ESPECIAL | Accenture: há uma adoção alargada de cloud para ambientes não críticos

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Há uma adoção alargada da cloud para ambiente não críticos, nomeadamente o de desenvolvimento, diz a Accenture. E no que toca a ambientes de produção, Pedro Moniz, senior manager, Accenture Operations – Infrastructure Consulting & Outsourcing diz notar uma certa resistência quando comparado com grandes empresas no Reino Unido, USA ou França, em que a adoção da cloud se situa nos 70% das workloads distribuídas por clouds privadas e públicas (+- 25%).

O tema governança é, hoje, a principal dúvida das empresas quando pensam a sua abordagem ao cloud computing? Que outras dúvidas assolam os vossos clientes?

Realmente a governance da cloud surge como um dos temas fundamentais, a liberdade como se pode aprovisionar ambientes exige que os IT reorganizem os processos de aprovisionamento nomeadamente ao nível definição de critérios de elegibilidade de  workloads para a cloud, quem o pode fazer, com que autorizações e também quem é que vai pagar.

Temas como as operações correntes de IT exigem também uma revisão profunda uma vez que um dos benefícios da nuvem, a automação de tarefas, só possível com a implementação de funções de “engenharia de serviços”, que cruza competências das várias torres de serviço. Estas alterações exigem uma transformação do modelo clássico de organização por uma torre tecnológica (Sysadmin, dbas, redes, segurança, storage) com operações específicas para algo muito mais transversal em que as operações são pré-configuradas e evocadas em vez de executadas manualmente. Na realidade, a adoção de nuvem só ocorre, não quando a tecnologia é adotada pelas organizações, mas quando o IT se reorganiza para alavancar conceitos de catálogo, automação e engenharia de serviços. Esta transformação exige por vezes a adoção de modelos de operações a várias velocidades ou bimodais em função da tecnologia operada.

Por exemplo, existem normas suficientes para suportar o movimento de dados de uma plataforma de cloud computing para outra?

As normas estão a emergir mas não parecem ser impedimento para a movimentação de dados e configurações entre plataformas. Está a surgir um conjunto de plataformas que funcionam como um Single Plain of Control de várias clouds, garantindo uma transferência transparente de workloads seguindo critérios de custo ou de evolução tecnológica.

A IDC (International Data Corporation) divulgou uma pesquisa na qual expressa que no primeiro trimestre do ano passado os investimentos globais em cloud eram cerca de 26%, enquanto que o mesmo número, quando se trata de investimentos na infraestrutura física, aumentaram 6,1%. Confirmam esta tendência?

Sim, as opções em infraestrutura física irão ter um crescimento reduzido nos próximos anos. Os principais players de nuvem pública estão a elevar a maturidade das suas ofertas ao ponto de tornar investimentos em DC locais tecnologicamente pouco atrativos tanto em termos financeiros como no que diz respeito à facilidade de operações.

As consultoras advogam ainda que a adoção da nuvem em larga escala e a concorrência entre os fornecedores das tecnologias tem diminuído o custo da nuvem privada. Corroboram esta opinião?

Sim, de alguma forma, no entanto na Accenture acreditamos que a evolução das ofertas em cloud públicas são talvez o fator que mais pressão colocam nos custos com nuvens privadas, uma vez que existe uma possibilidade real de as soluções em nuvem privada se tornarem obsoletas antes mesmo de atingirem a sua maturidade completa.

O que tem vindo a mudar, em Portugal, na adoção do cloud computing por parte das empresas?

Notamos uma adoção alargada para ambiente não críticos como o de desenvolvimento. No que toca a ambientes de produção notamos resistência, quando comparado com grandes empresas em UK, USA ou França, em que a adoção da  cloud se situa nos 70% das workloads distribuídas por clouds privadas e públicas (+- 25%).

