Entrevista da semana: Sistemas híbridos são o caminho mais viável para a digitalização

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O mundo quer-se digital. E hiperconectado. E rápido. E assertivo. Em Munique, a Fujitsu defendeu que os modelos híbridos são os mais coerentes para levar os negócios à digitalização. Sobretudo, disse em entrevista à B!T Francois Fleutiaux, responsável pelo negócio da Fujitsu na EMEIA, porque permitem não deitar fora o investimento feito em TI pelos clientes. E isso pode ser uma poderosa arma.

Francois Fleutiaux, responsável pelo negócio da Fujitsu na Europa, Médio Oriente, Índia e África

Francois Fleutiaux, responsável pelo negócio da Fujitsu na Europa, Médio Oriente, Índia e África

* em Munique

B!T – No passado mês de julho entrevistamos o corporate executive officer, Duncan Tait, que nos explicou que a Europa é elementar na globalização da Fujitsu. Continua a ser?

Francois Fleutiaux (FF) – Deixe-me dizer-lhe que a Europa, Médio Oriente e África, a denominada EMEA, é a maior região de negócio fora do Japão.

B!T – Mas esta geografia é responsável por que percentagem do volume de negócios? 20%? 30%?

FF – Cerca de 20% da faturação global da Fujitsu, sendo de facto o nosso mercado mais emergente. Além de que somos das poucas companhias de TIC a fabricar na Europa, nomeadamente aqui, na Alemanha. E pagamos os nossos impostos neste continente, obviamente. Tentamos sobretudo ter um negócio responsável.

B!T – Mas como é possível fazer uma afirmação dessas, que a Europa é determinante na globalização de companhia, quando sabemos que a Europa está longe de ter uma economia pujante?

B!T – Sim, todas as economias europeias, de uma forma ou outra, tiveram dificuldades, mas de uma forma geral todo o mundo teve. Na verdade, não creio que a Europa tenha sofrido mais do que os restantes países, que esteja em desvantagem por exemplo face aos Estados Unidos. E as economias estão a recuperar, já se está a propiciar o ambiente para investir. É verdade que houve, e continua a haver, instabilidade, mas penso que é em todo o mundo.

B!T – Hoje qual é dentro, da Europa, os países mais fortes? Os que mais negócios vos dão?

FF – Alemanha e o Reino Unido.

B!T – Os clássicos, portanto…

FF – Exato. Mas olhe que temos uma forte presença em Espanha e uma curiosa negócio na Finlândia. Mas sobretudo, somos uns fortes investidores na Europa e acreditamos que as economias europeias, quer do lado da procura quer da produção, são mercados muitos interessantes para estarmos presentes. E o que pretendemos, na Fujitsu, é tornar a nossa companhia muito mais internacional para que assim possamos melhor servir os clientes na Europa. Queremos que a nossa marca se distinga por excelentes produtos de tecnologia, excelente infraestrutura de serviços geridos, excelentes serviços de aplicações de negócio na mudança para o digital e uma excelente plataforma de serviços empresariais. Queremos ser conhecidos por isto.

Diversidade melhor decisão de negócio

B!T – Mas já são?

FF – É um caminho a fazer. Temos de todos os dias demonstrar aos nossos atuais e potencias clientes que somos uma Fujitsu integrada. E isso, para criar uma imagem forte e clara, tem de ser feito por um período sustentado no tempo. Mas penso que ao fazermos isto, não só vamos ser uma melhor companhia, uma melhor organização, como um melhor parceiro. Acredito mesmo que vamos conseguir, e já estamos a conseguir, trabalhar com os nossos clientes e parceiros de uma maneira muito mais colaborativa.

B!T – Que importância teve a nomeação de Duncan Tait para o conselho de administração da Fujitsu, sendo o primeiro não-japonês nomeado da história desta companhia, que já tem 70 anos?

FF – Claramente demonstra a rapidez e o compromisso da Fujitsu em se tornar internacional. Para além de Duncan, toda a equipa de gestão é muito internacional. Por exemplo, a minha equipa é composta por quatro alemães, três britânicos, um espanhol e um finlandês. E quase todos reportam a uma mulher. Estamos a tentar ser o mais internacionais e integradores possíveis.

B!T – Mas porquê?

FF – Porque a diversificação e o facto de sermos internacionais permite-nos tomar muito melhor decisões do que as organizações que apenas se focam numa nacionalidade ou em um género. A diversidade é fundamental ao sucesso do negócio.

B!T – Que áreas vão crescer?

FF – O negócio dos serviços e os aspetos digitais do negócio. Pensamos que para as grandes empresas, e há muitas na Europa, esta é uma importante jornada. Para os grandes negócios, que operam em múltiplas geografias, temos para oferecer TI híbrida, que lhes permite combinar as suas atuais infraestruturas de TI com capacidades de nuvem e digital. Porque fala-se muito na digitalização dos negócios, mas nem tudo pode ser digital. As empresas, nomeadamente as europeias, estiveram muitos anos a investir nos seus sistemas “legacy”, nos seus clientes, nos seus mercados e nas suas indústrias. Não podem simplesmente abandonar isso. E nem sequer a tal transformação digital vai acontecer tão rápido…

A maravilha de um mundo hiperconectado

B!T – Estaremos sempre a falar então de sistemas híbridos?

FF – Sim. Sei que outras empresas não falam tanto nos sistemas híbridos, mas para nós é o que faz mais sentido e é a nossa abordagem.

B!T – As empresas sabem o que é a transformação digital? Não tenho  qualquer dúvida que uma grande empresa saiba, mas e as restantes, que aliás são a grande maioria?

FF – É verdade que quer dizer coisas distintas, consoante a empresa que a apresenta. Mas quererá sempre dizer que os clientes vão querer falar com o fornecedor de uma forma mais interativa e por vários canais. E os clientes estão impacientes em ter resultados e soluções e querem um feedback regular e esperam que se faça algo. A tudo isto somamos o facto de termos uma crescente quantidade de informação a entrar e termos ainda os clientes a julgarem-nos nos media sociais. E a nossa reputação será afetada. Se ignorarmos tudo isto, estamos a ignorar um potente meio de comunicação, para além de que o cliente ainda espera que haja uma app que resolva as suas necessidades… Tempos desafiantes os que vivemos. É o moderno mundo hiperconectado.

B!T – Ok, percebo a mensagem e suponho que os vossos clientes também. Mas estão a investir outra vez? Porque eles estão cansados de investir em TI, ou não?

FF – Mas é precisamente por isso que o hibrido faz sentido! Porque não há que investir uma e outra vez. A Fujitsu potencia o investimento já feito. E pelo melhor retorno económico damos acesso ao que as empresas precisam, consoante as necessidades dos clientes, sem deitar fora o grande investimento que, muitas vezes, já é feito há gerações. Por isso o híbrido é importante e por isso também é relevante o lançamento que fizemos aqui em Munique do MetaArc.

MetaArc une o melhor dos dois mundos

Em Munique, assistimos ao lançamento global da MetaArc. O objetivo é abraçar a realidade do ambiente TI a duas velocidades com a apresentação global da Plataforma de Negócios Digitais Fujitsu MetaArc, que, segundo a empresa nipónica, lança alicerces sólidos para os negócios cloud e digitais do futuro. “A plataforma permite que os clientes abracem a digitalização com confiança, combinando uma visão para a evolução das plataformas cloud, soluções e serviços geridos existentes com uma integração e capacidades de orquestração sem rival dos serviços cloud da Fujitsu e de terceiros”.


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