Microsoft Portugal destaca-se no negócio cloud

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A Microsoft Portugal não se pode queixar de 2014. João Couto, diretor-geral da casa portuguesa, avançou à “B!T” que a sucursal portuguesa cresceu a dois dígitos, em todos os segmentos e áreas estratégicas. Destas, o destaque vai para a área de cloud, tendo a Microsoft Portugal sido a subsidiária que registou melhor desempenho no último

A Microsoft Portugal não se pode queixar de 2014. João Couto, diretor-geral da casa portuguesa, avançou à “B!T” que a sucursal portuguesa cresceu a dois dígitos, em todos os segmentos e áreas estratégicas. Destas, o destaque vai para a área de cloud, tendo a Microsoft Portugal sido a subsidiária que registou melhor desempenho no último ano fiscal. Para 2015, e admitindo ser complicado prever, na área de parceiros o executivo haver espaço para crescer, tanto no número, como no perfil de empresas que cativam, como sobretudo no potencial de conversão dos parceiros que a empresa tem para as áreas onde o crescimento está mais visível. “Vencer resistências é um objetivo que queremos ultrapassar”.

Ceo Microsoft Portugal
João Couto, diretor-geral da Microsoft Portugal

Que facto, ou factos, considera terem sido mais relevantes em 2014?

2014 foi um bom ano para a Microsoft Portugal, em que continuámos a crescer a dois dígitos e em todos os segmentos e áreas estratégicas. Destas, o destaque vai para a área de cloud, tendo a Microsoft Portugal sido a subsidiária que registou melhor desempenho no último ano fiscal (que terminou a 30 de junho, mas os resultados deste último semestre seguem a mesma tendência positiva). 2014 foi também o ano em que apostámos forte na mobilidade, com excelentes propostas de valor tanto para o consumo como para o mercado empresarial e, mais uma vez, a subsidiária portuguesa pontuou muito bem.  Este ano fizemos três grandes lançamentos, todos eles marcantes: o Surface Pro 3, um tablet super potente que posicionamos como substituto do computador portátil; na área de entretenimento introduzimos a Xbox One, uma consola de última geração que na verdade é um centro de entretenimento, pois reúne jogos, TV em direto, Skype, fitness, música e muito mais; e pré anunciámos o Windows 10, ainda em desenvolvimento, que foi desenhado para uniformizar a experiência de computação Windows entre dispositivos e levá-la a grandes ecrãs ou até mesmo a nenhum ecrã.

Como classificam o ano de 2014?

Foi um ano de crescimento e em contraciclo com o resto do mercado. Por um lado, vimos o nosso negócio crescer a dois dígitos e em áreas estratégicas; por outro, continuámos a expansão do nosso número de efetivos. Isto porque no final de 2013 conquistámos para Portugal o centro de suporte ao Office 365 para clientes empresarias. Esta é uma das áreas de futuro da Microsoft, por isso é expectável que continue a crescer – e a verdade é que já passou por duas fases de alargamento em 2014. Neste momento, o Customer Service and Support conta com 150 pessoas e deverá crescer para 200 até meados de 2015.

De alguma forma foi pior, em termos de negócio, do que tinham previsto?

Foi mais desafiante, porque as empresas continuaram muito cautelosas em todos os seus investimentos, incluindo a área de tecnologias. A nossa ambição é ajudar as empresas portuguesas a liderar na Cloud, e conseguimos que muitas percebessem a importância e os benefícios que esta forma de gerir a sua tecnologia lhes traz; são investimentos que geram poupanças estruturais e preparam as empresas com melhores instrumentos para a economia digital. No consumo, o cenário era o mesmo, mas a nossa proposta de valor (com o Surface e os Microsoft Lumia, a primeira geração de telefones sem a marca Nokia) provou ser decisiva. Daí os resultados que obtivemos e que já referi em cima.

De entre as vossas soluções e serviços, quais as que tiveram uma maior aceitação e que mais contribuíram para o volume de negócios?

Todas as gerações do tablet Surface tiveram uma excelente aceitação no mercado e o Surface Pro 3, o mais recente, tem sido um sucesso pela inovação que apresenta, ao poder ser utilizado como um PC e como um tablet, combinando trabalho e lazer e apresentando-se como uma alternativa muito completa aos produtos existentes no mercado. A boa estratégia de execução no retalho, aliada a uma ponderada campanha de comunicação contribuíram decisivamente para que Portugal seja um caso de estudo no bom desempenho do Surface. Na área de Phone, também temos vindo a crescer em quota de mercado e a nossa ambição é chegar aos 15% no final deste ano, com o lançamento contínuo de uma série de modelos Microsoft Lumia, os primeiros após a aquisição da unidade de dispositivos móveis da Nokia, com um preço cada vez mais reduzido. Este facto provou ser decisivo para a entrada em outros segmentos de mercado que nos trazem maior número de clientes. A Xbox One foi muito bem recebida, tendo esgotado o stock atribuído a Portugal na primeira semana de comercialização. Era uma consola muito aguardada pelos fãs da marca, uma vez que demorou 10 meses a chegar a Portugal face ao lançamento inicial nos EUA.

