Entrevista da semana: Zarph quer quintuplicar volume de negócios

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A portuguesa Zarph, empresa focada na criação de soluções nas áreas de gestão de tesouraria e sistemas de pagamento, quer crescer cinco vezes mais do que o ano passado. Ou seja, atingir no final de 2015 os 750 mil euros. Pedro Mourato Gordo, CEO, falou-nos da aposta em Angola e de como o mercado nacional está a responder positivamente à adoção de novas tecnologias.

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Pedro Mourato Gordo, CEO da Zarph

B!T: Assume ambicionar para a Zarph um crescimento cinco vezes superior ao do ano passado, ou seja, atingir os 750 mil euros de faturação. Como? Sustentados em quê?Pedro Mourato Gordo: O crescimento que prevemos para este ano em termos de volume de faturação assenta fundamentalmente em dois eixos: o primeiro é o aumento de projetos desenvolvidos nos nossos clientes atuais, reforçando ao mesmo tempo a aposta em setores estratégicos para a Zarph, como são os do Retalho, Serviços, Administração Pública, Saúde, Educação e Transportes. O segundo, prende-se com o alargamento da base de clientes internacionais, através do desenvolvimento de novos mercados. Estamos conscientes de que projetar um crescimento cinco vezes superior ao de 2014 é um objetivo ambicioso, mas alcançável.

Que presença têm em Angola e como esperam que esta geografia venha a desenvolver-se?

A entrada da Zarph no mercado angolano fez-se através de uma parceria com a Petrotec Angola, empresa que detém equipamentos para as áreas de distribuição e retalho da indústria petrolífera e que está a desenvolver a sua área de meios de pagamento. O acordo formalizado com a Petrotec contempla a implementação de soluções de gestão de tesouraria e insere-se no modelo estratégico que planeámos para o mercado angolano.

Apesar dos problemas atuais, Angola continua a ser um país em franco crescimento, que é recetor de investimento e que está a desenvolver a sua base produtiva. Neste contexto de desenvolvimento do mercado, já fechámos alguns acordos com empresas que operam em setores como o do Retalho, Administração Pública e Saúde, e que podem vir a beneficiar com as soluções da Zarph num futuro a curto-prazo.

Exatamente com que soluções esperam cativar o mercado angolano?

Angola é um mercado em que a quantidade de numerário em circulação é bastante elevada, o que faz com que as empresas necessitem cada vez mais de soluções de gestão de tesouraria capazes de automatizar os processos de controlo e gestão da informação de uma forma centralizada, hierarquizada e em tempo real.

Para mercados como o angolano, adaptamos algumas características dos nossos equipamentos à medida da necessidade de cada cliente, sendo que uma das grandes inovações é a integração de uma plataforma web que permite a ligação entre cliente, banco e empresa de transporte de valores.

Como se tem comportado o mercado português em termos de adoção de novas tecnologias da Zarph?

Podemos afirmar que o mercado tem estado em linha com os objetivos de crescimento da Zarph. Apesar da situação menos favorável que vive o mercado nacional, a empresa tem neste momento maior massa crítica, assim como produtos mais sólidos e fiáveis que permitem dar uma resposta mais eficiente e adequada. Prova disso mesmo, é instalação de treze módulos de pagamento no parque de estacionamento do Aeroporto de Lisboa, que vieram disponibilizar ao cliente final o pagamento através de cartão bancário, que até aqui não era possível.

Está a correr melhor do que esperavam, tendo em conta todo o clima de suspeição económica?

As perspetivas para 2015 eram e continuam a ser bastante positivas. O ano está a decorrer conforme planeado e se considerarmos a conclusão do projeto de implementação de soluções de gestão de tesouraria em Unidades de Saúde do Grupo José de Mello Saúde, podemos mesmo dizer que o primeiro semestre do ano fecha com saldo muito positivo.

De todas as vossas áreas de negócio quais têm sido as mais rentáveis?

A área de negócio mais rentável para a Zarph é a da gestão de tesouraria que representa cerca de 80% da receita, sendo os restantes 20% relativos à área de sistemas de pagamentos. Estas duas áreas são complementadas com o serviço de Consultoria e Desenvolvimento de Software lançado no início do ano, aquando da renovação de imagem.

Quais os grandes projetos para os próximos seis meses e de que forma acreditam que 2016 vá decorrer?

Para já ainda não podemos revelar muito do que será o próximo semestre, mas posso adiantar que estamos a trabalhar no desenvolvimento de soluções na área de sistemas de pagamento. Trata-se de um projeto importante para a Zarph, que se estenderá a 2016, portanto acreditamos num ano de crescimento contínuo.

Que outras geografias pensam abordar?

Neste momento, temos Angola como principal foco internacional. Trata-se de um mercado com muito potencial para as áreas de gestão de tesouraria e sistemas de pagamento. É claro que estamos atentos a novas oportunidades de negócio que possam surgir noutras geografias e creio que estamos em condições de poder anunciar a entrada num mercado europeu ainda este ano.

A estratégia de internacionalização da Zarph passa por encontrar um parceiro local, que tenha os contactos e a cultura do país, reduzindo o tempo necessário para disponibilizar as nossas soluções no mercado.

Quantos recursos tem neste momento a empresa e com que competências?

A Zarph conta com oito colaboradores, todos com formação superior e com competências que se estendem da Engenharia ao Marketing. A equipa é formada por cinco engenheiros nas áreas de informática, eletrotecnia e mecânica, assim como três profissionais na área comercial e de marketing.

Quais os vossos principais clientes?

A Zarph tem atualmente mais de 20 clientes, nos quais se destacam o Grupo José de Mello Saúde, Grupo Barraqueiro, Brisa, EMEL, Multifrota, Empark e Supermercados Santa Justa.


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