Correios privatizados estreiam-se hoje na Bolsa

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A estreia dos CTT em bolsa tem estreia marcada para esta quinta-feira às 10h30. Os investidores britânicos orientaram os radares para Portugal, um mês e meio depois da estreia dos correios do Reino Unido em bolsa, passando a controlar 15 por cento do capital dos CTT. A privatização de 70 por cento dos correios traz

A estreia dos CTT em bolsa tem estreia marcada para esta quinta-feira às 10h30. Os investidores britânicos orientaram os radares para Portugal, um mês e meio depois da estreia dos correios do Reino Unido em bolsa, passando a controlar 15 por cento do capital dos CTT.

sam_0073A privatização de 70 por cento dos correios traz para o mercado 25433 novos acionistas. O Estado vai assim manter 30 por cento do capital, mas 40 por cento vão ficar nas mãos de estrangeiros.

Depois dos investidores britânicos, que passam a controlar 15 por cento do capital, seguem-se os norte-americanos, que vão passar a controlar 7,3 por cento da empresa. Os pequenos investidores, na grande maioria portugueses, ficaram com uma participação de 12,6 por cento.

A Parpública, empresa estatal, continua a ser acionista, com 30 por cento do capital, seguindo-se os investidores institucionais, com 56 por cento, o público em geral com 12,6 por cento e os trabalhadores, com 1,36 por cento.

Segundo as informações avançadas pelo Presidente dos CTT, Francisco Lacerda, “os investidores portugueses detêm ainda 56,8 por cento do capital”. De entre esses 56,8 por cento, 23 são adquiridos pelos institucionais e os 14 por cento comprados pelos trabalhadores e pequenos investidores. Os investidores alemães ficam com dez por cento do capital.

Os resultados da privatização dos CTT foram conhecidos ontem. Os investidores estrangeiros ficam assim com 64,9 milhões de ações dispersas no mercado de capitais. Este negócio vem permitir ao Estado português encaixar quase 580 milhões de euros.

Das 84 milhões de acções destinadas a investidores institucionais, 64,7 milhões foram adquiridas por estrangeiros. Destas, 22,7 milhões foram alocadas a accionistas do Reino Unido. Os norte-americanos têm ordens de compra para 10,93 milhões de títulos. Já os alemães adquiriam 8,4 milhões de acções.

“A elevada procura externa mostra uma elevada confiança no mercado de capitais português”, afirma Pires de Lima, Ministro da Economia, destacando o facto de Portugal ser o primeiro país sob assistência financeira a arriscar fazer uma oferta pública de venda em Bolsa.

“O sucesso dos CTT abre caminho para outras empresas entrarem no mercado de capitais”, acrescentou o ministro.

O grande destaque vai para os investidores britânicos. Curiosamente, o Reino Unido também optou recentemente por privatizar em bolsa a empresa estatal de correios. A venda de mais de metade do Royal Mail no mercado de capitais ocorreu no passado mês de outubro. Esta privatização inspirou o Governo português quando, no dia dez de outubro, optou pelo modelo de dispersão em bolsa, em detrimento de uma venda direta a investidores de referência.

Também a Bélgica, em junho deste ano, tinha alienado no mercado de capitais uma participação importante da empresa de correios Bpost.

Os detalhes sobre o perfil dos investidores não foram divulgados na apresentação de ontem, mas sabe-se já que se trata maioritariamente de fundos de investimento e de fundos de pensões muito focados nos dividendos que os CTT terão para oferecer.

Os investidores institucionais portugueses ficam com 19,3 milhões de ações, o que representa 12,9 por cento do capital. O retalho contribuiu com ordens de compra de mais 20,8 milhões de ações, acrescendo mais uma participação de 13,8 por cento nos CTT. Desta forma, os institucionais e o retalho garantiram 26,7 por cento da empresa.

Cerca de 25500 pequenos investidores tornaram-se acionistas dos CTT, tendo a maioria deles recebido entre cem e 500 ações. Por os trabalhadores terem aderido pouco, foi transferida para o público em geral uma fatia do capital que pertencia aos antigos e atuais funcionários da empresa. Assim, os pequenos investidores ficam com uma participação de 12,6 por cento, mais 2,1 por cento do previsto. Os trabalhadores passam a controlar apenas 1,4 por cento.

Os funcionários tinham um desconto de cinco por cento sobre o preço das ações, mas devido a parte da fatia que lhes pertencia ter sido transferida para o público em geral, o encaixe que o Estado obtém com esta privatização aumentou.

Na cerimónia de ontem, Pires de Lima confirmou que o presidente dos CTT, Francisco Lacerda, deverá manter-se na empresa, mas essa decisão ainda depende de aprovação em assembleia geral.

Hoje decorre a liquidação física de ações e a estreia em bolsa dos CTT.


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