Algoritmos aceleram economia das conexões em negócios digitais

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Essa é a avaliação de analistas do instituto de pesquisa e consultoria Gartner. Eles definiram de que forma os CIOs podem aumentar a sua influência, mesmo se possuírem menos controle. Para isso, segundo o instituto, esses executivos necessitam focar em poder, escala e dinâmica dos negócios digitais, baseados nas conexões entre pessoas e objetos, interações e relações, além de valor dos algoritmos.

Esses algoritmos aceleraram o valor na economia digital que os analistas do Gartner definem como “economia de conexões”.  Eles descrevem a economia de conexões como a criação de valor por meio do aumento da densidade de interações entre negócios, pessoas e objetos.

“Valor pode significar várias coisas. Pode ser o conhecimento e a experiência que se ganha ou pode ser as relações de confiança que construímos”, diz Frank Buytendijk, vice-presidente e reconhecido analista do Gartner. “No final, o valor é o que se consegue para os clientes e cidadãos. Quanto maior a densidade de ligações, maior o valor potencial de que usufruímos.”

Os CIOs podem criar essa densidade em três etapas: dar, receber e multiplicar:

Dar acesso a tudo que pode ser mais valorizado, se for partilhado, do que estando guardado.

Receber vantagens de outros recursos que estejam disponíveis. Explorar o poder de todos os tipos de redes de computação e informação.

Multiplicar, permitindo que as conexões interajam diretamente umas com as outras

Buytendijk citou o exemplo da Tesla, que partilhou as suas patentes de supercarregadores gratuitamente. A Tesla acredita que se outras empresas também investirem, todos poderão se beneficiar de tecnologia mais abrangente e rentável. Enquanto todos podem tirar vantagens com essa decisão, segundo o Gartner, a Tesla acredita que se todos adotarem o seu padrão, isso fará com que o seu mercado aumente.

“Dar e receber conduz a uma ativa e dinâmica rede de ligações em que nós somos o orientador, o maior influenciador”, diz Buytendijk. “Contudo, a influência continua a ser limitada. Todas as pessoas, negócios e objetos têm valor a oferecer. E ele é apenas verdadeiramente desbloqueado se todos começarem a interagir uns com os outros. O objetivo passa a ser multiplicar essas ligações, facilitando e encorajando as mesmas na criação de um tecido firme, uma ‘malha’ de conexões. No entanto, nós não controlamos essas conexões”, afirma.

Removendo obstáculos

Para entender a promessa da Economia das Conexões, os CIOs vão encontrar três obstáculos que necessitam remover: mentalidade controladora, inércia e falta de confiança.

“É tudo uma questão de mentalidade”, diz Mary Mesaglio, vice-presidente da área de Investigação do Gartner. “O controle passa a influência. A inércia é removida pela falta de investimento. A desconfiança deve ser transformada em confiança, começando no coração da área de TI e ampliando para toda a empresa.”

Para verdadeiramente impulsionar os resultados, os CIOs devem evoluir para se transformarem num aliado de confiança. “Um CIO que se torne aliado de confiança é um líder de informação e tecnologia para toda a empresa. Aliados de confiança possuem a habilidade de liderar, independentemente da propriedade da tecnologia estar dentro ou fora do departamento de TI “, afirma Mary.

Segundo o Gartner, mais de metade dos CIOs que são aliados de confiança afirmam que são eles que lideram as esquipes digitais em toda a empresa, em comparação com um terço de todos os outros CIOs. Aliados de confiança estão mais envolvidos na mudança e estratégia dos negócios, fazem mais crowdsourcing e trabalham mais com startups.

Mesaglio diz ainda que uma das características que faz com que os CIOs se destaquem de outros executivos é o seu “pensamento intuitivo”. CIOs são observadores excepcionais. Pensadores intuitivos são melhores para resolver problemas complexos de forma criativa. Com a chegada da “economia algorítmica” foram criadas oportunidades para as competências, capacidades e ideias dos CIOs, ampliando o seu círculo de influência.

À medida que CIOs progridem no caminho para criar mais valor por meio do aumento da influência, têm de não investir. As organizações de TI têm de conseguir ultrapassar a inércia que foi sendo construída ao longo de décadas.

“Fatalismo do Legado”:  a crença de que não é possível se libertar do legado. Essas são aplicações e infraestruturas que já deram retorno há muito tempo ou nunca irão dar. Os “projetos de estimação”, dívida técnica e insucessos históricos que podem atrasar o departamento. Deixem eles para trás.

Preconceito de proprietário”: quando pensamos que criar, ser dono e operar sozinhos vão conduzir a melhores resultados. A realidade é se alguém pode fazer melhor, e irá fazer melhor, é deixá-los fazer. Por exemplo, os citizen developers, aqueles que estão fora do controle do CIOs, são o futuro no desenvolvimento de software. Devemos tentar encontrá-los e aceitá-los.

Confiar e verificar 

A confiança é um sentimento. “Os algoritmos permitem às empresas confiar nas pessoas ao nível que elas merecem: dinamicamente e em escala. No entanto, a confiança tem dois sentidos. As pessoas também têm de confiar na sua empresa. É a confiança que as pessoas têm no seu comportamento futuro”, indica Buytendijk.

Buytendijk destacou quatro elementos essenciais na gestão da confiança: produzir resultados,ser previsível,entender o contexto humano e ser visível.

* Solange Calvo é editora da B!T no Brasil.


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