Bosch dribla concorrência com sistema de carregamento sem fios

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Imagine uma ferramenta elétrica. Uma aparafusadora, por exemplo. Há que carregar atempadamente a bateria e planear o tempo necessário para tal, caso contrário a ferramenta não estará pronta a usar, certo? E se estivermos a falar no mercado profissional, como é o caso, é eventualmente necessário adquirir vários carregadores, para poder alimentar várias baterias em

Imagine uma ferramenta elétrica. Uma aparafusadora, por exemplo. Há que carregar atempadamente a bateria e planear o tempo necessário para tal, caso contrário a ferramenta não estará pronta a usar, certo? E se estivermos a falar no mercado profissional, como é o caso, é eventualmente necessário adquirir vários carregadores, para poder alimentar várias baterias em simultâneo. A Bosch resolveu dar uma ajudinha. E, em Berlim, apresentou um novo conceito: o “Wireless Charging System”, em português sistema de carregamento sem fios, que permite o carregamento indutivo de baterias e dispensa os contactos necessários até agora durante o carregamento. Mais ou menos como a escova de dentes elétrica, só que mais potente. Nada mais nada menos do que 50 vezes mais potente.

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A Bosch reuniu em Berlim um conjunto alargado de jornalistas internacionais para dar a conhecer sua novidade mundial de 2014: o “Wireless Charging System”. E fê-lo com popa e circunstância. O conceito é mais ou menos este. Apesar deste mercado estar bastante evoluído, é verdade que, até agora, havia sempre que carregar atempadamente as baterias dos equipamentos e planear o tempo necessário para tal. Além disso, havia que adquirir vários carregadores para que várias baterias pudessem ser alimentadas em simultâneo. Mais: a sujidade nos contactos bem como a montagem e desmontagem da bateria favorecem ainda o desgaste das mesmas. Em Berlim, a Bosch apresentou aquela que diz ser a solução para este “problema”. Chama-se “Wireless Charging System”, em português sistema de carregamento sem fios, e permite a alimentação indutiva de baterias, dispensando os contactos necessários até agora durante o carregamento. “O utilizador pode trabalhar sem interrupções sem precisar de uma nova bateria. O carregamento é integrado no fluxo de trabalho muito naturalmente. Resultado: ferramentas sempre prontas a funcionar sem obrigação de planeamento”, garante a empresa.

A base do “Wireless Charging System” para o carregamento de baterias é a indução eletromagnética entre bobinas: a corrente alternada passa pela chamada bobina primária alojada no carregador. Esta corrente alternada gera um campo magnético, que induz uma corrente e uma tensão na bobina secundária que está integrada na bateria. Estas são utilizadas para carregar a bateria.

 Conceito é semelhante à escova de dentes elétrica

Aliás, o princípio do “Wireless Charging System” já é conhecido nos eletrodomésticos, como a escova de dentes elétrica. Neste caso, a bobina primária encontra-se no carregador e a bobina secundária está instalada na bateria da escova de dentes. A diferença entre o carregamento de uma escova de dentes e da bateria de uma ferramenta elétrica reside na potência transmitida. Numa ferramenta elétrica sem fio, é necessária uma potência mais de 50 vezes mais elevada do que nas escovas de dentes elétricas convencionais (1 W), para atingir os mesmos tempos de carga que com os carregadores comuns para ferramentas elétricas.

Esta potência comparativamente elevada apresenta alguns desafios. Por exemplo, é necessário perceber quando se encontram objetos estranhos na área da transferência de energia, para que estes não aqueçam. Outra tarefa consiste em garantir com um carregamento indutivo a mesma potência que a produzida pelos carregadores standard.

 O processo de carga

Mas afinal como é que o processo de carga se faz? Segundo a empresa, quando todas as informações comunicadas entre o carregador e a bateria cumprirem os requisitos, o processo de carga inicia. Para tal, a bateria envia ao carregador uma sequência de identificação como sinal de partida. O carregador verifica continuamente o respetivo ambiente e para o processo, se descobrir na área da transferência de potência objetos metálicos que possam aquecer. Adapta continuamente o nível de potência durante o carregamento para condições ideais de carregamento e para imediatamente o processo de carga, se a bateria estiver totalmente carregada.

