É inevitável que surja um novo ciclo de investimentos nas TI

Negócios

Após um período prolongado de retração no investimento, é inevitável que surja um novo ciclo de investimentos, associados à substituição das plataformas aplicacionais e de sistemas existentes, a novas obrigações regulatórias e à vontade de inovar em serviços e tecnologias ao serviço dos clientes, sejam públicos sejam privados. Pelo menos é no que acredita Luís

Após um período prolongado de retração no investimento, é inevitável que surja um novo ciclo de investimentos, associados à substituição das plataformas aplicacionais e de sistemas existentes, a novas obrigações regulatórias e à vontade de inovar em serviços e tecnologias ao serviço dos clientes, sejam públicos sejam privados. Pelo menos é no que acredita Luís Deveza, presidente do Conselho de Administração da Unisys, em entrevista à “B!T”.

Luis Deveza

Exatamente qual a vossa estratégia para o mercado empresarial nacional?

A atual estratégia da Unisys, centrando os seus esforços no fortalecimento das suas competências, foi relançada há três anos, quando foi decidido reforçar a proximidade aos clientes, acompanhando de forma mais próxima as tendências tecnológicas que estavam a orientar os seus investimentos. Estas prioridades determinaram uma cada vez maior integração da oferta tecnológica e de serviços, bem como o reforço da atenção dada pelos seus profissionais às principais iniciativas de TI por parte do mercado. Estes resultados refletem o reconhecimento das competências da Unisys para endereçar os desafios atuais das organizações em áreas fundamentais – segurança, colaboração interna, serviço e fidelização de clientes (munícipes/cidadãos), suporte ao utilizador final, mobilidade – enquadradas por objetivos de racionalização de custos, inovação, eficácia operativa e ampla digitalização de processos. Especificamente no mercado nacional, a Unisys tem estado focada em inovar e apoiar, com base nas TIC, os processos de transformação de modelos de negócio e/ou operacionais em conjunto com os nossos clientes, e em adaptar a nossa atuação (retorno mais rápido, maior interligação negócio-TIC, avaliação de risco reforçada, etc.) a estas novas condições de mercado.

 

 Num evento que realizaram em julho, abordaram uma “recente evolução de negócio”. Que evolução foi essa e porque sentiram necessidade de a realizar?

A Unisys Portugal teve um ano de 2013 positivo. O crescimento do volume de negócio em 2013 vs. 2012 foi de cerca de 4%, no total de vendas e prestações de serviços, sendo que a carteira de encomendas teve um crescimento superior a dois dígitos. Estes sinais estão em linha com as previsões da empresa. Voltámos a sentir uma maior procura, o que indica que a nossa oferta estava em sintonia com os requisitos do mercado nacional. E, a nível internacional, consolidámos as exportações. Tanto as exportações diretas, em que lidamos diretamente com clientes como as exportações indiretas, em que servimos como base nearshore de serviços para outras subsidiárias Unisys na Europa (caso maioritário) ou Brasil. Como resultado da retoma do mercado nacional e das exportações voltámos a crescer o nosso grupo de profissionais de forma significativa.

 

 Quais as vossas prioridades?

Em termos de mercados, as nossas principais prioridades são a Administração Pública, o Sector Financeiro, as Utilities e outros segmentos da área de Serviços. Em termos de oferta, destacaria a Modernização Aplicacional (especificamente as áreas de CRM, Gestão Documental/Workflow, Portais e BI, e outras mais específicas para alguns mercados verticais como é o caso do Banca/Seguros) e a Modernização de Sistemas (especificamente a transformação da infraestrutura tecnológica em centro de serviços com uma gestão otimizada, automatizada e normalizada – Hybrid Enterprise). Adicionalmente, a oferta contempla também a componente de Segurança (da Auditoria e Consultoria de Segurança e Conformidade aos Centros Operativos de Monitorização e Operação de Segurança maximizando a proteção dos recursos) e o Suporte ao Utilizador Final (dando suporte à orientação de externalização da área por parte de alguns clientes).

