Celfocus assume-me como integrador de IoT

Negócios

Ajudar a gerir a diversidade. É este um dos papéis que a Celfocus, empresa que nasceu de uma joint venture entre Vodafone e Novabase, quer ter no mundo da Internet das Coisas, o afamado IoT. Daniel Dias, head of IoT da Celfocus, explica que este conceito de tudo comunicar com tudo veio esbater as fronteiras das áreas de atuação das empresas.

 

E vemos uma Google a ser um potencial player na área automóvel. Ou uma BMW a vender comunicações, papel antes apenas desempenhado pelas telco. Por tudo isto, e provavelmente muito mais, o responsável apresenta a Celfocus como um integrador de IoT.

Fruto de uma joint venture entre a Vodafone Portugal e a Novabase, não é de estranhar que a Celfocus tenha como principal mercado as telecomunicações. E que a internacionalização lhe esteja no ADN. Hoje, 80% do negócio da Celfocus é já realizado fora das fronteiras nacionais. Não só nas casas Vodafone mas também em empresas participadas pelo grupo.

Basicamente tudo começou em 2000 quando a Vodafone Portugal queria encetar um programa de transformação na área do Business Support Systems (BSS) e queria um parceiro de referência. Surge assim o nome da Novabase que acabou por resultar na atual joint venture.

Basicamente, hoje, a empresa trabalha em quatro grandes áreas. Na Business Support Systems, que envolve toda a área de CRM, Big Data, Analitics e integração; uma outra área que envolve a gestão das plataformas de rede, um terceiro setor de comunicações unificadas e, por último, o produto da One Net que a Celfocus fornece, desenvolve e gere para a Vodafone não só de Portugal, mas d o Reino Unido, Turquia e Albânia.

Daniel Dias
Daniel Dias, head of IoT da Celfocus

“Mas apesar de sermos Vodafone e vendermos para o grupo, não é por isso que ganhamos os projetos”, explicou Daniel Dias, head of IoT da Celfocus. “Concorremos com as grandes consultoras. Apenas é mais fácil, isso sim, porque nos abrem as portas. Mas não quer dizer que fiquemos para jantar, depende da nossa capacidade. E aí temos tipo um percurso deveras interessante.”

Este “interessante” mencionado por Daniel Dias resulta já em uma faturação anual de 50 milhões e uma força de trabalho de 800 pessoas, maioritariamente instaladas em Lisboa e Porto. “Há dois anos abrimos escritório no Porto onde trabalham cerca de 150 pessoas”. Internacionalmente a empresa tem escritórios no Dubai (20 pessoas), Istambul (60 pessoas) e no Reino Unidos dois espaços, um em Londres e outro em Newbury, onde o grupo Vodafone está sedeado.

IoT ganha peso

Mais recentemente, a área de IoT tem ganho particular destaque na estrutura da Celfocus. “Basicamente, pegamos nos conhecimentos que já tínhamos e expandimos para outras áreas. Temos ajudado o grupo Vodafone a desenvolver uma plataforma de IoT nestas áreas de expertise, onde destaco o nosso trabalho na área automóvel, um mercado muito importante, no qual lançamos recentemente o Internet in The Car, onde parte da solução fomos nós que desenvolvemos”.

Em muitos casos os produtos são próprios, nomeadamente na vertente do online, canais e order management, mas Daniel Dias também admite usar plataformas e soluções de outros softwares vendors.

“As empresas portuguesas já estão envolvidas no IoT e até, muitas vezes, a trabalhar para o exterior. No entanto, admito que, em Portugal, o investimento nesta área ainda está a começar. Acho que ainda é embrionário. Mas não é uma opção. Vai ter mesmo que ser. E acho que é um mercado que, como país, como cidades, nos vamos conseguir diferenciar. Mas temos de investir para não apanhar a carruagem a meio. Depois é mais complicado”.

Aliás, Daniel Dias sente que o mundo da Internet das Coisas é claramente disruptivo. “Como o próprio conceito é ligar tudo, está a fazer com que as fronteiras ou se esbatam ou se sobreponham em distintas áreas de atuação. Vemos que na área automóvel, por exemplo, uma BMW pondera ser a relação com o cliente na venda das comunicações, que tradicionalmente é feito por uma telco. Vemos a Google a vender carros”.

Um novo mundo sem fronteiras

Ou seja, hoje, as fronteiras esbatem-se. Está tudo ligado, tudo facilitado. “E mesmo do ponto de vista interno de uma empresa como a nossa, que está em conjunto com a Novabase, já não há esta segmentação do mercado. Já não há o: isto é só telecomunicações. Ou é só governo. Mas o mundo do IoT precisa de tudo. E precisa de tudo ligado. Quem é que lá vai? Que soluções é que são endereçadas? O desafio do IoT é também esse. Que as próprias empresas que fornecem e que estão a atuar em IoT entendam que está a haver uma reorganização, perceber qual o posicionamento”.

A imagem é mais ou menos esta. Um presidente de câmara quer fazer um projeto de IoT na sua cidade. Diz Daniel Dias que a principal dificuldade é decidir a quem é que compra. A quem fornece os equipamentos? Ou seja, a uma Cisco? Ou a quem fornece o transporte, como a Vodafone? Ou a quem faz a parte de TI, como a Celfocus, uma Novabase ou uma IBM? Ou até a quem lhe faz toda a atuação no terreno, como uma Visabeira? “É difícil neste momento perceber a quem comprar porque todas dizem que têm soluções”.

Assim, acima de tudo, Daniel Dias diz que o IoT está a trazer à superfície que é complicado uma única empresa conseguir entregar tudo. “Por isso, uma parceria é a chave. Não há forma de o evitar”.

Por tudo isto, e provavelmente muito mais, um dos focos desta empresa é precisamente ser um integrador de IoT. “O nosso papel é ajudar a gerir a diversidade. Ninguém tem tudo e nós estamos aqui para ajudar os nossos clientes nessa diversidade.”

CELFOCUS COM NOVAS INSTALAÇÕES NO PORTO

Dois anos após ter inaugurado o seu centro de investigação no Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC), a Celfocus está agora em Vila Nova de Gaia, no Arrábida Lake Towers. O novo escritório conta com mais de 800 metros quadrados, espaço para 200 colaboradores, e capacidade de expansão, permitindo acompanhar o futuro crescimento da empresa, disse a empresa em comunicado.

Com 130 colaboradores nas atuais instalações do Porto, esta mudança está diretamente relacionada com o crescimento do negócio. “Temos apostado fortemente na especialização e crescimento do nosso capital humano, o que nos tem permitido a criação de referências sólidas no mercado das telecomunicações a nível internacional. Esta mudança é, também por isso, o reflexo dos bons resultados obtidos nos últimos anos”, afirmou Paulo Trigo, CEO da Celfocus.

Apesar da mudança de instalações, a Celfocus assume que continuará a beneficiar da parceria com a UPTEC, continuando a “investir na identificação de recém-licenciados nas áreas de engenharia para formação interna nas tecnologias que compõem a sua oferta, complementada por profissionais de elevada senioridade em termos de capacidade técnicas, funcionais ou de gestão”.

 


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