Autorização da AT para guias de transporte torna operações demasiado lentas

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O processo de receção da autorização da Autoridade Tributária (AT) no que diz respeito à criação de guias de transporte torna as operações das empresas demasiado lentas, diminuindo a rentabilidade e a competitividade, diz Mário Maia, diretor comercial da Generix, editora de software e serviços aplicativos. Em outubro de 2013 a Autoridade para a Concorrência divulgou

O processo de receção da autorização da Autoridade Tributária (AT) no que diz respeito à criação de guias de transporte torna as operações das empresas demasiado lentas, diminuindo a rentabilidade e a competitividade, diz Mário Maia, diretor comercial da Generix, editora de software e serviços aplicativos.

Mário Maia - Generix Group

Em outubro de 2013 a Autoridade para a Concorrência divulgou que ia aplicar sanções nos casos de ausência de comunicação eletrónica prévia dos documentos de transporte, no âmbito das novas regras para bens em circulação (Decreto-Lei 198/2012), que entraram em vigor a 1 de julho. Pela vossa experiência, como foi ser recebido este decreto-lei por parte das empresas clientes da Generix?

De uma forma geral esta portaria foi muito mal recebida pelo tecido empresarial português. A Generix participou em diversas ações de sensibilização e em todas elas houve sempre muita indignação. Num momento em que as nossas empresas passam por uma grave crise económica e financeira, as administrações, em vez de estarem preocupadas em implementar estratégias para aumentar a qualidade dos produtos comercializados e tornarem-se mais competitivas, veem-se obrigadas em resolver problemáticas de imperativo legal e que em nada ajudam o negócio. Porém, na sequência de alguns adiamentos da entrada em vigor das novas regras para a circulação de bens em território nacional grande parte dos nossos clientes acabou por aceitar com serenidade esta aplicação.

 

Mas quais as preocupações dos vossos clientes?

As principais preocupações dos nossos clientes, cuja caraterística do seu negócio exige movimentações constantes de mercadoria entre vários locais, está associada à introdução das sanções que obriga ao cumprimento dos processos legais com a criação de guias de transporte cujo processo de receção da autorização da Autoridade Tributária (AT) torna as operações demasiado lentas, diminuindo a rentabilidade e a competitividade das empresas.

 

Qual a percentagem de empresas clientes que já adequaram as suas estruturas em conformidade com o decreto-lei?

Mais de 90% das empresas adequou as suas aplicações informáticas às novas conformidades legais, mas existe um bom número de empresas que ainda utiliza o portal da AT para a geração manual de guias e a respetiva autorização de transporte da mercadoria.

 

Qual é a principal razão apontada para ainda não terem implementado as alterações necessárias?

Existem duas razões de base: a questão tecnológica com a dificuldade da implementação das novas exigências e a questão do enraizamento de práticas de transporte e circulação de mercadorias não conforme com a legislação em vigor. Ao longo do tempo tem havido o hábito de não criação de documentos de transporte em determinadas situações e a rasura manual nas guias de transporte papel.

 

O processo é complexo? Quanto tempo demora a sua implementação?

Atendendo à dimensão do nosso país e à centralização dos sistemas de informação fora das nossas fronteiras, a adequação dos sistemas de informação às novas exigências legais obriga a desenvolvimentos internacionais e a planeamentos de longa duração. Sendo, por vezes, necessário mais de dois anos para as atualizações exigidas, um período muito dilatado em comparação com o prazo dado pela AT para esta adequação.

Por outro lado, a questão da habituação da utilização de modelos de negócio para a distribuição da mercadoria assente em princípios discutíveis em termos do cumprimento das disposições legais tem levado a que algumas das organizações não tenham como prática a criação de documentos de transporte em todas as circunstâncias previstas pela legislação. Esta obrigação resulta na necessidade de reformular modelos de negócio cuja evolução é exigente em termos de tempo e a sua implementação não é exequível nos prazos estipulados pela Autoridade Tributária e Aduaneira.

 

Quanto faturaram no mercado nacional o ano passado e qual é a perspetiva de negócio da Generix para 2014?

Em Portugal a nossa faturação ultrapassou os 2,3 milhões de euros, sendo que para este ano prevemos um crescimento para 2,5 milhões de euros. Até ao momento, os nossos indicadores vão neste sentido permitindo um crescimento sustentado quer pela continuidade da nossa carteira de clientes quer pela conquista de novas contas estratégicas.

 

O atual momento económico veio de alguma forma fazer-vos repensar a vossa estratégia?

A vantagem de pertencermos a um grupo internacional da dimensão do grupo Generix, que é dos principais editores de software para a Supply Chain e soluções colaborativas, fatura eletrónica e EDI a nível europeu, permite-nos aceder a estudos de mercado e conhecer as tendências a médio prazo dos nossos clientes. O importante é de facto “sentir” o atual momento económico: perceber as necessidades dos clientes, ter capacidade para gerar mais-valia adaptando as nossas soluções para que se traduzam no aumento da competitividade dos nossos clientes e aumentar o seu lucro. A tendência atual que foi prevista na nossa estratégia da segunda metade da década passada é de facto a globalização e a adoção da estratégia de utilização de plataformas em modelo SAAS (Software AS A Service) onde não há investimento, nem em licenciamento de software, nem na aquisição de hardware e a respetiva manutenção.