 Três variantes do conceito

Em Berlim, Josef Ortolf, diretor da área de produtos de ferramentas elétricas profissionais na Europa, no Médio Oriente e África, apresentou três variantes deste conceito. Primeiro, apresentou um “carregador de bancada” para trabalhos estacionários na oficina ou na produção industrial e que deverá estar disponível no mercado no outono de 2014. “Para o utilizador isso tem muitas vantagens: a ferramenta e a bateria estão sempre no local habitual e não é necessário procurá-las. Uma vez que a bateria é carregada em todas as pausas de trabalho da ferramenta, é suficiente a utilização de uma bateria de 2,0 Ah com peso reduzido. Dessa forma, o trabalho torna-se menos cansativo. Além disso, ficam excluídas as interrupções do trabalho associadas à troca de bateria e poupa-se em carregadores industriais”.

Já o “carregador de bolsa” foi concebido para aparafusadoras sem fio e é indicado para todos os utilizadores que queiram ter a ferramenta sempre ao seu alcance ‒ por exemplo colaboradores no serviço de reparações. Integrado no pequeno transportador, ocupa muito pouco espaço e carrega a bateria durante cada viagem. “Chegando ao local de utilização, não é necessário procurar nem desembalar a aparafusadora. Está sempre no sítio certo. Retira-se confortavelmente da bolsa e fica imediatamente pronta a usar. O mesmo se aplica à utilização na oficina: a aparafusadora fica instalada num espaço reduzido e está sempre à mão, quando precisa dela”.

Por último, e para operários que, para além da ferramenta, necessitam de levar para o estaleiro de obras muitos acessórios e consumíveis, o responsável indicou a solução móvel com L-Boxx e carregador no veículo. 2Durante a viagem, a L-Boxx é colocada totalmente dentro do carregador e dentro dela são carregadas até duas baterias em simultâneo. Chegando ao estaleiro de obras, a L-Boxx pode ser retirada do veículo como habitualmente e transportada confortavelmente para o local de utilização. Depois de concluído o trabalho, é novamente colocada no carregador e as baterias voltam a ser carregadas”.

A empresa afiança que as três soluções garantem uma produtividade consideravelmente mais elevada dos colaboradores”. Através dos utilizadores na área industrial sabemos que um colaborador despende, em média, de cerca de uma hora por mês com o carregamento de baterias. Para a empresa, isso implica custos na ordem dos 850 euros por ano. Se contarmos com 20 estações de trabalho equipadas com ferramentas sem fio, estes custos ascendem a 17.000 euros por ano”, disse Josef Ortolf aos jornalistas.

Em todos os casos, este responsável garante que a tensão da bateria é de 18 V, a autonomia da bateria é de 2,0 Ah. “As baterias e carregadores são compatíveis com todo o programa profissional de 18 V da Bosch”.

 “User Experience” como princípio orientador

Na conceção destas ferramentas, a Bosh diz orientar completamente a sua conduta, aliás como todos os seus processos, pela chamada “User Experience”. “Este conceito assenta no princípio de colocar o utilizador no centro de cada processo de inovação e não avaliar as coisas partindo de um ponto de vista interno, mas sempre pela ótica do utilizador. A nossa ambição é ter sistematicamente em consideração todas as interfaces entre nós, enquanto fabricante, e o utilizador, enquanto cliente: desde o momento da primeira informação a que o cliente acede, por exemplo, através da Internet, passando pela compra e pela colocação de um produto em funcionamento, até ao manuseamento durante a utilização, à assistência técnica em caso de reparação, à manutenção, ao aconselhamento generalizado, por exemplo, relativamente às ofertas ou acessórios adequados, e à eliminação de uma ferramenta”. Josef Ortolf diz que as necessidades do utilizador estão sempre no centro da nossa atenção e são a base do negócio.

Em concreto, o que é que isso significa para os nossos utilizadores profissionais? Henk Becker, membro do conselho de administração responsável pelo desenvolvimento, pelas ferramentas elétricas profissionais e pela técnica de medição explica que mais de 50% dos operários, como técnicos de aquecimento, refrigeração e de climatização e frio, eletricistas, serralheiros, pedreiros ou carpinteiros, desempenham diariamente tarefas que implicam mobilidade. Trabalham não apenas num local de utilização, mas sim quase sempre em vários locais de utilização sucessivos. Aí são confrontados com diferentes tarefas que têm de realizar o mais rápida e eficientemente possível. No entanto, continua, as investigações das pesquisas de mercado mostram que os operários passam apenas um terço do seu tempo a realizar as tarefas propriamente ditas, como medir, furar ou cortar. “A maior parte do seu tempo de trabalho, nomeadamente cerca de dois terços, é gasta em atividades improdutivas como procurar ferramentas e acessórios, montagens, compras ou viagens de ida e regresso do local de trabalho. Por isso, existe um enorme potencial para aumentar a sua produtividade. Um fator determinante para tal pode ser a criação de sistemas sem fio concebidos de forma inteligente”.

