Infor quer que metade da sua receita “caia” da nuvem

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A Infor quer que metade da sua receita de licenças seja proveniente de instalações na nuvem. E já em 2016, disse em Paris Stephan Scholl, presidente desta companhia norte-americana. O que, pelo menos para quem acompanha a atuação desta empresa no mercado, não é nenhuma novidade. O ano passado, o CEO Charles Phillips já havia deixado uma mensagem nada subliminar: querem ser a maior companhia de software de cloud do mundo. 

Há alguns anos que acompanhamos a estratégia internacional da Infor, nomeadamente participando no seu evento europeu anual. E o discurso sempre foi acutilante. Já entrevistamos praticamente todos os executivos de topo. Desde o CEO Charles Phillips aos presidentes Duncan Angove e Stephan Scholl. O discurso é alinhado e, mais do que tudo, parece-nos sentido. Primeiro, diziam querer estar entre as maiores software-houses do mundo. E claramente serem uma alternativa à SAP e Oracle. “Isto não pode ser apenas azul ou vermelho”, dizia-nos em 2012 Duncan Angove. O ano passado, e já em plena era da nuvem, a empresa subia a “parada” e dizia querer ser a maior empresa de cloud do mundo.

Para 2016, o desejo expressa-se em forma de percentagem. E Stephan Scholl diz estar confiante que a tal da nuvem iria representar 51% da receita de licenças. Scholl sabe o que está a falar. Esta percentagem advém de negócios já assinados mas ainda não anunciados publicamente.

Só ponto de comparação, a rival Oracle afirmou, em junho passado, que o seus cloud SaaS e e a plataforma como serviço (PaaS) chegou a 426 milhões de dólares no quarto trimestre, cerca de 5% dos 8,4 mil milhões de dólares de vendas de receitas em nuvem e software juntos.

Nigel Montgomery, diretor de pesquisa do Gartner disse no encontro realizado em novembro último, em Paris, que os líderes de negócios têm agora mais confiança em em mover as suas aplicações corporativas de hardware in-house para a nuvem.

“A história deverá seguir esse rumo. Quando as pessoas avançam para a nuvem, a decisão é muitas vezes precedida por uma mudança de CIO. E isso é por uma razão: eles estão a tentar mudar as coisas ” disse o analista.

No arranque do evento, o presidente Stephan Scholl assegurava que a aposta na cloud havia mesmo duplicado nos últimos 18 meses. E garantem ter já qualquer coisa como 45 milhões de utilizadores na cloud, provenientes de 75 mil empresas repartidas por 96 países.

Charles Philips, o CEO, ajuda dizendo que uma das grandes vantagens na proposta Infor na nuvem é o facto de estarem a contruir a nuvem indústria por indústria. “Os processos de negócio nas distintas indústrias são diferentes, por isso as nuvens deveriam ser também diferentes”.

A chave para esta aposta na nuvem está na Amazon Web Services (AWS), a cloud híbrida, o que não deixa de ser uma clara tendência do mercado. Sem pressa, mas claramente sem pausas, esse parece ser o caminho que a Infor quer seguir. “Pedimos aos nossos clientes que levem para a nuvem duas ou três aplicações. Não mais. Quando virem que essas aplicações funcionam, que não dão problemas e são seguras, acrescentem mais aplicações, mais áreas”, dizia Scholl, acrescentando que “o futuro passo por aí e nós acreditamos claramente na nuvem”.

Dados europeus ficam na Europa

A Infor está a encaminhar os seus clientes para a nuvem. Disso não há dúvida. Mas os reguladores europeus de proteção de dados estão cautelosos no que diz respeito a empresas norte-americanas processarem dados europeus. Mas apesar desta ter sido uma questão levantada em Paris, para a Infor é fácil: o que acontece na Europa, permanece na Europa.

A companhia disse que embora este não seja um problema para a maioria dos clientes da União Europeia, a empresa pode provisionar servidores na Europa, mediante pedido.

Os dados criados na Europa permanecem na Europa“, disse o presidente Stephan Scholl.

Aliás, recentemente, no início de fevereiro, a Comissão Europeia e os Estados Unidos chegaram a acordo sobre um novo enquadramento para a transferência transatlântica de dados pessoais, o denominado “Escudo de Privacidade UE-EUA”.

O Colégio de Comissários aprovou este acordo político, tendo mandatado o vice-presidente Andrus Ansip e a comissária Věra Jourová para preparar as medidas necessárias à implementação do novo acordo. Este novo quadro protege os direitos fundamentais dos cidadãos europeus sempre que os seus dados pessoais forem transferidos para os Estados Unidos e garante a segurança jurídica para as empresas.

O Escudo de Privacidade UE-EUA reflete as exigências enunciadas pelo Tribunal de Justiça no seu acórdão de 6 de outubro de 2015, que declarou inválido o antigo sistema Porto Seguro. As novas disposições aumentam as obrigações relativas à proteção dos dados pessoais dos cidadãos europeus que as empresas dos EUA têm de respeitar e reforçam o controlo e a verificação pelo Departamento do Comércio dos Estados Unidos e pela Comissão Federal do Comércio (FTC), nomeadamente através de uma maior cooperação com as autoridades europeias responsáveis pela proteção de dados. O novo acordo inclui compromissos assumidos pelos EUA, assegurando que o possível acesso legal por parte das autoridades públicas aos dados pessoais transferidos ao abrigo deste acordo estará sujeito a condições, limitações e supervisão claras, impedindo o acesso indiscriminado.

Scholl garantiu assim que os os dados dos clientes de ERP e CRM da Infor permanecem na Europa, até porque a empresa norte-americana conta com os já referidos Amazon Web Services para a sua infraestrutura de nuvem. E a AWS permite precisamente que os clientes confinem os seus dados em clusters de centros de dados na Irlanda e na Alemanha – ou qualquer um dos nove outros clusters (AWS os chama de “regiões”) fora da UE.

Enquanto isso, os clientes da Infor que há três anos diziam que nunca se iram mover para a nuvem estão seriamente a olhar para esta possibilidade, nomeadamente em setores sensíveis como o aeroespacial e a defesa, disse Charles Phillips.


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