BIG smart cities: competição assume amplitude nacional

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O Uptec, no Porto, acolheu, este sábado, a cerimónia de abertura das candidaturas para a 4.ª edição da BIG smart cities, uma competição de empreendedorismo promovido pela Vodafone e a Ericsson que este ano contempla desafios no Porto, Évora, Coimbra e Lisboa.

Até dia 4 de maio, todas as ideias de negócio de base tecnológica que melhorem o dia a dia de quem vive, trabalha ou visita uma cidade podem candidatar-se através do site www.bigsmartcities.com, habilitando-se a um prémio monetário de 10 mil euros, seis meses de incubação no Vodafone Power Lab e uma viagem para conhecer um polo de inovação da Ericsson na Europa.

“É conhecido o compromisso da Vodafone com a inovação. Está no nosso ADN. Fazemo-lo desde sempre não só pela nossa área de atividade mas pela constante e incansável procura pelas melhores soluções que vão de encontro às necessidades dos nossos clientes”, disse na cerimónia de abertura Mário Vaz, presidente da Vodafone Portugal.

“Hoje, mais do que nunca, a inovação não está confinada às empresas estabelecidas e não acontece só em grandes pólos de escala global. Cada vez mais tem origem em fontes externas, em parcerias com empreendedores e starups com ideias e conceitos desafiantes”.

Aliás, Mário Vaz, citando recentes estudos, avança sermos o terceiro país que mais acelera startups na Europa e um dos países de eleição para o estabelecimento de startups internacionais. “Não só pelas condições que Portugal possa oferecer do ponto de vista económico, mas porque as infraestruturas e qualidade dos recursos estão ao nível do que de melhor se faz no mundo. E aqui nas infraestruturas, permitam-me falar das telecomunicações, porque estamos realmente na linha da frente do ponto de vista mundial”.

E é precisamente por tudo isto que o gestor admite fomentar projectos como o BIG smart cities. “Fazemo-lo porque são inúmeros os benefícios que daqui retiramos, como sejam o contacto com tendências, novas ideias e conceitos e a possibilidade de encontrar novas soluções que sejam interessantes para o nosso negócio. A exposição das nossas equipas a nova formas de pensar – e há realmente nas starups novas formas de pensar – é fundamental. Fazemos questão de ter os nossos managers e os nossos diretores, enquanto mentores, a dar… mas também a receber”.

E têm recebido muito neste contacto com as starups, garante Mário Vaz. “É sem dúvida o nosso contributo para o desenvolvimento da economia e para o desenvolvimento do país. Mas é importante para o nosso desenvolvimento que a Europa reconheça e apoie os pólos empreendedores e as starups”, disse o gestor, claramente aproveitando a presença no evento de Carlos Moedas, comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação que, de resto, admite que serão as cidades, ditas inteligentes, e não os países, os grandes impulsionadores do desenvolvimento. “E as empresas claramente vão deixar de ser multinacionais para serem multi-urbanas”, disse Carlos Moedas.

Mário Vaz, por seu lado, “adverte” o comissário que a Europa tem de ser mais competitiva e que os empreendedores e as starups têm um papel muito importante nessa competitividade europeia.

“Numa altura em que as cidades modernas enfrentam cada vez mais desafios – sejam eles de ordem demográfica, territorial ou climatérica, bem como de partilha e gestão de recursos naturais (hídricos, energéticos, aquecimento global) e humanos (envelhecimento da população, exclusão social) –, a tecnologia é um aliado fundamental para se transformarem as cidades em metrópoles cada vez mais inteligentes e que promovam a qualidade de vida dos seus habitantes, trabalhadores, empresários e visitantes”.

Pedro Queirós, presidente executivo da Ericsson, que este ano se juntou à Vodafone no patrocínio desta competição, relembra alguns números curiosos: em quatro anos, 70% da população mundial vai viver em grandes cidades e 2,5 mil milhões de pessoas têm já internet móvel. “E agora temos a Internet das Coisas onde tudo comunica entre si. Os números para 2020 apontam para 26 mil milhões de coisas e pessoas ligadas. A oportunidade está aí”.

Pedro Queirós salientou o facto da empresa sueca ter já vários projetos desenvolvidos em parceria com a Vodafone, inclusivamente servindo clientes fora do nosso país, nomeadamente Inglaterra. “Há uma grande tradição de inovação entre as duas empresas”, disse.

E apesar de assumir que os Estados Unidos estão na liderança das TIC, e que as startups se inspiram muito no Silicon Valley, e no desenvolvimento claro que ali existe, a verdade é que se antes se falava da Google, Microsoft e Apple, mas hoje falamos da Uber e da airbnb. “Em Portugal estamos a entrar neste novo mundo das aplicações. É incrível como os novos empreendedores se conseguem desligar dos modelos de negócio tradicionais e apostam em coisas novas. E são estas novas empresas a razão pela qual estamos aqui hoje”.