As nossas projeções indicam que 75% das grandes empresas mundiais planeiam, estão a implementar ou já implementaram clouds híbridas. Aqui chamamos a atenção que a mudança é mais profunda que a mera adoção da tecnologia em nuvem, exigindo uma revisão profunda da operativa das infraestruturas, sendo aí que as maiores resistências são encontradas.

2016 vai ditar a “morte” das nuvens públicas empresariais?

Penso que não, antes pelo contrário. A visão da Accenture é que o esforço em implementar nuvens privadas e os resultados obtidos tendencialmente ficaram aquém daquilo que é possível fazer na nuvem pública a um menor TCO final. Estudos indicam que o investimento na nuvem está à volta de 11B USD, com um crescimento até 2020 na ordem dos 33% (CAGR). Isto resultará em nuvens capazes de responder à necessidade e na criação de nuvens privadas em ambientes públicos com segurança, controlo de localização dados e computação (ao nível do chassis), catálogos customizados de serviços, DR, e alta disponibilidade, dificilmente igualáveis em nuvens privadas (para o mesmo custo).

Mais do que uma guerra pelas infraestruturas, agora vamos ter uma verdadeira luta pelas aplicações?

Sim, tratam-se de duas guerras a velocidades diferentes, a natureza das nuvens IaaS e mesmo PaaS faz-se a uma velocidade maior uma vez que o impacto no negócio é menos visível, enquanto que a guerra nas aplicações exige embeber conhecimento do negócio em aplicações que muitas vezes, apesar de serem incumbentes, nasceram antes da cloud. A luta ocorre à velocidade de transformação do negócio (e respetivos processos), sendo um guerra travada não só no IT mas também nas trincheiras do negócio (diferenciação, user experience, proximidade do cliente,…).

O que distingue a vossa abordagem à cloud dos restantes players?

Na Accenture acreditamos na cloud, sobretudo na Cloud Hibrida em que workloads transparentemente se movem entre clouds públicas e privadas. Pensamos que a Cloud é parte integrante do Digital e altera a forma como os negócios são conduzidos e operados, sendo uma força transformadora e disruptiva. Acreditamos que a adoção da cloud exige uma abordagem holística realizada no cruzamento das várias componentes. A abordagem da Accenture a este tema é efetuada end-to-end através de várias ofertas interligadas:

  • Cloud Strategy: Ajudamos os clientes a desenvolverem um ponto de vista e estratégias que lhes permite priorizar ações concretas para a adoção de cloud em termos de capacidades, planos e business case. Esta estratégia pode ser global ou focar-se em pontos específicos como identificação de fontes de valor da cloud, aplicações, DevOps, Modelo Operativo, distribuição de workloads, etc.
  • Cloud transformation Services: Serviços focados na aceleração na migração para cloud através da racionalização e refresh de portfolios aplicacionais e respetiva migração para a cloud. Para este efeito possuímos um conjunto de ferramentas e processos para rápido diagnóstico e migração de workloads.
  • Cloud Infrastructure Transformation: Serviços focados na implementação de clouds hibridas alavancando templates já comprovadas. Sendo uma empresa de serviços possuímos uma vasta rede de parcerias que nos garante um tailoring de soluções hibridas em função dos requisitos dos clientes. Nesta oferta integramos serviços de cloud security e cloud networking.
  • Cloud Operations: Reconhecemos que a cloud exige uma operativa diferente, oferecemos serviços IO específico para cloud incluindo Security Operations e gestão de fornecedores cloud.
  • Accenture Cloud Plataform (ACP): Embora a Accenture não seja uma empresa de produto, rapidamente verificamos a necessidade de uma ferramenta capaz de gerir múltiplas clouds (privadas e públicas) que permitisse um gestão integrada e transparente (do catálogo, movimentação de workloads, configurações avançadas, billing), pelo que desenvolvemos o ACP que otimiza a entrega dos nossos serviços seja na migração inicial seja na gestão de ecossistemas híbridos de clouds.

 


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