 

Hoje como se assume a Unisys no mercado?

A Unisys é uma empresa global especializada no desenvolvimento e implementação de projetos complexos de TI combinando inovação com os requisitos operacionais dos seus clientes. Mantemo-nos fiéis às origens da empresa, de desenvolvimento de sistemas de missão crítica no apoio ao negócio dos nossos clientes, acompanhando em simultâneo as principais tendências tecnológicas. Trabalhamos com empresas e organizações líderes dos seus setores com o objetivo de garantir a segurança e manter um desempenho máximo das operações críticas, otimizar e transformar os centros de dados, melhorar o suporte aos utilizadores finais e outros intervenientes e modernizar as aplicações empresariais. A oferta da Unisys inclui serviços geridos e de outsourcing, integração de sistemas e serviços de consultoria, tecnologia de servidores de gama alta, software de cibersegurança e de gestão da cloud, bem como serviços de manutenção e de suporte.

 

 O que vos distingue da demais concorrência? Em que é que se destacam? Quais as vossas mais-valias?

A Unisys é uma empresa multinacional que se distingue da sua concorrência em função competência das suas equipas, dos seus produtos e serviços e, por fim, de um fator em que apostamos de forma clara: a proximidade com os clientes. A Unisys é uma empresa com um forte legado de qualidade e competência, sendo reconhecida em todo o mundo como uma referência na área de integração e desenvolvimento de soluções tecnológicas. As principais mais-valias residem nas seguintes áreas. A primeira é a proximidade com o cliente e oferta orientada. A proximidade da Unisys para com os seus clientes é a base do sucesso das soluções de TI implementadas. Através desta visão, a empresa consegue acompanhar as mudanças tecnológicas e transformações operativas e de modelo de negócio projetadas por cada cliente, permitindo apresentar as soluções mais adequadas às necessidades e desafios concretos de cada organização. Depois, pela experiência internacional. Fruto da sua cobertura internacional de há longa data, a Unisys faz uso dos seus conhecimentos e rede de melhores práticas mundiais para orientar soluções com o objetivo de assegurar um rápido retorno de investimento aos seus clientes.

 

Como está a decorrer o negócio em 2014? Está a ir de encontro às vossas expectativas?

O negócio da Unisys em 2014 está a correr em linha com as expectativas da empresa, na sequência da evolução positiva que temos vindo a sentir desde o ano passado. Os resultados em Portugal foram de crescimento versus o semestre homólogo de 2013, recordando que no início do ano passado o mercado e a economia em geral passavam por ambiente recessivo. O crescimento do negócio mantém-se de forma consistente e o crescimento das encomendas tem sido ainda mais forte, o que nos dá uma previsibilidade forte para os resultados positivos que esperamos alcançar até ao final do ano. Fruto desse sucesso, estamos a fazer crescer de forma consolidada o número de colaboradores da empresa. A nossa expectativa para o corrente ano é continuar o registo positivo do ano anterior, com especial foco no desenvolvimento nas inovações tecnológicas anteriormente referidas e que têm tido um forte peso na estabilidade e crescimento da empresa em Portugal.

 

O que almejam para 2015?

Os objetivos para 2015 passam pela consolidação das áreas de aposta já referidas., esperando que a economia recupere e, assim também, os próximos investimentos de TIC. Pretendemos que a empresa continue a consolidar a sua posição não só como empresa de referência na área de integração de TI mas também desenvolver as parcerias que detém com os diversos players do mercado em Portugal bem como consolidar a relação de proximidade com parceiros como a Microsoft, através de projetos estratégicos como a criação recente do nosso Centro de Competências.

 

As empresas já voltaram a investir em TI ou continuamos a assistir a um consecutivo adiar do investimento?

