Empresas continuam sem preparação para a nova era da Mobilidade, Cloud e Big Data

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O estudo é global. Mas Isabel Reis, diretor-geral da EMC Portugal confirmou à “B!T” que a maioria das conclusões pode ser aplicada ao nosso país. As empresas, salvo provavelmente algumas do setor financeiro e as telecomunicações, ainda não estão preparadas para líder com o desafio da era da Mobilidade, Cloud e Big Data. O estudo

O estudo é global. Mas Isabel Reis, diretor-geral da EMC Portugal confirmou à “B!T” que a maioria das conclusões pode ser aplicada ao nosso país. As empresas, salvo provavelmente algumas do setor financeiro e as telecomunicações, ainda não estão preparadas para líder com o desafio da era da Mobilidade, Cloud e Big Data. O estudo evidencia que a grande maioria dos profissionais de TI não confia totalmente na sua capacidade para recuperar a informação depois de um incidente.

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O estudo da EMC é global. E nem sequer engloba Portugal ou Espanha. Mas Isabel Reis, diretora-geral da estrutura desta empresa norte-americana no nosso país garantiu à “B!T” que a realidade das empresas portuguesas não é muito diferente das evidenciadas no documento que a EMC cedeu aos jornalistas e que apresentou em Lisboa. Diz este documento que a perda de dados está acima dos 400% e que as empresas continuam sem preparação para a nova era onde a Mobilidade, a Cloud e o Big Data marcam cada vez mais as tendências. “As conclusões do estudo, na sua maioria, espelham de forma real o panorama que vive no nosso país, os problemas são bastante semelhantes, salvo raras exceções”.

Ora bem, entre os destaques deste estudo, convém realçar que esta perda de dados e tempo de inatividade custa às empresas qualquer coisa como 1,7 mil milhões de dólares (para termos noção, quase 50% do PIB da Alemanha) e que, em média, as empresas perderam 400% mais dados ao longo dos últimos dois anos. Ou seja, o equivalente a 24 milhões de emails).

Ainda não há confiança na recuperação dos dados

Mas os dados são ainda mais preocupantes quando 71% dos profissionais de TI não confiam totalmente na sua capacidade para recuperar a informação depois de um incidente. E 51% das organizações não tem sequer um plano de disaster recovery para workloads emergentes, sendo que apenas 6% têm planos para big data, cloud híbrida e mobilidade. Por outro lado, apenas 2% das organizações são “Leaders” na proteção de dados, 11% “adopters”. China, Hong Kong, Holanda, Singapura e os Estados Unidos lideram na maturidade de proteção e Suíça, Turquia e os Emirados Árabes Unidos ficam atrás.

Outro dado bastante importante é que as empresas com três ou mais fornecedores perdem três vezes mais dados do que aqueles com uma estratégia de um único fornecedor.

Mas, apesar de tudo, há boas notícias. Segundo este EMC Global Data Protection Index, o número de incidentes relacionados com perda de dados está a diminuir em geral. No entanto, o volume de perda de dados durante um incidente está a crescer exponencialmente: 64% das empresas inquiridas já passou por uma situação de perda de dados ou de tempo de inatividade nos últimos 12 meses.

A maioria das empresas já experimentou mais de três dias de trabalho (25 horas) de downtime inesperados nos últimos 12 meses. Outra das consequências comerciais na interrupção são as perdas de receita (36%) e os atrasos no desenvolvimento de produto (34%)

Novas tendências, novos desafios

A verdade é que as tendências empresariais, tais como big data, mobilidade e cloud híbrida criam novos desafios para a proteção de dados. E na realidade, 51% das empresas não têm um plano de disaster recovery para nenhum destes ambientes e apenas 6% têm um plano comum a todos. Aliás, 62% consideram big data, mobilidade e cloud híbrida como “difícil” de proteger. Com 30% de todos os dados primários localizados em alguma forma de armazenamento na cloud, isso poderia resultar numa perda substancial desses dados

A adoção de tecnologias avançadas de proteção de dados diminui drasticamente a probabilidade de interrupção. E, muitas empresas recorrem a vários fornecedores de TI para resolver os seus desafios de proteção de dados. No entanto, uma abordagem baseada em silos na implementação recorrendo a vários fornecedores pode aumentar os riscos, segundo esta empresa.

Diz a EMC que as empresas que não tenham implementado uma estratégia de disponibilidade contínua são duas vezes mais propensas a sofrer perda de dados do que as que têm. “As empresas que utilizam três ou mais fornecedores para fornecer soluções de proteção de dados perdem três vezes mais dados do que aquelas que unificam a sua estratégia de proteção de dados em torno de um único fornecedor”. Aqui em Portugal, tal como dito antes, a realidade é similar. E quando questionados sobre o porquê de terem mais do que um fornecedor, Isabel Res diz que basicamente por “medo” de ficarem “reféns” de um único fornecedor.

Empresas com mais fornecedores gastam mais dinheiro

Outro dado salientado neste Index é que as empresas com três fornecedores provavelmente gastaram uma média de três milhões de dólares a mais na sua infraestrutura de proteção de dados em comparação com as que trabalham com apenas um fornecedor.

Os participantes neste estudo receberam uma pontuação baseada nas suas respostas, colocando por ordem a sua maturidade no que diz respeito à proteção de dados numa de quatro categorias (ver metodologia para mais detalhes).

Ora bem, a grande maioria – 87% – das empresas classifica-se nas duas últimas categorias de maturidade na proteção de dados. Globalmente, 13% estão à frente da curva do ranking, com 11% classificadas como “adopters” e 2% consideradas “Leaders”

A China tem o maior número de empresas à frente da curva (30%) e os Emirados Árabes Unidos o menor (0%). Por outro lado, empresas grandes com mais de cinco mil colaboradores tinham duas vezes mais probabilidades (24%) para estar à frente da curva do que as pequenas empresas de 250-449 colaboradores (12%); as empresas nos EUA e Holanda foram as maiores vanguardistas fora da Ásia-Pacífico e Japão (a 20% e 21%, respetivamente).

Como conclusão, Isabel Reis admite que em países como Portugal, Itália, Espanha e Grécia, “só depois de casa roubada é que há trancas à porta”. “Claro que há empresas que estão bem preparadas para lidar com todos estes novos conceitos. O mercado financeiro as telco e utilities estão na vanguarda. Mas a maioria das empresas ainda está naquela fase que sabe que precisa fazer alguma coisa, não sabe é muito bem o quê”.


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