ENTREVISTA DA SEMANA | Mercado reage positivamente à aquisição da IFS

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Em finais de 2015, a EQT Partners anunciava a compra da sueca IFS, empresa com presença em Portugal, liderada por Gustavo Brito. Passado mais de um ano sobre o negócio, o mercado e os clientes parecem ter reagido positivamente à aquisição. E os investimentos estão à vista. “Não vamos querer lutar com os grandes nos mercados globais. Vamos, isso sim, atacar mercados verticais em certas geografias. Não queremos servir todos. Não queremos servir todos. Sabemos onde somos fortes, onde somos inclusivamente os melhores, e é por aí que seguimos caminho”, disse Paul Smith, CFO da IFS.

A IFS, empresa global de aplicações empresariais, tem apresentado ao mercado uma saudável performance financeira. A empresa sueca, liderada por Alastair Sorbie, tem vindo, no entanto, a lutar por um reforço na potência da sua marca. O tal “brand awaress” ou consciência de marca.

Mas vamos a números: nos primeiros seis meses do ano de 2016, que são os últimos números que temos disponíveis, a IFS alcançou os 182 milhões de euros, o que lhe valeu um crescimento de 9% face ao ano anterior. De resto, diz a empresa, estes valores estão em linha com os objetivos traçados para o ano que terminou.

Em setembro, a empresa ganhava uma nova agilidade. Saiu da bolsa de Nasdaq Stockholm, uma consequência da compra de mais de 90% das suas ações por parte da EQT Partners, um grupo privado sueco que conta com uma série de fundos de capital de risco investidos em empresas não cotadas.

E mesmo após um pequeno “alarme” que vaticinava o “fim” da IFS, Alastair Sorbie, o CEO, garantia que as intenções do comprador eram de investimento e que a IFS tinha um portfólio robusto que lhe permitia endereçar todos os desafios desta tão afamada transformação digital.

Na altura, partners da EQT também alinhavam no discurso de Sorbie e garantiam que a IFS estava agora preparada para fazer os investimentos necessários nos Estados Unidos, de resto um dos mercados que os suecos queriam conquistar, com aquilo que apelidaram de “compromisso a longo prazo”.

Paul Smith, CFO da IFS, admitiu que o mercado reagiu ao negócio, até porque foi discreto. “Para além do mais, a EQT goza de uma excelente reputação na Suécia, o que obviamente acabou por não agitar o mercado. Claro que houve algumas questões por parte dos clientes que basicamente queriam assegurar-se de que a empresa iria continuar a investir no produto por forma a garantir a sua evolução”.

Numa conversa aberta com a “B!T”, o diretor financeiro admitiu, no entanto, que num primeiro contacto houve efetivamente algumas dúvidas por parte da própria IFS quanto às intenções de investimento. “Mas eles reasseguraram-nos que não queriam de forma alguma desmantelar a empresa, muito pelo contrário, estavam prontos a investir nela e nos mercados e indústrias estratégicas”.

E a promessa, pelo menos ao que transparece ao mercado, está a ser cumprida. A empresa tem vindo a investir na mobilidade, no field service management e na globalização do produto, tornando-se, assim, num player efetivamente global.

E se a Europa é já um terreno “dominado” pelos suecos – apesar de à “B!T” o CFO ter confessado haver planos de maior investimento na Alemanha e Itália – os Estados Unidos são terreno mais do que fértil para ser conquistado. Atualmente a atuarem mais na área de Chicago, Paul Smith avança que a costa ocidental e o Texas serão interessantes pontos para encetar novos negócios. “Se olharmos à escala global, somos pequenos nesses mercados. E mesmo que dobremos o nosso negócio, vamos continuar a ser pequenos. Ou seja, os EUA têm um imenso e interessante potencial”. Hoje, aquela geografia é responsável por 25% a 20% do negócio da IFS.

“Não vamos querer lutar com os grandes nos mercados globais. Vamos, isso sim, atacar mercados verticais em certas geografias. Não queremos servir todos. Sabemos onde somos fortes, onde somos inclusivamente os melhores, e é por aí que seguimos caminho”.

Basicamente, os resultados positivos que a empresa tem vindo a conseguir permitem à IFS reforçar a sua presença nos mercados que considera prioritários, nomeadamente, infraestruturas, fabricação, serviços, aeroespacial e defesa.

A aquisição da MXI Technologies 

A dar alma a todo este discurso, e provavelmente tranquilizar, definitivamente, quer o mercado e clientes, a IFS anunciou, no final do ano passado, a aquisição da participação económica da empresa Mxi Technologies, uma empresa especializada na integração e manutenção inteligente de soluções de software para a indústria da aviação a nível mundial. A MXI opera nos mercados verticais da defesa e operadores comerciais, empresas de manutenção reparação e revisão (MRO, sigla em inglês) e de produtores de equipamentos originais (OEM, sigla em inglês) com software, suporte e serviços. Sedeada em Ottawa, Canada, a Mxi é uma empresa global com mais de 265 colaboradores. 

Basicamente, a Mxi Maintenix é uma suite de software desenvolvida especificamente para ajudar as organizações do setor a maximizar os potenciais resultados dos ativos através de manutenção preditiva e standard. A pegada global da MXI conta com empresas emergentes e de média dimensão até à escala global e muitas delas com múltiplos sítios de implementação e escalas de milhares de utilizadores. Entre os clientes da empresa contam-se nomes como a Southwest Airlines, Air France, KLM, Qantas, China Airlines, LATAM, Icelandair, NetJets, Boeing, BAE Systems, Saab, Pratt & Whitney bem como diversas forças aéreas a nível mundial. 

A aquisição ficará oficialmente concluída durante este primeiro trimestre de 2017. 

A transformação digital… dos que vendem transformação digital

Há oito anos que Paul Smith trabalha na IFS. Com um currículo bastante diverso, neste momento o CFO tem a seu cargo, para além da gestão financeira, a gestão dos recursos humanos e das próprias TI. Quando chegou à empresa, uma das coisas que vigorava era que tudo era feito “in house” ou “dentro de portas”, havendo a contratação de relativamente poucos serviços ou expertise. Hoje, não é bem assim. E para endereçar a tão afamada transformação digital – de resto algo que a IFS faz pelos seus clientes – a empresa sueca, mantendo os assuntos e expertises “core” dentro de portas, opta por subcontratar especialistas para abordar as determinadas questões.

Aliás, a própria empresa está neste momento a encetar a sua própria transformação digital, movendo o seu ambiente para a cloud. “Estamos a fazer basicamente o que fazemos aos nossos clientes. E o que dizemos que os nossos clientes deveriam fazer.”

Basicamente, a IFS parece poder dizer olha para o que eu digo… e para o que eu faço.


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