Blockchain e o futuro das Finanças

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O especialista da empresa Cognizant, Tony Virdi, conta-nos porque apoia a nova alternativa ao dinheiro vivo.

As grandes transações financeiras têm sido realizadas virtualmente há já muito tempo, movendo-se pelo mundo através de sistemas bancários e, muitas vezes, através registos em folhas de cálculo. No entanto, hoje em dia assistimos à forma como o dinheiro e as moedas estão a tornar-se digitais com o crescimento de criptomoedas como a Bitcoin como alternativa ao “dinheiro vivo”.  Com base na tecnologia Blockchain, as vantagens da Bitcoin na indústria bancária são cada vez mais evidentes; de facto, um relatório recente do Santander sugere que “a tecnologia ledger pode reduzir os custos de infraestruturas dos bancos atribuídos a pagamentos transfronteiriços, comércio de títulos e cumprimento da legislação em cerca de 15 a 20 mil milhões de dólares por ano até 2022.”

Blockchain, sendo ainda uma tecnologia muito recente, tem o potencial de transformar mecanismos centenários de transferência de dinheiro. A nossa pesquisa mais recente, que inquiriu mais de 300 executivos bancários relativamente ao cenário dos pagamentos atuais na Europa, concluiu que as criptomoedas e as tecnologias Blockchain são vistas como grandes impulsionadores de mudança.

O futuro

O Blockchain é construído nos princípios da criptografia, teoria de jogos e rede peer-to-peer. Permite que dados monetários únicos sejam transferidos através de um ledger descentralizado (livro de registo de todas as transações), um sistema praticamente infalsificável, sendo que é verificado por uma rede partilhada de computadores por todo o mundo.

As vantagens do Blockchain não estão apenas na sua funcionalidade, mas também na sua arquitetura segura e resiliente, protegendo contra os ataques mais poderosos, tanto reais como teóricos. De forma crucial, promete abordar alguns dos desafios mais importantes verificados no setor financeiro nos últimos anos. Para além das implicações de segurança e maior transparência das transações para todas as partes envolvidas, poderá ter um impacto positivo nos preços e custos de mercado, para além de dar a oportunidade de localizar os históricos de pagamentos de clientes de forma mais precisa, reduzindo o risco de falhas. Por exemplo, a Autoridade Monetária de Singapura criou um registo com base em blockchain enquanto o seu Diretor-Geral, Ravi Menon, anunciava a tecnologia que permitia “uma maior resiliência contra falhas de sistema.”

Desafios do Blockchain

No entanto, existem vários obstáculos que o Blockchain terá de ultrapassar antes de se tornar um sistema dominante. Estes incluem a escalabilidade, o tempo de verificação de transações, o custo de transações e a segurança. Recentemente, todas as atenções se viraram para os incidentes de hacking em empresas e start-ups baseadas em Bitcoin. No entanto, aquilo que não foi dito é que alguns dos furtos não tiveram origem na rede, tendo sido iniciados por clientes individuais. Por exemplo, uma “carteira eletrónica”, o equivalente em Bitcoins a uma conta bancária, é instalada no computador ou dispositivo do cliente, sendo totalmente controlada pelo cliente. Estas carteiras são armazenadas de forma não codificada e têm sofridos ataques de hacking através do computador pessoal de outras pessoas.

No entanto, se um infrator quiser fazer alterações no ledger, não poderá fazê-lo, salvo se o infrator controlar 51 por cento ou mais dos participantes da rede, o que é praticamente impossível no caso de qualquer grande rede.

Enquanto os riscos atuais devem ser abordados, muitas empresas estão a considerar o Blockchain como um potencial agente de mudança. Seja qual for o resultado, não há dúvidas de que o setor das finanças será muito diferente brevemente.

Tony Virdi, vice-presidente e diretor de serviços bancários e financeiros no Reino Unido e Irlanda, Cognizant


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