APDC ilumina o potencial das TIC no setor da Saúde

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As Tecnologias da Informação e da Comunicação e a esfera da Saúde são duas dimensões que cada vez mais se diluem uma na outra. Como tal, e no âmbito do ciclo Executive Breakfast 2014, a Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC) presidiu hoje um evento onde abertamente foram discutidos os obstáculos que flagelam

As Tecnologias da Informação e da Comunicação e a esfera da Saúde são duas dimensões que cada vez mais se diluem uma na outra. Como tal, e no âmbito do ciclo Executive Breakfast 2014, a Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC) presidiu hoje um evento onde abertamente foram discutidos os obstáculos que flagelam o setor da Saúde e de que forma poderão as TIC dizimar estes impedimentos.

cuidados da saude tic

Numa primeira intervenção, Harry Reynolds, diretor-geral para a Transformação da Indústria da Saúde na IBM e um dos principais motores da reforma dos sistemas de Saúde nos Estados Unidos, começou por contextualizar as TIC na esfera dos Cuidados de Saúde, avançando que progressos na implementação das mesmas neste setor materializaram-se, por  exemplo, em sistemas de TeleMedicina, através dos quais um cirurgião que opera em Portugal pode trocar impressões, em direto, relativamente a um procedimento com um outro profissional que está em Espanha através de vídeo-conferência. Acrescentou também que a monitorização remota de doentes crónicos é agora possível mediante a implementação de infraestruturas de TIC nos estabelecimentos provedores de cuidados de Saúde. Reynolds, em tom de conclusão, afirmou que a revolução que se está a começar a abater sobre a área da Saúde não é algo a temer, e deve, sim, ser vista como uma oportunidade para o aperfeiçoamento dos sistemas deste setor e, consequentemente, para o progresso do próprio país.

De seguida, foi composto um painel de debate moderado por Cristina Semião, momento em que António Serrano, da Lusíadas Saúde, Inácio Almeida e Brito, da José de Mello Saúde, Ivo Antão, da Espírito Santo Saúde, e Pedro Roldão, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, sentaram-se para refletir sobre os impactos da implementação de networks de TIC nos hospitais e clínicas nacionais.

Apesar de umas leves discrepâncias, todos os intervenientes acordavam num ponto: os sistemas de Saúde em Portugal têm ainda de ser alvo de muito trabalho, pois algumas arestas precisam de ser limadas antes de poderem ser implementados com sucesso sistemas totalmente operacionais de TIC.

Roldão disse que, apesar das limitações, estamos a observar uma aceleração do ritmo de implementação de redes de TIC nos sistemas das unidades provedoras de cuidados de Saúde.

Antão, por sua vez, declarou que só se consegue potenciar o desenvolvimento da área da Saúde mediante um articulação entre os diversos intervenientes no processo, visto que os cuidados de Saúde são um setor que engloba vários ramos profissionais (médico, legal, administrativo, tecnológico).

Debruçando-se sobre a realidade dicotómica que é o setor da Saúde, que se bifurca em dois grandes ramos, sendo eles o Privado e o Público, Serrano asseverou que é premente a emergência de um plano reformador transversal a estes dois modelos, um tronco comum que oriente e constitua um único sistema de Saúde, com algumas disparidades no grau de autonomia e capacidade de tomada de decisões das unidades prestadoras de cuidados de Saúde.

Almeida e Brito declarou que os sistemas de TIC nesta área têm que imperativamente ser centrados no utente, acrescentando que não existe ainda um bom aproveitamento destas tecnologias de informação e comunicação e que muitos processos ainda executados por pessoas podiam ter sido já automatizados.

Por fim, podemos concluir que não obstante todas as provações que afligem o setor da Saúde em matéria de consolidação de redes de TIC para melhoria dos serviços e para uma devida democratização de conhecimentos médicos legítimos e consequente promoção de comportamentos saudáveis, Portugal tem ainda muito caminho para palmilhar antes de poder apregoar a boa integração, funcionamento e interoperabilidade das infraestruturas de TIC nos seus serviços de Saúde.


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