Por fim, houve um investimento crescente em toda a área de Cloud (que assim deverá seguir), com as empresas a procurarem uma constante redução dos custos e o necessário aumento da competitividade na operação – tudo vantagens que podem conseguir com o movimento para a Cloud. Apesar do longo caminho a percorrer para que se torne a forma de operação stardard, o certo é que começámos em 2014 a ver sinais mais do que evidentes que as empresas começam a despertar para este tema.

De alguma forma foi diferente de 2013?

Foi um ano em que sentimos tanto as empresas como as famílias com uma maior folga orçamental mas, ainda assim, com marcadas limitações ao investimento. O que nos obrigou a ser mais exigentes connosco e mais criativos na forma como abordamos o mercado. Só isso permitiu que pudéssemos ter um bom ano. Alcançámos os objetivos, mas, não há que esconder, com mais esforço.

Que objetivos ficaram por cumprir?

Fica sempre por cumprir a ambição de termos crescido mais e feito melhor. A excelência operacional é algo que nos move constantemente e acreditamos que ainda temos espaço para melhorar. Na área de parceiros também temos espaço para crescer, tanto no número de parceiros que trabalham connosco, como no perfil de empresas que cativamos, como sobretudo no potencial de conversão dos parceiros que temos para as áreas onde o crescimento está mais visível. Vencer resistências é um objetivo que queremos ultrapassar.

Como preveem que vá decorrer o ano de 2015?

2015 será seguramente um ano mais positivo que 2014, embora com um crescimento ainda moderado, tal como apontam um conjunto de indicadores. Verificámos um movimento rumo à internacionalização de muitas empresas nossas clientes, que encontraram nessa estratégia a forma de compensar a perda de receita interna – há empresas de setores tradicionais a darem esse primeiro passo, e as que já o tinham feito estão a aumentar a sua componente internacional. Mas os resultados ainda não são suficientemente consolidados ao nível macroeconómico para assumirmos que estamos perante uma tendência marcada. O nosso objetivo é, por isso, apoiar cada vez mais empresas no caminho da internacionalização e levá-las a fazer o movimento para a cloud; por isso acreditamos que essa continuará a ser a área de maior crescimento.

Na área de consumo, continuamos a acreditar na força das nossas marcas, que serão reforçadas com a chegada ao mercado do Windows 10, que permite a integração de todos os dispositivos, além de trazer um conjunto fortíssimo de inovações que vão seguramente marcar um novo capítulo na forma como as pessoas tiram partido da tecnologia ao seu dispor. Além disso, há toda uma categoria dos novos negócios portugueses na área de serviços a surgir numa perspetiva global, como é o caso da área de videojogos, onde começamos a ter uma indústria significativa que dá cartas a nível internacional.

Quais os maiores desafios que este ano deverá apresentar?

Bom, é difícil vivermos um ano com o grau de surpresas e imprevisibilidade como foi 2014! E colocando de lado os acontecimentos do foro mais político ou mais judicial, os tumultos verificados em setores estratégicos como as telecomunicações ou a banca, naturalmente que têm os seus impactos no ecossistema à volta, tanto ao nível dos clientes, como dos parceiros ou dos fornecedores. A título de exemplo, o mercado das telecomunicações em Portugal sempre foi bastante dinâmico, mas está a viver um momento de profunda transformação. É preocupante ver que o setor reduziu nos últimos cinco anos 2.000 milhões de euros em termos de valor de mercado (valia mais ou menos 6.000 milhões de euros). E isso tem impacto na capacidade das empresas continuarem os seus ciclos de investimento e de inovação. Por um lado a concorrência é boa, por outro lado, há uma limitação nos investimentos que as empresas estão a fazer no setor. Isso começa a tornar-se visível porque Portugal, que há cinco ou seis anos era claramente líder a nível europeu, hoje conta já com muitos países que comparam com aquilo que o setor português fez a nível do móvel e do fixo. Há o risco de deixarmos de ser líderes a nível europeu


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