Empresa israelita está a ajudar o FBI a arrombar iPhone

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O FBI pediu a um tribunal de Riverside que adiasse a audiência prevista para esta semana. Porquê? Segundo o Departamento de Justiça, há uma terceira entidade a ajudar a agência a arrombar o iPhone 5c de um dos terroristas dos ataques em San Bernardino, Califórnia. O maior jornal israelita diz que é a empresa Cellebrite.

A Cellebrite é uma empresa que desenvolve software forense para telemóveis e está a colaborar com FBI no caso do iPhone 5c encriptado, de acordo com o jornal Yedioth Ahronoth, o maior diário pago de Israel, que cita especialistas em segurança próximos do processo. A empresa está sediada numa cidade perto de Tel Aviv, Petah Tikva, e tem um contrato com o FBI assinado em 2013 (o ano em que Edward Snowden revelou o escândalo da vigilância da NSA).

A tecnologia da Cellebrite permite extrair informações para investigações criminais ou de inteligência, mesmo que o smartphone esteja bloqueado ou encriptado. É algo que até aqui parecia impossível, dado o braço de ferro entre a Apple e o FBI, que conseguiu uma ordem do tribunal para que a tecnológica desenvolvesse uma versão especial do iOS para este iPhone 5c. A Apple recusou e recebeu o apoio de Silicon Valley, com gigantes como o Facebook a alinharem na posição de não desenvolver software destinado a permitir o arrombamento de um iPhone.

A Cellebrite não comentou a notícia, mas a Apple já veio dizer que quer saber exatamente como é que o FBI planeia quebrar a encriptação do iPhone de Syed Farook, um dos dois terroristas que em dezembro matou 14 pessoas num centro comunitário de San Bernardino com a ajuda da mulher, Tashfeen Malik.

A empresa israelita consegue extrair dados de 15 mil modelos de telemóveis e tablets, e também consegue desenhar um mapa de conexões entre o dono do telefone e a pessoa que ele contactou. Segundo o Yeditoh Ahronoth, os clientes governamentais e policiais da Cellebrite estão espalhados por 90 países e já conseguiram resolver crimes complicados com a tecnologia da empresa. Um exemplo aconteceu no Connecticut, em que o assassino foi identificado através de mensagens incriminatórias extraídas do seu telemóvel – era o filho da vítima.

Noutro caso, a Interpol usou esta tecnologia para acabar com uma rede de criminosos que extorquiam as vítimas online por conteúdos sexuais.


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