IDC Directions 2015: “Não coloquemos o fardo em cima dos CIO”

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Em tempos, dizia-se que “CIO” era um acrónimo para “Career Is Over”, ao invés de “Chief Information Officer”. Mas isso pode não ser necessariamente mau. Pode querer dizer que não há mais por onde “progredir”. Que é o topo de qualquer carreira. Mas hoje, como encaram os CIO a sua função? E como são olhados pela restante organização?

Gonçalo Marques Oliveira, CIO da Galp Energia, não tem qualquer dúvida: é visto como “feiticeiro”. E explica: “Algo não funciona. Chamam-nos. À tarde ou noite fazemos lá alguma cosias e a coisa fica resolvida. E eles não entendem muito bem o que fizemos, sabem é que funciona: somos feiticeiros”.

O CIO da Galp tentou passar a mensagem à plateia que, apesar de tudo, há de facto bits e bytes no meio de tudo isto. “Este país não é só feito de Ubers e Airbnb, também há informática e tem de funcionar, tem de fazer cobranças, ativar clientes. Nenhum de nós gosta de falar nisso e já perdi a conta quantas vezes hoje já dissemos a palavra cloud. Não tenho dúvidas que estamos preparados para esta evolução das empresas. Mas ainda ninguém aqui no congresso explicou o que era a cloud”.

Para Gonçalo Marques Oliveira, há que traduzir em negócio tudo o que isto significa. “Somos atacados por estas palavras, mobilidade, IoT… depois cada um inventa um vocábulo novo, prometo que no próximo ano, se for convidado, também invento um”, disse com alguma piada Gonçalo Marques Oliveira.

Sobre o papel do CIO, o profissional garante que não é o título que faz a pessoa. “Gosto de ser CIO, faz-me parecer importante. Na Galp, a discussão sobre tecnologia é feita pelas pessoas com as quais faz sentido falar sobre tecnologia. E se os CIO não estiverem dentro da sala…”

Por seu lado, Rogério Campos Henriques, executive board member & CIO da Fidelidade diz que o Chief Information Officer é posicionado como o responsável pela evolução tecnológica, bem como o melhor posicionado para liderar a inovação. “Isso coloca um fardo muito grande nos CIO”, diz o executivo. “Não é assim. Tem de haver uma visão partilhada no papel que as tecnologias têm na estratégia da empresa”, comentou perante a plateia. “Vejo muitas iniciativas para sensibilizar as TI a compreenderem o negócio, mas não vejo iniciativas para sensibilizar o negócio a entender as TI e a usarem-nas com responsabilidade”.

E apesar de não saber se o CIO tem que estar, ou não, presente na administração, uma coisa Rogério Campos Henriques tem a certeza: tem de fazer parte da decisão do negócio. “Tenho de dizer que estamos muito melhor. Em muitas organizações, as TI são cada vez menos uma caixa negra, o board está a ser mais educado no papel que as TI têm e a forma como podem empurrar esta visão”.

No entender de Gonçalo Marques Oliveira, isto implica que o CIO tenha de descodificar esta questão das buzzwords. “O CIO tem de passar de um papel mais operacional para um papel de comunicar… o CIO está efetivamente bem posicionado para isso”. Isto porque, segundo este executivo, o CIO tem visão do negócio, sabe as iniciativas que estão a acontecer, consegue perceber as implicações que as tecnologias podem trazer para o negócio… “E se não sabe… tem um problema entre mãos. E sobretudo, tem de fazer perceber que nem todas as tecnologias são para adotar. Temos de perceber as limitações de cada tecnologia, se está madura para se utilizar e qual a janela de oportunidade que podemos usar para determinada tecnologia. Não podemos responder a todas as tecnologias num time-to-market aceitável”.

Basicamente, Gonçalo Marques Oliveira sugere que há que aceitar que a grande questão não tem a ver com as TI mas com a capacidade das organizações gerirem esta mudança. “Quando falamos da agilidade das TI, temos é de falar de agilidade das empresas. Os bloqueios não estão nas TI mas em toda a empresa que tem pouca capacidade, sobretudo as mais tradicionais, para gerir esta mudança, que é complexa”. Ou seja, as TI e o CIO têm de ter um papel de ajudar e educar o resto da organização. “Mas não coloquemos o fardo em cima dos CIO”.


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