Jaime Quesado defende “Estado Inteligente” em evento da Quidgest

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Em tempos de crise, somos confrontados com a necessidade de rentabilizar os recursos e ter uma aposta no futuro. E o Estado tem um papel central nesta agenda. Um papel de boas-práticas, de exemplo e, sobretudo, um papel de mobilização. Foi esta a grande mensagem que Jaime Quesado quis deixar na 6.ª edição do Q-Day

Em tempos de crise, somos confrontados com a necessidade de rentabilizar os recursos e ter uma aposta no futuro. E o Estado tem um papel central nesta agenda. Um papel de boas-práticas, de exemplo e, sobretudo, um papel de mobilização. Foi esta a grande mensagem que Jaime Quesado quis deixar na 6.ª edição do Q-Day Conference que está a decorrer durante o dia de hoje na Culturgest, em Lisboa.

Jaime Quesado

Quesado desenvolveu o conceito de “Estado Inteligente” – que já existe há algum tempo e que agora está a ser “revisitado” –, um conceito que pretende precisamente transmitir essa necessidade que temos de reforçar a relação de confiança entre o Estado e os cidadãos. “Para isto é absolutamente fundamental que o Estado se dote de uma estratégia muito clara daquilo que são os seus recursos, na forma como eles são organizados e na forma como estão à disposição dos cidadãos”, disse o atual presidente da Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública (ESPAP) à “B!T”.

E aqui, em todo este contexto, obviamente que as TIC têm um papel de relevo. “Qualquer sistema empresarial, qualquer sistema de uma organização, depende obviamente muito das tecnologias de informação e comunicação”. Quesado explicou que, no Estado, nos últimos 15 anos – “e eu acompanhei muito esse processo” – do lado do financiamento investiram-se largos milhões de euros em termos de software, hardware e tudo o que tem a ver com plataformas tecnológicas. Agora, adiantou, “estamos num tempo onde é preciso fazer a interoperabilidade entre os sistemas em que se apostou, criar novas formas de organização e articulação entre as estruturas e as organizações e, sobretudo, criar uma cultura de eficiência”. Uma cultura que tem de ser baseada “em indicadores muito claros, muito objetivos, que possam ser parametrizados e que constituam um referencial de responsabilidade para quem os executa e, sobretudo, um compromisso para quem os define e tem a incumbência de os levar a efeito”.

Aliás, o presidente defende que a utilização das tecnologias é, cada vez mais, um exercício, ele próprio, inteligente. “É fundamental que as empresas, o Estado e outro tipo de organizações, até ligadas à área não-governamental e social, façam das tecnologias um instrumento catalisador para o que são as suas ambições”. Depois, continuou Jaime Quesado, “dos investimentos dos últimos 20 anos, mais em termos de hardware e capacitação, temos de começar a apostar nos sistemas”.

Ao nível do Estado o economista assume haver desafios muito interessantes, nomeadamente conceitos como cloud e tudo o que lhe está associado. “Nas cidades, as autarquias são um palco de inovação permanente através, por exemplo, das ‘smart cities’ com os desafios da mobilidade. Aliás, desafios não faltam. É preciso é haver uma capacidade de os integrar e de lhes dar algum conteúdo estratégico”.

“Estamos numa fase de mudança. Passamos em Portugal um período muito crítico, com a presença da Troika. Mas hoje, temos instrumentos nacionais e europeus disponíveis para precisamente fomentar e capacitar esse ciclo. Precisamos é que a sociedade como um todo, o Estado e as empresas em particular se organizem numa nova agenda voltada para essa inovação e competitividade. Acho que é possível fazer isso”.

“Reindustrialização e crescimento económico”, “Gestão Pública no Pós-Troika” e “Tecnologia, Emprego e Qualificação” são os grandes temas em destaque neste Q-Day que a “B!T” irá explorar nos próximos dias.


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