Congresso APDC: Um setor orgulhoso… mas frustrado

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Portugal tem tudo. Tem uma boa cobertura 4G, redes de nova geração, penetração de rede de banda larga fixa… Tudo. Mas a verdade é que a população e as empresas tiram menos partido do que o desejado dessa realidade, disse Rogério Carapuça, o presidente da APDC na abertura do 26.º Congresso que decorre hoje e amanhã no Centro Cultural de Belém. E por isso admite, tem um grande orgulho no setor, que representa 8% do PIB, mas uma certa frustração pela relativamente baixa utilização daquilo que este mercado é capaz de disponibilizar.

Segundo o Digital Economy and Society index da União Europeia referente a 2016, Portugal aparece no meio da tabela dos estados-membros onde a economia e a cidadania digitais estão mais desenvolvidas. Fomos o segundo país a ter uma evolução mais rápida nos últimos anos e temos das melhores condições da Europa em termos de rede de nova geração, com uma cobertura que chega a 91% da população.

E a penetração da rede de banda larga fixa é de 66,1%, sendo que 31% destes acessos é feito através de fibra.

Em 4G, diz o relatório que temos 67% do território coberto, o que nos confere o 25.º lugar do ranking mundial. Estamos ainda entre os primeiros países em termos de serviços públicos online.

Mas, por outro lado, a transformação digital dos negócios ainda não é uma realidade e estamos abaixo da média europeia em termos de intensidade dessa transformação digital, salientou Rogério Carapuça.

Por tudo isto, diz o presidente da APDC que a nossa maior fragilidade acaba por ser o baixo nível de competências digitais dos cidadãos, com a população a não ter os “skills” digitais básicos. Aliás, 28% nunca usou a internet.

“Este facto, mais o baixo poder de compra, faz com que a utilização seja sempre muito menor do que a disponibilidade de infraestruturas e serviços”, disse no Digital Business Congress.

Em forma de resumo, Rogério Carapuça admite que este setor, que representa cerca de 8% do PIB, tem cumprido cabalmente a sua missão, criando a infraestrutura física e aplicacional necessária e promovendo a sua utilização ao melhor nível da União Europeia, quer pelas entidades públicas, quer pelas privadas.

No entanto, assume, “a nossa população e empresas tiram menos partido do que o desejado dessa realidade. Temos por isso um grande orgulho como setor e uma frustração pela relativamente baixa utilização daquilo que somos capazes de disponibilizar”.

Mas de onde vem a falta de capacidade para utilizar estas estruturas quando o nosso ensino superior é bom em muitas áreas e quando cerca de um terço dos jovens se licencia? A verdade é que, segundo o presidente, não temos literacia digital necessária para competir à escala internacional. “Este é um dos défices estruturais que ainda temos para vencer”.

Aliás, diz Rogério Carapuça que esta nova era de revolução tecnológica a que assistimos não vai propriamente fazer os negócios ficarem mais eficientes e eficazes como até há pouco, mas, antes, substituir negócios existentes por novos negócios. “Derrubar negócios clássicos e instituir uma nova ordem económica. Mudar o balanço do poder entre organizações e regiões do mundo”.

Segundo o presidente, pela primeira vez na História Universal das sucessivas revoluções industriais, estamos a assistir à criação e consolidação de empresas globais mais fortes, mais populares e com mais poder económico que muitos estados.

Há ainda depois o facto de 2015, nas telecomunicações, ter sido o oitavo ano consecutivo de quebra de receitas do mercado nacional, uma tendência transversal a toda a Europa, mas com consequências significativas no valor das empresas. “O somatório das capitalizações bolsistas dos operadores de telecomunicações norte-americanos entre 2014 e 2014 passou de 200 mil milhões de dólares para 500 mil milhões. Em uma década, mais do que dobrou, enquanto na Europa se manteve praticamente no mesmo valor, cerca de 250 mil milhões”.

E por isso, apesar das pressões que resultam da redução de receitas em Portugal, “o segmento de operadores apresenta uma dinâmica competitiva crescente num mercado cada vez mais integrado e convergente e que traz inevitáveis benefícios para o cliente o ofertas cada mais completas e competitivas e serviços inovadores”.

Mas de uma coisa Rogério Carapuça não tem qualquer dúvida: a economia tem de crescer. “Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão. Portugal e a Europa têm de crescer e isso exige um esforço combinado entre a sociedade e os poderes públicos. A criação de um ecossistema de inovação muito mais forte é determinante para a Europa e Portugal ”.

 


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