana Teresa Freitas, Professora do Instituto Superior Técnico e Diretora Geral na Heartgenetics, inclusive afirmado que se deve incentivar os alunos mais cedo quando estão no 9º e 10º de escolaridade e mostrar às raparigas como as engenharias e as tecnologias são apelativas e podem ser aplicadas nas mais diversas áreas.