Governo britânico premeia internacionalização de empresas portuguesas

Negócios

O governo britânico, através do UK Trade & Investment (UKTI), distinguiu as empresas portuguesas que mais se destacaram pela sua capacidade de expansão e investimento no mercado britânico. Celfinet e Imaginary Cloud, duas das contempladas, explicaram à “B!T” quais os grandes desafios à internacionalização e o que, em todo o processo, é mais complicado de atingir.

O governo britânico, através do UK Trade & Investment (UKTI), distinguiu as empresas portuguesas que mais se destacaram pela sua capacidade de expansão e investimento no mercado britânico. Celfinet e Imaginary Cloud, duas das contempladas, explicaram à “B!T” quais os grandes desafios à internacionalização e o que, em todo o processo, é mais complicado de atingir.

Vencedores UKTI Awards 2013©CONTRASTE fotografia (1024x683)

O governo britânico distinguiu 13 empresas portuguesas pela sua capacidade de expansão e investimento no mercado britânico. O UK Trade & Investment (UKTI), uma organização governamental britânica que apoia a expansão internacional das empresas britânicas, promovendo também o investimento estrangeiro no Reino Unido, acabou por distinguir a Biotecnol, a Bring Consulting, a Celfinet, a Glaciar, a Imaginary Cloud, o S24 Group, a Taminno, a Tekever e a Winpower na categoria Internacionalização, a par ainda da Digital Works e da Tuizzi na categoria Tech City. Já a Martifer Solar e o Tagael Fyron Group foram premiadas na categoria Expansão de Negócios.

Este ano os UKTI Business Awards assinalam a sua 7ª edição, uma distinção atribuída pelo UK Trade & Investment em vários países da sua rede internacional, nomeadamente Itália, Índia e Holanda.

O governo britânico distinguiu 13 empresas portuguesas pela sua capacidade de expansão e investimento no mercado britânico. O UK Trade & Investment (UKTI), uma organização governamental britânica que apoia a expansão internacional das empresas britânicas, promovendo também o investimento estrangeiro no Reino Unido, acabou por distinguir a Biotecnol, a Bring Consulting, a Celfinet, a Glaciar, a Imaginary Cloud, o S24 Group, a Taminno, a Tekever e a Winpower na categoria Internacionalização, a par ainda da Digital Works e da Tuizzi na categoria Tech City. Já a Martifer Solar e o Tagael Fyron Group foram premiadas na categoria Expansão de Negócios.

Este ano os UKTI Business Awards assinalam a sua 7ª edição, uma distinção atribuída pelo UK Trade & Investment em vários países da sua rede internacional, nomeadamente Itália, Índia e Holanda.

 “Desafiante teria sido não internacionalizar”

A Celfinet, é uma empresa portuguesa que presta serviços de consultoria na área do planeamento e otimização de redes de telecomunicações e desenvolve soluções de software para suporte a esta atividade. desde de outubro de 2003, foi uma das organizações nacionais distinguidas este ano. Alexandre Victorino, diretor de corporate affaires and business strategy, detalhou à “BIT” que a empresa tem a sua sede localizada em Lisboa e o R&D Center no Porto. No estrangeiro, a organização conta com filiais em Macau, Brasil, Moçambique e Reino Unido, estando a abertura da filial de Espanha em fase final de formalização. “Temos, igualmente, forte presença em Angola. A partir da nossa sede e filiais endereçamos, atualmente, projetos em cerca de 15 países”.

Questionado sobre quais os principais desafios à internacionalização, Alexandre Victorino explica que a Celfinet é, pela sua atividade, uma autêntica “born” global, por diversos motivos: “em primeiro lugar, porque as tecnologias ligadas às telecomunicações assentam em standards internacionais, o que viabiliza uma atuação global; em segundo lugar, porque o processo de consolidação a que se tem assistido no mercado de telecomunicações ao longo dos anos deu origem a grandes operadores internacionais que, em diversos domínios, compram serviços e produtos para todo o grupo”. Finalmente, Alexandre Victorino diz que Portugal é um país de vanguarda neste domínio, pelo que “os nossos recursos humanos se destacam, facilmente, em qualquer contexto geográfico, pela sua qualidade. Por todos estes motivos, a internacionalização foi um passo que a Celfinet deu com naturalidade. Desafiante teria sido não internacionalizar”.