Quando ao BIG smart cities, vai haver quatro áreas de oportunidade identificadas – Smart Mobility, Smart Living, Smart Tourism e Smart Government. As novidades deste ano passam pelo facto do evento passar a ter uma amplitude nacional. Este ano, a iniciativa acontece no Porto, Coimbra, Évora e Lisboa, com cada uma das cidades a promover eventos locais, intitulados BIG city challenges: quatro competições, a decorrer durante o mês de abril, onde se avaliarão as propostas dos potenciais empreendedores inscritos e se elegerá um finalista por cidade.

Em comunicado cedido à imprensa, a organização garante que além de ganharem acesso direto à final do concurso, os quatro projetos eleitos receberão um prémio de 500 euros.

Os empreendedores que não conseguirem marcar presença nos City Challenges do Porto (14 de abril), Évora (20 de abril), Coimbra (21 de abril) e Lisboa (28 de abril), mas submeterem as suas candidaturas online, serão avaliados à distância pelo júri e, posteriormente, através de entrevistas presenciais.

No regulamento consta que, no final do processo de seleção, serão escolhidos 20 finalistas, a anunciar no dia 16 de maio, iniciando-se de seguida o programa de pré-aceleração de 9 semanas onde os finalistas irão receber formação, mentoring e apoio para transformarem as suas ideias em negócios viáveis. A final do BIG smart cities acontece no dia 5 de julho, onde vão ser apresentados publicamente os pitches dos projectos finalistas e onde serão revelados o projeto vencedor e três menções honrosas.

O comunicado evidencia ainda que além do incentivo de 10 mil euros para que consigam começar a tornar as suas ideias em realidade, a proposta tecnológica que apresente a melhor ideia de sustentabilidade citadina poderá desenvolver a sua ideia nas instalações da aceleradora Vodafone Power Lab, recebendo formação, coaching e sessões de mentoring e beneficiando, ainda, do ambiente de partilha de conhecimento, de experiências e de entreajuda entre startups que se vive na aceleradora. A par disso, terá a oportunidade de visitar um polo de inovação da Ericsson na Europa.

OS VENCEDORES DAS ANTERIORES EDIÇÕES: 

2013 – GuestU 

Desenhada para profissionais a operar na área do turismo, a GuestU é uma aplicação que presta um serviço personalizado a hotéis, garantindo que as necessidades dos seus hóspedes são asseguradas por uma espécie de ‘concierge’ virtual disponível num smartphone. Através da localização geográfica, a App consegue mostrar, por exemplo, qual a farmácia mais próxima, qual o restaurante mais indicado para alguém que viaja em negócios ou em família e quais as paragens de transportes públicos das redondezas. Informações úteis que, habitualmente, os turistas pedem no balção da unidade hoteleira onde estão hospedados e que, com o GuestU, encontram reunidas numa só App. Um ano depois de ter ganho o Lisbon Big Apps (primeiro nome do BIG smart cities), a GuestU conseguiu um financiamento da Portugal Ventures de 1,1 milhões de euros. Atualmente, em Portugal já há cerca de 110 hotéis que utilizam a App da GuestU e, nos EUA, são cerca de 20, sobretudo em Nova Iorque e Califórnia. Estão em mais de 30 países e cerca de 50% das receitas da startup provêm do estrangeiro.

2014 – Inviita 

Inviita é uma App que permite criar roteiros em todo o mundo de acordo com o estado de espírito do utilizador. O intuito da aplicação é simplificar o processo de tomada de decisão sobre o que fazer numa cidade. Com um design intuitivo, permite a criação de roteiros personaliza- dos em qualquer lugar do mundo, quer se esteja em viagem ou se queira descobrir lugares na própria cidade. Disponibilizando informação sobre pontos de interesse locais, bem como dados úteis sobre mobilidade e transportes, além de ajudar a planear uma viagem esta App também possibilita a reserva de hotéis ou atrações turísticas. Apoiada e desenvolvida no Vodafone Power Lab, a Inviita já recebeu várias distinções, entre elas o 1.o lugar no concurso da Bolsa de Empreendedorismo, iniciativa da Representação da Comissão Europeia em Portugal, e foi reconhecida da Apple como a Melhor App da Semana na altura do seu lançamento.

2015 – Lisboa Horizontal 

A Lisboa Horizontal é uma App pensada para ciclistas, para servir qualquer pessoa que gosta de substituir os transportes tradicionais pela bicicleta nas suas deslocações do dia a dia ou de lazer. Numa cidade como Lisboa, conhecida pela inclinação das suas sete colinas, a aplicação calcula rotas de forma a evitar as grandes subidas da cidade. O mote para a criação da Lisboa Horizontal partiu de uma ideia simples: como tornar a capital portuguesa plana e generalizar o uso da bicicleta como meio de transporte alternativo e viável? Usando o modelo topográfico da cidade, calculou-se que 63% das ruas lisboetas têm menos de 4% de inclinação. Um número pouco ameaçador e que mostra que, afinal, não é preciso ser assim tão corajoso para se “atacar” Lisboa de bicicleta.


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