Tendo como base esta orientação e mais de 25 anos de mercado, traçámos uma estratégia a três anos onde reorganizámos as nossas equipas e através de um processo de contínua especialização dos nossos recursos pretendemos disponibilizar no mercado não só os melhores serviços SAAS mas também os melhores profissionais no setor onde atuamos, afirmando-nos como líderes Europeus da Supply Chain, plataformas colaborativas, integração e fatura eletrónica. Esta estratégia local está alinhada com a nossa estratégia internacional de focalização e especialização inequívoca que nos levou a vender a unidade de negócio dedicada à produção de software de gestão comercial.

 

Quais os momentos que mais destacam nos últimos dois anos?

Por um lado, o lançamento dos produtos da família TransportXpress para colmatar as necessidades das organizações no que refere aos novos enquadramentos legais da comunicação das guias de transporte à AT, mas também o reconhecimento do mercado nacional que a Generix é o principal implementador de soluções para a Supply Chain com presença nacional.

Um outro momento que não podemos deixar de destacar é a alteração do comportamento do nosso tecido empresarial que se sensibilizou e convenceu para a utilização e massificação dos projetos de fatura eletrónica. Hoje, é um projeto que todas as organizações se orgulham em implementar quer pelo impacto ambiental quer pelos ganhos financeiros associados.

Por fim, destaco um momento recente: o prémio de melhor inovação de produto para a logística que nos foi atribuído no evento SITL 2014, onde foi reconhecido o nosso trabalho na solução de Realidade Aumentada desenhada para guiar os operadores de armazém responsáveis pela recolha dos produtos através da utilização de óculos interativos. Com esta solução, uma das primeiras aplicações profissionais para óculos interativos, a Generix Group visa melhorar a produtividade nos armazéns e as condições de trabalho dos operadores logísticos, oferecendo um novo interface que possibilita aos operadores obterem informação atualizada a cada momento. A solução combina conforto e produtividade, reduzindo ainda o tempo de formação de novos colaboradores.

 

Do portfólio de produtos que têm disponíveis no mercado nacional, qual o que atualmente mais peso tem no volume de negócios?

Historicamente, em Portugal desenvolvemos o mercado EDI e Fatura Eletrónica desde 1997 e as soluções para a Supply Chain desde 2008, sendo por isso natural que estas últimas tenham um peso menor no nosso volume de negócio. Prevemos nos próximos três anos equilibrar o volume de negócio de ambas as ofertas aumentando consideravelmente as vendas no nosso portfólio para a Supply Chain, em particular as nossas soluções de gestão de armazéns e gestão de transportes.

 

Quais os principais desafios que neste momento o mercado nacional apresenta?

O ADN da Generix Group está fortemente ligado ao ecossistema do comércio, não dominamos apenas a tecnologia, conhecemos profundamente as caraterísticas do negócio e a sua mutação. Nos últimos anos, a Generix tem tido a oportunidade de acompanhar a tendência da alteração dos hábitos de compra dos consumidores quer no que refere à redução do custo médio de cada compra isolada quer no aumento crescente das compras online. Esta última alteração está a ser aproveitada por algumas cadeias do retalho organizado como uma oportunidade para a criação de um novo canal de vendas, com custos significativamente mais reduzidos do que numa loja tradicional. Mas que se torna num desafio em todo o processo logístico referente à entrega dos bens ao consumidor. A Generix é pioneiro na apresentação da primeira plataforma verdadeiramente revolucionária com o módulo e-Logistic lançado este ano para a gama GNX WMS onde disponibilizamos funcionalidades para resolver a problemática do picking unitário e todas as otimizações necessárias para a minimização do volume de trabalho nos armazéns ou lojas.

 

Os desafio passam igualmente pela redução dos custos de transporte e do tempo na entrega dos bens?

Os transportadores e operadores logísticos de uma forma geral devem organizar processos de consolidação que garantam a circulação de camiões completos com razoáveis “lead times” permitindo tornar os nossos industriais mais competitivos. Atendendo a oferta elevada de transportadores com grelhas complexas de custeio e a existência de várias plataformas de xDocking, com as soluções TMS, a Generix aporta um conjunto de funcionalidades que permitem em tempo real a gestão eficaz das mercadorias para distribuição, a sua entrega quer seja direta ou via plataformas logísticas de cross docking e centros de consolidação.

Ainda no que respeita à matéria de otimizações de transportes, o mesmo se aplica aos retalhistas que devem ter a preocupação de garantir a receção de camiões completos para otimizar processos de descarga, arrumação e expedição, ao mesmo tempo que reduzem o número de operadores nos cais. Aqui, os operadores logísticos têm um papel preponderante propondo Centros de Consolidação e Cooperação logísticos. A Generix é uma vez mais pioneira na apresentação de soluções informatizadas para a gestão destas comunidades.

Finalmente, temos constatado que a necessidade constante de redução de custos operacionais no mercado nacional é proporcional ao número crescente de regulamentações que obrigam a um maior controlo da cadeia de abastecimento. Esta constatação leva a um agravamento da qualidade de trabalho dos colaboradores e consequentemente ao aumento do número de erros e litígios. A solução passa efetivamente pela aposta em processos de EDI que garantem a comunicação instantânea da informação e ausência de erros entre parceiros comerciais. A Generix é líder em Portugal nesta área e lança anualmente novas funcionalidades essenciais para a produtividade e aumento do lucro dos nossos clientes.


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