Acreditamos que, após um período prolongado de retração no investimento, é inevitável que surja um novo ciclo de investimentos, associados à substituição das plataformas aplicacionais e de sistemas existentes, a novas obrigações regulatórias e à vontade de inovar em serviços e tecnologias ao serviço dos Clientes, sejam públicos sejam privados. Existe aliás um conjunto de novas tecnologias, como é o caso da Cloud, da Mobilidade, da Cibersegurança, dos Apliances, do Social Computing, da informação gerada por sistemas de Big Data/Smart Computing – que as organizações portuguesas têm, crescentemente, adotado para a racionalização de custos, eficácia operativa e promoção de novas oportunidades de negócios.

 

 Quais os grandes desafios que estes períodos economicamente menos favoráveis vos têm trazido?

As crises ajudam as empresas não só a reinventarem as suas soluções mas, também, a apostarem em áreas que garantam um crescimento mais sustentado para o futuro. Em Portugal, as condicionantes do mercado interno, a necessidade e oportunidade de aumento das exportações, a diminuição do sobre-endividamento, a redução do défice público e a procura de rentabilidade positiva tem levado as organizações públicas e privadas a iniciativas de transformação e adaptação que têm tido impacto nos investimentos em TIC – criando, simultaneamente, um problema e uma oportunidade. No caso específico da Administração Pública, pese embora tenha tido avanços importantes e continuados no uso das TIC, necessita de um novo impulso digital que potencie melhorias na qualidade, disponibilidade e integração de serviços. Em termos de país, é de referir que existe uma nova geração qualificada de profissionais de TI que procura projetos e empresas – nacionais e internacionais – que sejam estimulantes e lhes possibilitem realizar-se profissionalmente, designadamente, trabalhando para fora, cá dentro. O país tem que saber aproveitar estes recursos evitando que emigrem ou mudem de setor com perca de competências a nível nacional. Para a Unisys, e fruto do realinhamento internacional e das suas repercussões nacionais, acreditamos estar preparados para responder às necessidades atuais e futuras dos nossos clientes.

A estratégia de enfoque da Unisys

No início do corrente ano, a Unisys Corporation lançou as bases da sua abordagem futura ao mercado e ao negócio. Esta alteração, garante Luís Deveza, implica uma organização que privilegia uma maior eficácia comercial, uma unidade central de gestores de acompanhamento de clientes e uma unidade para utilização de canal comercial indireto para tecnologias específicas. “Finalmente, foi reforçada uma unidade de serviços integrada, visando uma maior integração da oferta como requerido pelo mercado”, disse o presidente do Conselho de Administração.

Adicionalmente, o gestor avançou que foram apresentadas ao mercado um conjunto de inovações tecnológicas para áreas consideradas críticas e em que a Unisys tem reconhecidas competências, referidas em seguida:

Stealth – Solução inovadora de Cibersegurança baseada em software, para diminuição de riscos no acesso a dados, aplicações, redes e sistemas;

Forward! – Sistemas para Centros de Dados modernos, ágeis, flexíveis, escaláveis, com comportamento previsível e de grande performance e bom balanceamento entre ambientes virtuais e físicos;

IT as a Service – Ambientes de Cloud para simplificação de processos de gestão de serviços de TI como, por exemplo, o Edge Service Management, solução e plataforma SaaS para simplificação de processos de gestão de serviços;

WaaS / Flexible Workspace – Aproximação ao suporte ao utilizador final disponibilizando um Espaço de Trabalho Flexível com acesso às aplicações e dados, através de qualquer dispositivo, suportado por um portal de self-service e focado na experiência de utilização;

“A estratégia de enfoque da Unisys para reforçar as suas competências teve início em Portugal há três anos, através de um acompanhamento mais próximo dos ~clientes e das tendências tecnológicas que estavam a orientar os seus investimentos face às novas condições de mercado. Este enfoque determinou também uma maior integração ao nível da nossa oferta tecnológica e de serviços, bem como reforço da atenção dada ao acompanhamento de clientes”, diz o responsável, acrescentando que estas áreas de investimento foram desenhadas para, em conjunto, ter um forte contributo para o constante e sustentado aumento do volume de negócios da empresa em Portugal.


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