Congresso das Comunicações discute outsourcing e co-sourcing em Portugal

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O auditório dois do Centro de Congressos de Lisboa encerrou o Congresso das Comunicações com a sessão “Outsourcing ou Co-sourcing: que desafios?”. As principais tendências do setor de outsourcing e as suas estratégias de reforço da sua oferta de valor foram os temas debatidos na conferência. Os serviços de outsourcing têm registado um significativo aumento

O auditório dois do Centro de Congressos de Lisboa encerrou o Congresso das Comunicações com a sessão “Outsourcing ou Co-sourcing: que desafios?”. As principais tendências do setor de outsourcing e as suas estratégias de reforço da sua oferta de valor foram os temas debatidos na conferência.

OutsourceOs serviços de outsourcing têm registado um significativo aumento devido ao reforço da competitividade e da redução de custos. Portugal dispõe atualmente de competências nessa área para exportação de soluções das empresas nacionais.

No início da sessão foram dados a conhecer alguns aspetos importantes da área de outsourcing. Os serviços de Tecnologias da Informação e da Comunicação neste setor refletem-se em três aspetos: Outsourcing de Tecnologias da Informação (ITO), Outsourcing de processos de negócio (BPO) e Cloud Computing.

O mercado de outsourcing em Portugal tem-se mantido relativamente estável nos últimos anos, apesar de se registar um maior aumento de BPO do que em ITO.

O moderador do debate, Fernando Resina da Silva, sócio da área de TMT, mostrou aos presentes na conferência um quadro onde foram apresentadas algumas das vantagens e desvantagens das competências de Portugal em Tecnologias da Informação e Comunicação.

As vantagens apresentadas foram as seguintes: Ambiente interno maduro; Elevados índices de TIC e inovação; Profissionais altamente qualificados; Domínio de línguas estrangeiras; Infraestruturas de qualidade.

As desvantagens apresentadas foram a falta de estabilidade e elevada carga do sistema fiscal; reduzida adesão da Administração Pública; legislação de contratação pública.

A Gartner classificou Portugal nos últimos três anos como sendo um dos 13 países mundiais desenvolvidos líderes para a prestação de serviços de TI e Business Process Outsourcing.

Relativamente ao mercado de outsourcing em Portugal, as opiniões dos diversos oradores presentes na conferência divergiram.

Sérgio Moraes, Diretor-Geral da SIBS Processos, foi o primeiro orador a falar na sessão, mostrando a sua visão otimista relativamente ao outsourcing no nosso país. “A visão que faço do outsourcing é que é um conceito que veio para ficar e hoje é já uma realidade que vivemos nos nossos dias e que tem tendência para perdurar”, afirma.

Já Maria do Carmo Palma, Diretora Executiva da Novabase, e José Galamba de Oliveira, Presidente do Conselho de Administração da Accenture Portugal, partilham uma visão mais negativa. “Há contratos a acontecerem mas não estão a acontecer ao ritmo que esperávamos. O outsourcing é realmente uma área que continuamos a olhar com interesse mas não com a evolução que esperaríamos”, confessa a Diretora Executiva da Novabase.

José Galamba de Oliveira partilha a mesma opinião de Maria do Carmo: “Portugal está numa situação um pouco diferente do resto do mundo. No último ano este setor também ajustou no processo de programa de reajustamento que estamos a passar”, refletiu o Presidente do Conselho de Administração da Accenture Portugal, acrescentando que o outsourcing é “um negócio que em Portugal ainda tem um longo caminho a percorrer”.

Já José Carlos Gonçalves, Senior Vice-President Southern Europe da CGI, discorda da opinião destes dois oradores. “O negócio de outsourcing não é uma novidade em Portugal, muito pelo contrário, é mesmo já muito antigo. E é uma atividade madura”. “Aquilo que fazemos no nosso país é do melhor que se faz nesta área, porque temos capacidade técnica e inovação”, acrescentou.

Frederico Moreira Rato, Vice-Presidente do Conselho de Administração da Reditus, partilha a mesma opinião deste orador. “Portugal reúne as condições fundamentais para fazer evoluir o negócio de outsourcing”, garante.

José Galamba de Oliveira, acrescentou que “ainda existe muita confusão no mercado sobre o que é outsourcing”. Relativamente a co-sourcing, o Presidente do Conselho de Administração da Accenture Portugal diz que este “aparece muitas vezes quando o cliente quer ter uma palavra a dizer na partilha do conhecimento”. José Galamba acrescentou ainda que a Administração Pública deve ser uma oportunidade para o co-sourcing.

Já José Carlos Gonçalves, explica que para si o conceito de co-sourcing “é relativamente novo e obriga a uma maior conexão entre o cliente e os fornecedores”.

O moderador do debate levantou ainda a questão sobre o estado da Administração Pública em termos de outsourcing, à qual respondeu Maria do Carmo Palma. “O negócio de outsourcing tem aumentado na Administração Pública, sobretudo no Reino Unido. No entanto em Portugal este é ainda um setor muito tímido. Há ainda muito a fazer neste sentido”, explica a Diretora Executiva da Novabase. “O grande desafio na Administração Pública é a confiança que é preciso existir para se fazer contratos em outsourcing”, acrescentou.

A oradora respondeu ainda à questão do que falta a Portugal para exportar mais serviços em outsourcing. “Portugal ainda não é visto como um país de referência em serviços de outsourcing, e esse é o principal desafio, fazer do nosso país um país de referência neste setor”, afirma Maria do Carmo Palma.


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