Malásia quer censurar informações online sobre alegadas infrações do primeiro-ministro

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A Malásia vai pedir ao Facebook, ao Google e ao Twitter para eliminarem conteúdos que envolvam a alegada participação do primeiro-ministro Najib Razak em atividades corruptas. O governo malaio afirma que pretende por cobro à torrente de informações falsas que têm sido veiculadas na Internet, e que esta medida tem por objetivo a manutenção da ordem pública.

Esta segunda-feira, o ministro das comunicações da Malásia, Salleh Said Keruak, publicou, no seu blogue, uma mensagem que deixava claras as intenções do governo: aplacar os (supostos) rumores que têm colocado o primeiro-ministro sob os focos da ribalta. Segundo consta, Razak terá transferido cerca de 700 milhões de dólares de um fundo estatal para a sua conta pessoal. O governante disse que não foi cometida qualquer ilegalidade e a agência responsável pela investigação antifraude afirmou que o montante em causa tratava-se de um pagamento legítimo e que não advinha de fundos do Estado.

Razak, de acordo com informações avançadas pela Reuters, despediu vários ministros em julho, incluindo o seu ministro-adjunto, depois de o terem questionado publicamente acerca das irregularidades. O governo monárquico, dizem os defensores do regime democrático, está a tentar abafar o descontentamento social, recorrendo às grandes ferramentas de difusão da liberdade de informação – as redes sociais e motores de busca – para “calar” as vozes da discórdia.

Adotando uma postura que em muito se assemelha à do governo chinês, a Malásia apela agora ao Facebook, ao Google e ao Twitter para eliminarem dos seus índices e páginas informações que tentem danificar a imagem do primeiro-ministro malaio. Resta saber se as tecnológicas vão ceder a um pedido que é uma clara afronta à liberdade de expressão dos cidadãos da Malásia.

O ministro das comunicações afirmou ainda, na sua página, que o mundo online é um espaço regrado e que permite que medidas sejam tomadas quando essas normas são infringidas.


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