China: quando o gigante dos smartphones começa a encolher

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Tudo tem o seu tempo. E o fim da China como rainha do mercado de smartphones parece ter chegado. Em 2011, ganhava o título “maior mercado de smartphones do mundo”. Quatro anos depois, sofria a primeira queda – menos 4,3 por cento de smartphones vendidos no país, no primeiro trimestre deste ano. Apesar de ser uma retração ligeira, já fez tremer os principais fabricantes de smartphones.

No mundo, existem cerca de 1,3 mil milhões de smartphones em uso. Um terço pertence à China, que tem sido responsável pela procura crescente por estes dispositivos. O país era assim um pilar seguro para os produtores nacionais e estrangeiros. Mas, depois de seis anos a prosperar, o mercado de smartphones chinês começou a fraquejar. Porquê? Porque “está cada vez mais saturado”, esclarecem os analistas da Bloomberg Matthew Kanterman e John Butler.

A explicação não é de todo insondável. Aliás, é bastante simples: quase todas as pessoas que queriam ter um smartphone, na China, já o têm. Como explicou Ryan Reith, o diretor de programas para dispositivos móveis da IDC, em declarações à revista Wired, a maioria dos utilizadores de telemóveis da China já usa smartphones, o que deixa pouco espaço para novos compradores.

A Samsung, a Apple e a Lenovo compõem o pódio de maiores fabricantes de smartphones do mundo. Segue-se a companhia chinesa Xiaomi, mas que ocupa o primeiro lugar no seu país natal, a China. Em 2014, a empresa enviou 57,7 milhões de dispositivos para todo o mundo, mais 200 por cento do que no ano anterior, escreve a Bloomberg. As melhores estimativas para 2015 desenhavam mesmo os três dígitos – 100 milhões de unidades vendidas.

Mas a Xiaomi parece ter sofrido um duro golpe, aplicado pela contração do mercado interno. Os resultados para a primeira metade deste ano revelavam um crescimento de 33 por cento nas vendas de telemóveis, em relação a igual período de 2014. É verdade que a empresa cresceu, mas muito menos do que aquilo a que nos tinha habituado.

O abrandamento do negócio chinês também fez tombar empresas além fronteiras. Como explica a Bloomberg, em junho a multinacional taiwanesa HTC redefina a previsão para as receitas trimestrais, alegando “vendas mais fracas do que o esperado na China”; no dia 6 de julho, registava perdas de 257 milhões para o segundo trimestre do ano. Um dia depois, a Samsung anunciava um redução de quatro por cento nos lucros operacionais do mesmo período, com uma quebra nas vendas de smartphones Galaxy S6.

No meio desta devastação, parece haver ainda uma incólume: Apple, a suspeita do costume. Pelo menos, para já, a empresa de Cupertino ainda não sentiu os efeitos da diminuição da procura no mercado chinês. De acordo com a empresa de estudos de mercado IDC, citada pela Bloomberg, 87,5 por cento das vendas de telemóveis de gama alta na China eram iPhones, no primeiro semestre de 2015.

Mas nada está a salvo, avisa a Bloomberg, relembrando que a Apple ficou dois milhões de dólares abaixo das expetativas dos analistas para as vendas de iPhones na China, nos resultados do último trimestre. O CEO, Tim Cook, chegou mesmo a dizer que esta situação “podia criar lombas no curto prazo”.

Entrentanto já há um pretendente ao trono da China, a quem os fabricantes podem começar a dirigir-se. Com quase tantos habitantes quanto a China, a Índia tem ainda uma vantagem – uma baixa penetração de smartphones, de apenas 25 por cento. De acordo com a revista Times, a Índia representa mesmo a próxima grande oportunidade para as empresas de smartphones.

 


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