Congresso APDC: A cidadania plena (também) depende da tecnologia

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A cidadania plena (também) depende da tecnologia. E só dessa forma faz sentido a inovação, o empreendedorismo e a evolução. Foi esta a mensagem que o 26.º Congresso da APDC – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações passou aos 1600 congressistas (mais 400 do que o ano passado) e 80 oradores presentes no Centro Cultural de Belém onde se realiza este Digital Business Congress.

Um congresso presidido por Marcelo Rebelo de Sousa que alertou os presentes para o facto de, muitas vezes, nos faltar a noção exata da dimensão social do papel desta indústria. “A razão de ser de tudo o que é feito por vós, e por nós, é a projecção, a utilidade e o progresso social. O objetivo tem de ser a ultrapassagem das desigualdades, das exclusões e dos distanciamentos da sociedade portuguesa. É bom que tenhamos essa noção, porque às vezes estamos tão embrenhados no que fazemos que perdemos o objetivo. E o objetivo tem de ser social, senão não tem razão de ser. Pode realizar-nos em termos pessoais mas não nos realiza em termos comunitários”.

Marcelo Rebelo de Sousa diz que há que encontrar uma forma de chegar aos portugueses que ainda não têm uma base digital. “Há, de facto, dois países em Portugal”, mencionou o Presidente da República. Um país que tende a ser dominante e um país que fica residual, excluído. “E esta clivagem é praticamente etária. Um país mais jovem e outro mais envelhecido. Nenhum país consegue afirmar-se comunitariamente com uma clivagem destas”.

Por outro lado, diz Marcelo Rebelo de Sousa que a pujança dos mais jovens corresponde a uma alteração de paradigma na comunicação agora digitalizada em Portugal. “Bastaria comparar os gestores e algumas empresas cimeiras que pelos vossos congressos passaram há 10 ou mesmo cinco anos com os protagonistas de hoje para se perceber que também aqui é de um novo mundo que estamos a falar”.

E onde antes empresas e capitais públicos e privados portugueses avultavam abrem-se agora caminhos diferentes. Cuja evolução está, diz o Presidente, porventura longe de se encontrar definida em termos estruturais.

Uma revolução silenciosa. É desta forma que Marcelo Rebelo de Sousa classifica a nova onda do digital, aliada à inovação empresarial e starups. “Há agora que estimular essa revolução silenciosa, dar-lhe mais visibilidade e dar-lhe o seu sopro criador ao outro Portugal mais sofrido pelo passado e menos virado para o futuro. Permitam-me ser ainda mais claro: temos de nos assumir mais como aquilo que constitui a nossa vocação desde sempre. Uma plataforma entre culturas, civilizações e continentes”.

Para isso, Marcelo Rebelo de Sousa diz ser preciso atrair mais investidores internos e externos com estratégias de médio e longo prazo. “Temos de cuidar de os atrair e não de os retrair, mesmo sem disso termos noção. Temos de apostar crescentemente na perspetiva TIC, nas telecomunicações, na produção de conteúdos para os media e de o fazer com uma estratégia também ela de médio e longo prazo. Temos de fomentar algumas roturas mas sobretudo promover inovação e incrementar”.

Diz ainda ser necessário olhar para o espírito irrequieto e irreverente das starups e pensar em rede e em parceria alargada. “Temos de reter talentos, mas para isso há que criar condições para os manter e promover a sua afirmação e multiplicação.”

Para Marcelo Rebelo de Sousa urge converter esta conjuntura virtuosa que atravessa algumas áreas da nossa economia, como o turismo e o empreendedorismo digital, numa realidade estrutural que fique, em vez de passar, como uma moda.


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