Aliás, este responsável acredita que os utilizadores valorizam a flexibilidade das ferramentas sem fio, mas também querem a autonomia de funcionamento ilimitada das ferramentas ligadas à corrente elétrica. “Além disso, o carregamento da bateria não pode prejudicar o fluxo de trabalho. Estes desejos vão ao encontro das inovações que já pusemos em prática nas ferramentas sem fio, como motores EC com poupança de energia e isentos de manutenção, baterias com tecnologia CoolPack para proteção contra um aquecimento demasiado rápido e elevado, com grande autonomia de funcionamento e durabilidade, o ‘Flexible Power System’ com 100% de compatibilidade com a oferta de aparelhos existente e as nossas baterias com até cinco amperes-hora (Ah) de capacidade para uma autonomia de funcionamento particularmente grande”.

 Maior autonomia da bateria

Para se poder trabalhar de forma especialmente produtiva, são necessárias baterias com maior capacidade. Por isso mesmo, nos últimos anos, a Bosch tem vindo a desenvolver o programa de baterias no sentido de responder a este requisito, disse Josef Ortolf. “Neste momento estão disponíveis baterias de 1,5 a 5,0 Ah. Este desenvolvimento tem por base o aumento da capacidade dos elementos: com o mesmo volume, o elemento consegue suportar uma quantidade de carga superior”. O desenvolvimento de densidades energéticas ainda maiores tem sido extremamente rápido e não tem fim à vista. Dessa forma, damos acesso a aplicações sempre novas para ferramentas elétricas com bateria ‒ mesmo para utilizações que requerem aparelhos com potência elevada. Um exemplo disso são as rebarbadoras sem fio.

Comunicação intensiva

Para dar a conhecer esta novidade aos utilizadores e agentes autorizados, a empresa alemã admite ir fazer uma comunicação intensivamente em todos os canais. ”Além disso, daremos aos utilizadores a possibilidade de testar as nossas soluções no mercado em eventos especiais, como a Cordless Innovation Tour e no âmbito da campanha 1000 Tools – 1000 Tester, e de criar a sua própria ideia sobre as vantagens do nosso sistema”.

 

Prestação do primeiro trimestre foi “boa”

O ano de 2013 foi para a Bosch mais um ano de sucesso no mercado europeu de ferramentas elétricas profissionais: enquanto que o mercado de ferramentas elétricas manuais regrediu 2%, a empresa alemã registou um crescimento de 3% e conseguiu consolidar a quota do mercado de 30% alcançada em 2012, explicou Josef Ortolf, diretor da área de produtos de ferramentas elétricas profissionais na Europa, no Médio Oriente e África, aos jornalistas. “Os fatores determinantes para o nosso sucesso são os produtos e serviços inovadores. Ajudam o utilizador a trabalhar de forma eficiente, a dar conta das tarefas mais complicadas de forma excecional e, com isso, a lidar com a pressão de tempo que se faz sentir nas dificuldades do dia-a-dia de trabalho ‒ tanto na oficina como no estaleiro de obras”.

E Josef Ortolf não tem dúvidas que as ferramentas sem fio dão um contributo muito importante para tal. “São e continuam a ser um segmento de crescimento significativo. Em 2007, uma em cada três ferramentas era uma ferramenta sem fio. Desde então, 43% de todas as ferramentas elétricas em todo o mundo, ou seja, quase metade, têm uma bateria. A Bosch encorajou esta tendência através de inúmeras inovações: só no ano de 2013 lançámos no mercado 27 novas ferramentas sem fio para profissionais”.

No evento, a “B!T” questionou os responsáveis sobre os resultados da empresa no primeiro trimestre que, sem revelar números, admitem ter sido “uma boa prestação”.

 


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