Mas o que, em todo o processo é mais complicado quando falamos em internacionalização? Desafiante teria sido não internacionalizar? Alexandre Victorino não tem qualquer duvida: “replicar, nos países de destino, a base de competência que construímos em Portugal, de forma a manter a competitividade em serviços que necessitam de ser prestados localmente”.

Neste momento mais de 70% das receitas da Celfinet são provenientes dos mercados externos e a empresa tem a ambição de que, dentro de cinco anos, este valor se cifre em torno dos 90%.

Para a Celfinet, o primeiro semestre de 2014 ficou marcado pelo crescimento acentuado, especialmente no mercado do Reino Unido onde, nos últimos anos, têm feito uma aposta muito forte e que de resto motivou a atribuição deste prémio. “É, neste momento, uma certeza que este será o melhor ano da história da Celfinet”.

Questionado sobre se Portugal é “bem visto” lá fora, nomeadamente nas TI, o responsável afiança que os profissionais portugueses das TI são bem-vistos, pela sua elevada competência, fiabilidade e flexibilidade, justificando que temos uma capacidade de adaptação a contextos multi-culturais extraordinária. “Contudo, a marca Portugal não está associada à de um país de vanguarda tecnológica. O facto de estarmos noutros países que não Portugal, sendo especialmente relevante a presença em grandes países Europeus, tem-nos ajudado a descolar desta conotação”.

Quanto a mais geografias e à luz da estratégia de crescimento internacional atual, a empresa está a focar muita atenção e a concentrar muito investimento no desenvolvimento de negócio no Reino Unido, Espanha, França e África. “No entanto, estamos a avaliar oportunidades em múltiplas geografias e a concretização de algumas delas poderá determinar uma revisão da atual estratégia”.

O grande objetivo em 2015 será o de ultrapassarem os 12 milhões de euros de faturação consolidada e dar enfoque ao robustecimento e alargamento da sua posição no mercado europeu.

 Grande desafio à internacionalização é o reconhecimento da marca

A Imaginary Cloud, outra das empresas portuguesas distinguidas nesta 7.ª edição, tem escritórios em Lisboa, Coimbra e Londres. No entanto, contam com clientes em diversos países, como Inglaterra, Estados Unidos, França, Brasil, Suíça, entre outros. Além dos serviços de consultoria em “user experience”, design multimedia e engenharia de software, existem dois produtos que estão a ter grande aceitação nos mercados internacionais: Warroom.io e o nosso Product Design Process, disse à “B!T” Tiago Franco, CEO da Imaginary Cloud.

O primeiro produto, WarRoom.io, consiste num serviço de desenvolvimento de aplicações em três dias. “Algumas grandes empresas estão a utilizar este processo para testarem novos mercados”, explicou o responsável.

O segundo produto, denominado Product Design Process, consiste precisamente no desenvolvimento de um plano de produto. “O serviço consiste no desenho de novos produtos, e ajuda grandes marcas a planear a melhor forma de entrarem nos mercados Web e Mobile”.

Para Tiago Franco, o grande desafio à internacionalização é mesmo o reconhecimento da marca. “Em Portugal a marca Imaginary Cloud tem alguma dimensão, e potenciais clientes já conhecem a empresa quando são abordados pela primeira vez. No entanto, um processo de internacionalização obriga a consideráveis esforços de marketing, para que a marca seja conhecida na altura em que começa a operar nesses mercados”.

Assim, o mais complicado em todo o processo de internacionalização é mesmo identificar os intervenientes locais. “Cada mercado tem sempre concorrentes, parceiros, potenciais clientes, etc, já estabelecidos. Existem locais específicos onde estes intervenientes interagem, seja fisicamente ou na internet. Descobrir estes locais e ganhar relevância nos mesmos requer muito esforço e tempo”.

Hoje, cerca de 80% da faturação da Imaginary Cloud vem de mercados externos. “Felizmente o negócio em 2014 está a correr de acordo com as nossas previsões, mas o processo tem sido muito mais complicado em termos de esforço exigido do que tínhamos planeado”.

De resto, Portugal tem vantagens nas TI para negócios que não sejam de volume, uma vez que, segundo Tiago Franco, a nossa capacidade para produzir engenheiros qualificados é inferior a grandes países como, por exemplo a India. “Neste sentido, a aposta das TI nacionais tem que se focar em especialização e mão-de-obra muito qualificada, exigindo grandes investimentos em formação continua”.

Para além dos mercados onde hoje estão presentes, Tiago Franco admite andar a “namorar” a França e os Estados Unidos. Para 2015, o objetivo é quadruplicar a faturação deste ano.


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